O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva / Foto: Ricardo Stuckert | O Museu da Língua Portuguesa, localizado na histórica Estação da Luz, centro de São Paulo, propõe uma conexão de forma lúdica às origens do idioma, suas influências e as formas que ele assume no cotidiano / Foto: Wikimedia Commons / Divulgação
Brasília (DF) 05 de maio de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou suas redes sociais na plataforma X para dar o tom solene e festivo ao Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado neste 5 de maio.
A postagem, que rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados no país, exaltou a língua como um “organismo vivo” que une os chamados “muitos brasis“.
A mensagem presidencial foi além do cerimonial. Ao citar nomes que vão desde o escritor erudito Machado de Assis até o cantor de piseiro João Gomes, passando pelo rapper Mano Brown e a rainha do rock Rita Lee, Lula rejeitou a ideia de uma hierarquia cultural.
Para o Palácio do Planalto, a data serviu para consolidar a visão de que o português falado no Brasil é um patrimônio diverso, democrático e em constante transformação.
A fala do presidente também ecoou o trabalho de instituições como o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), que há anos defende uma visão pluricêntrica do idioma, deslocando o eixo de autoridade linguística de Portugal para os países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Celebração toma conta do centro de São Paulo
Enquanto Lula discursava virtualmente, a capital paulista vivia um dos momentos mais altos da programação cultural da data. O Museu da Língua Portuguesa, localizado na histórica Estação da Luz, promoveu um verdadeiro festival de três dias em comemoração aos seus 20 anos de fundação.
A programação se estende até o sábado (9/mai) e é marcada pela pluralidade. Na noite de terça, o cantor luso-cabo-verdiano Dino D’Santiago sobe ao palco do auditório.No sábado, a rua em frente ao museu será tomada pela bateria da Gaviões da Fiel e pelo show do alfabeto sonoro lusófono comandado pela cantora Letrux.
A curadoria da escritora Bruna Beber garantiu um espaço significativo para a literatura marginal e feminina. Estao previstas leitura de trechos de obras da maranhense Maria Firmina dos Reis, uma das primeiras romancistas negras do Brasil, e uma performance interativa baseada nos escritos de Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo.
O protagonismo da CPLP e a geopolítica do idioma
Em Pretória, na África do Sul, a data adquiriu um contorno diplomático crucial. As embaixadas de Angola, Brasil, Moçambique e Portugal se uniram para celebrar, ao mesmo tempo, o Dia Mundial da Língua Portuguesa e os 30 anos da CPLP.
O evento no Javett Art Centre da Universidade de Pretória conta com a execução do hino da CPLP e discursos de chanceleres, reforçando o papel do idioma como ferramenta de integração no continente africano, onde o português é língua oficial de países como Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe.
Em comunicado oficial, a ONU lembrou que o português é um dos idiomas mais falados do mundo, com projeção de atingir 380 milhões de falantes até 2050.
O secretário-geral António Guterres afirmou que o idioma une “todos os continentes — de Lisboa a Luanda, de Brasília a Maputo“.
As celebrações também têm forte atuação do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Portugal), que promove cerca de 150 iniciativas globais, incluindo um concurso literário sobre Direitos Humanos e uma exposição de joalheria contemporânea em Lisboa.
O papel do Itamaraty na difusão global
O ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, não ficou atrás. Aproveitando a capilaridade de sua rede diplomática, o governo brasileiro organiza cerca de 60 eventos em postos no exterior.
As atividades incluem desde rodas de capoeira até simpósios sobre a obra de Guimarães Rosa, cujo clássico Grande Sertão: Veredas é homenageado no Museu da Língua Portuguesa com uma leitura especial do escritor angolano José Eduardo Agualusa.
O Brasil como coração pulsante da lusofonia
A celebração de 2026 confirma uma tendência observada pelos estudiosos: o protagonismo do português brasileiro. Com mais de 200 milhões de falantes nativos, o Brasil dita os rumos da língua na música, na internet e na produção audiovisual.
A publicação do presidente Lula, ao citar nomes como Elza Soares, Dona Ivone Lara, Almir Sater e Conceição Evaristo, não apenas celebrou a arte nacional, mas reafirmou um projeto político de valorização da cultura popular como expressão máxima da soberania nacional.
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