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IV Cúpula CELAC-UE: Lula alerta para retrocesso democrático e crise na AL e cobra acordo Mercosul-UE

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    Presidente Lula
    Presidente Lula em Santa Marta – Colômbia, discursa durante participação na IV Cúpula CELAC-UE |9.11.2025| Imagem reprodução


    Presidente do Brasil defende CELAC e Europa como eixos de multipolaridade, detalha estratégia de segurança contra crime organizado e propõe agenda de cooperação e comércio sustentável



    Santa Marta, Colômbia, 09 de novembro 2025

    Crise, Cooperação e Oportunidade:
    O Chamado de Lula para Reconstruir a Parceria CELAC-UE

    Durante rápida passagem em Santa Marta, Colômbia, o presidente Lula utilizou a tribuna da IV Cúpula Biregional CELAC-UE, que se inicia neste domingo (08/11), para fazer um duro alerta sobre o momento atual da América Latina e do Caribe, ao mesmo tempo em que traçou um caminho ambicioso para o fortalecimento da parceria com a União Europeia.

    O encontro, que reúne líderes europeus e latino-americanos/caribenhos, busca consolidar a chamada declaração de Santa Marta, abrangendo temas cruciais como comércio, clima e combate ao crime organizado.

    Lula iniciou seu discurso expressando condolências às vítimas das tempestades que atingiram recentemente o Caribe e o estado do Paraná, na região sul do Brasil.

    Em seguida, ele pontuou que, apesar de a CELAC e a União Europeia serem centrais para a construção de uma ordem mundial baseada na paz e na multipolaridade, a parceria viveu situações de retrocesso desde a última reunião em Bruxelas.

    O principal foco da crítica foi a profunda crise no projeto de integração regional.

    O presidente lamentou que a América Latina e o Caribe tenham voltado a ser uma região balcanizada e dividida, mais voltada para fora do que para si própria.

    “A intolerância ganha força e vem impedindo que diferentes pontos de vistas possam se assentar a mesma mesa”, disse.

    Lula enfatizou o retorno das ameaças do extremismo político, da manipulação da informação, do crime organizado, e de projetos pessoais de apego ao poder que ameaçam a democracia.

    Ele sublinhou que a democracia “também sucumbe quando o crime corrompe as instituições, esvazia os espaços públicos e destrói famílias“.

    Diante do alcance transnacional da criminalidade, que “coloca à prova nossa capacidade de cooperação“, o presidente reforçou a segurança como um “dever do Estado e um direito humano fundamental“.

    A solução, segundo o líder brasileiro, não é mágica, mas exige a repressão do crime organizado, o estrangulamento de seu financiamento e a eliminação do tráfico de armas. Para isso, o Brasil tem implementado plataformas permanentes de cooperação:

    1. Tríplice Fronteira: Renovação do comando tripartite na Triplice Fronteira com a Argentina e o Paraguai.

    2. Amazônia: Estabelecimento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia em Manaus, reunindo agentes de nove países sul-americanos para combater crimes financeiros e o tráfico de drogas, armas e pessoas.

    Comércio e Clima:
    Acelerando a Transição Energética

    Na área econômica e ambiental, a região é vista como fundamental para o futuro do planeta. Lula destacou que a COP 30, sediada no coração da Amazônia, será uma oportunidade para mostrar ao mundo que conservar as florestas é cuidar do futuro do planeta.

    Foi mencionada a solução inovadora do fundo de florestas tropicais para sempre, que visa fazer com que as florestas “valham mais em pé do que derrubadas“.

    Além disso, a América Latina e o Caribe possuem um enorme potencial como fonte segura e confiável de energia limpa para acelerar a transição energética global e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

    O ponto mais crucial na pauta comercial é o Acordo Mercosul União Europeia, visto como prova de que é possível fortalecer o multilateralismo.

    O presidente expressou a esperança de que, na próxima Cúpula do Mercosul em dezembro, os dois blocos possam finalmente dizer sim para este instrumento.

    A concretização do acordo criaria um dos maiores mercados de livre comércio do mundo, abrangendo 718 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares.

    O objetivo é reverter o papel da região de apenas fornecer “matéria-prima e mão de obra barata” para o mundo desenvolvido.

    A Luta pela Igualdade de Gênero no Palco Global

    Para além das questões geopolíticas e econômicas, o discurso fez um apelo pela igualdade de gênero e pela representação global.

    Lula afirmou que as duas regiões são pioneiras na promoção da igualdade de gênero, mas ressaltou a necessidade de superar o “trabalho invisível e não remunerado das tarefas de cuidado” que recai desproporcionalmente sobre as mulheres.

    O apelo mais incisivo foi direcionado à diplomacia internacional: “É chegada a hora de ter uma latina americana no cargo de secretária-geral da ONU”.

    Este pedido visa enviar ao mundo o sinal de que regiões estratégicas, como a América Latina, o Caribe e a Europa, estão “comprometidas com uma agenda promissora” de paz, cooperação, ampliação do comércio e crescimento sustentável.

    A Cúpula, que se estende até amanhã, segunda-feira (10/nov), visa implementar o Mapa do caminho, uma espécie de plano de ação para concretizar as iniciativas da Declaração de Santa Marta.

    A complexidade da parceria CELAC-UE pode ser comparada à orquestração de uma grande sinfonia, onde diferentes nações, com instrumentos e ritmos únicos, precisam encontrar harmonia.

    Nesta comparação, o sucesso depende não apenas da qualidade dos músicos (as nações), mas principalmente da capacidade do maestro (a liderança política) de fazer com que todos ouçam e respondam ao mesmo tempo ao chamado pela cooperação e pelo desenvolvimento, superando as dissonâncias das crises internas e do extremismo.

    Lula voltou ao Brasil por volta das 19h30, para participar da COP30, em Belém (PA).



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