A articulação entre Executivo e sociedade civil avança com a entrada de um líder histórico do MTST na pasta estratégica de articulação popular, visando mobilizações nacionais
Brasília, 30 de outubro 2025
Em um movimento que reforça a ponte entre o Palácio do Planalto e as bases populares, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a posse de Guilherme Boulos na Secretaria-Geral da Presidência da República, pasta vital para o diálogo com entidades civis e sociais.
O anúncio, ecoado em postagem oficial de Lula na rede X, destaca a trajetória do novo ministro como símbolo de luta incansável pelos direitos urbanos e pela inclusão social.
“Ontem demos boas-vindas ao companheiro Guilherme Boulos, que assume a Secretaria-Geral da Presidência. Boulos chega ao governo com a missão de ampliar ainda mais o diálogo com os movimentos sociais. Tenho certeza de que ele continuará trabalhando pelos brasileiros e brasileiras como sempre fez em sua trajetória. Ao companheiro Márcio Macedo, agradeço pela dedicação à participação social e pela missão cumprida à frente da Secretaria-Geral.”, escreveu o mandatário, marcando o início de uma era de maior proximidade com as ruas.
Ontem demos boas-vindas ao companheiro @GuilhermeBoulos, que assume a Secretaria-Geral da Presidência. Boulos chega ao governo com a missão de ampliar ainda mais o diálogo com os movimentos sociais. Tenho certeza de que ele continuará trabalhando pelos brasileiros e brasileiras… pic.twitter.com/3KunlxtYbl
— Lula (@LulaOficial) October 30, 2025
A cerimônia de posse, realizada em 29 de outubro de 2025 no Palácio do Planalto, em Brasília, reuniu aliados chave como a ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, e o ministro Rui Costa, da Casa Civil.
Boulos, deputado federal pelo PSOL-SP e ex-coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), assumiu o cargo substituindo Márcio Macêdo, que liderou a pasta desde janeiro de 2023.
A troca, a 13ª ministerial no terceiro mandato de Lula e a sétima só em 2025, visa injetar energia nova na articulação com movimentos sociais, especialmente em meio às preparações para as eleições presidenciais de 2026.
Boulos, paulistano de 43 anos formado em Filosofia e mestre em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo (USP), não escondeu sua visão transformadora.
“O presidente Lula me deu a missão, como ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, de ajudar nessa reta final do seu terceiro mandato a colocar o governo na rua, a rodar todos os cantos desse país, ouvir as pessoas, conversar olho no olho, ter a humildade de ouvir críticas e, ao mesmo tempo, apresentar o que o nosso governo tem feito pelo povo brasileiro”, declarou ele durante o evento, conforme registro oficial do Governo Federal.
A ênfase em agendas itinerantes, priorizando regiões como Norte e Nordeste, sinaliza uma estratégia para reconectar o Executivo com demandas periféricas, como moradia digna e reforma urbana – bandeiras centrais da pasta.
Essa nomeação não surge do vácuo: representa uma evolução estratégica no governo Lula.
Anunciada inicialmente em 20 de outubro de 2025 após reunião privada no Planalto, a indicação de Boulos foi resposta a críticas sobre o distanciamento com bases sociais sob Macêdo.
O ex-ministro, petista sergipano com histórico em participação popular desde a gestão de Marcelo Déda em Aracaju, reconstruiu canais de diálogo pós-2022, mas enfrentou desgaste por mobilizações insuficientes.
Lula agradeceu publicamente a dedicação de Macêdo, mas optou por um perfil mais combativo para energizar a militância.
Para contextualizar o impacto atual, vale resgatar o histórico de Boulos nos movimentos sociais, que remonta a 2003, quando, aos 21 anos, liderou a ocupação de terras da Volkswagen em São Bernardo do Campo – berço político de Lula.
Essa ação inicial pelo MTST, fundado em 1997 para combater o déficit habitacional, marcou sua ascensão como “herdeiro” informal do petismo, apesar de embates iniciais com o primeiro governo Lula, como protestos em 2013 contra a Copa do Mundo.
Em 2014, coordenou a Ocupação Copa do Povo, ampliando visibilidade para pautas urbanas, e em 2017 foi preso por desobediência em reintegração de posse em São Mateus, São Paulo – episódio que ilustra sua radicalidade de rua, mas também sua resiliência.
Sua trajetória eleitoral reforça o porquê da escolha: candidato à Presidência em 2018 pelo PSOL, obteve 0,6% dos votos; em 2020, chegou ao segundo turno na Prefeitura de São Paulo contra Bruno Covas; e em 2024, com apoio de Lula e chapa com Marta Suplicy, perdeu para Ricardo Nunes, mas somou mais de 1 milhão de votos como deputado em 2022 – recorde em SP.
Esses capítulos, aliados a papéis recentes como coordenador do G20 Social no Rio de Janeiro em 2024 e articulador na COP 30 em Belém, posicionam Boulos como elo perfeito para “colocar o governo na rua”, como prometido.
Analistas veem na posse um aceno à esquerda para conter críticas internas e fortalecer o PSOL na Esplanada, ao lado de Sônia Guajajara nos Povos Indígenas.
Durante a cerimônia, Boulos pediu um minuto de silêncio por vítimas de operações policiais no Rio de Janeiro, confrontando a extrema-direita e reafirmando compromissos sociais.
Com foco em regras para trabalhadores de apps e mobilizações contra desigualdades, o novo ministro promete rodar o Brasil, transformando a Secretaria-Geral em motor de inclusão.
A dinâmica pode impulsionar o legado de Lula rumo a 2026 – um capítulo que os movimentos sociais, agora mais próximos, ajudarão a escrever.
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