| Belo Horizonte (MG)
29 de agosto de 2026
Ato Nacional Mulheres com Lula, em Belo Horizonte-MG https://t.co/4rKcNotUUw
— Lula (@LulaOficial) August 29, 2026
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu neste sábado (29/ago), em Belo Horizonte, que as eleitoras transformem a maioria demográfica em maioria política. No ato Mulheres com Lula, na Serraria Souza Pinto, ele perguntou por que a bancada legislativa continua masculina se as mulheres já são maioria na sociedade e no eleitorado.
O discurso juntou memória familiar, números do terceiro mandato e um chamado eleitoral direto. O eixo não foi só a lista de programas: foi a tese de que direito sem representação no Congresso permanece incompleto.
O palco foi desenhado para reforçar o recado. Lula observou que, além dele, só o candidato ao governo de Minas Gerais, Patrus Ananias, falou entre os homens. “Eu acho que eu nunca participei de um evento em que tivesse praticamente só mulheres”, disse.
Cumprimentou a primeira-dama Janja, ministras, a líder do governo no Senado Teresa Leitão, candidatas ao Senado e a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão.
Antes da pauta institucional, o presidente recorreu à mãe. Contou que Dona Lindu foi abandonada em 1945, encontrou o marido recasado em São Paulo em 1952 e criou oito filhos sozinha. “A minha mãe é a heroína da minha vida”, afirmou.
Relatou a viuvez precoce da primeira mulher, a perda de Marisa e o encontro com Janja. “Hoje eu vivo o meu melhor momento como ser humano na passagem pelo planeta Terra.”
A ponte afetiva virou verso. Lula evocou Roberto Carlos: “Se eu fosse o Roberto Carlos, eu cantava assim: ‘eu tenho tanto para vos falar, mas com palavras não sei dizer como eu amo vocês'”.
A parte programática ocupou o miolo da fala. O presidente disse ter assinado em 2026 o Pacto Nacional contra o Feminicídio, com os três Poderes. “Nós assumimos a responsabilidade de transformar o Brasil num país em que a gente vai deixar com o tempo o feminicídio como coisa do passado.”
Citou 11 leis, quatro decretos e três portarias após o pacto; medida protetiva que, segundo ele, passou de 16 dias para no máximo três; e o Ligue 180, de 9.600 telefonemas entre 2000 e 2022 para 439.500 no período que descreveu como 2023-2026.
Na saúde, listou dignidade menstrual para 3,4 milhões de pessoas desde 2023, 1,8 milhão de unidades do implante contraceptivo, 360 mil mulheres atendidas, 64 carretas da saúde da mulher, três hospitais inaugurados no Nordeste, 95 mil testes de HPV-DNA e mais de 8 milhões de mamografias desde 2023.
Levou Janja a uma carreta no Rio de Janeiro, disse, e descreveu o exame com resultado quase imediato.
Na renda e na moradia, o recorte de gênero foi o argumento. “O Bolsa Família: 84% das 19 milhões de pessoas que são beneficiadas são mulheres.”
No Minha Casa Minha Vida, “85% da chave é entregue na mão das mulheres”, para que a escritura não saia da família. “No governo passado nenhuma casa foi entregue dando a chave na mão das mulheres”, afirmou no palco.
Na Educação, disse que 59% dos inscritos no Enem são mulheres, 70% dos beneficiários do ProUni também, e o mesmo percentual no Fies.
Citou o Pronera com 55% de matrículas femininas, o Pronaf com 41% das operações feitas por mulheres, o PAA com 60% de agricultoras beneficiadas e o programa Mais Alimentos com 90 mil mulheres no crédito.
A participação feminina em cargos de gestão, segundo ele, saiu de 29% no governo anterior para 38%. “É pouco. Nós precisamos chegar a 50% ou mais.”
A frase que a campanha quer circular veio depois. “Se todas as mulheres votassem em mulheres, a gente teria o Congresso uma maioria de mulheres. Se vocês votarem em senadoras mulheres, a gente vai ter maioria de senadoras. Por que vocês têm que ser representadas por homem?”
O TSE registra 52,84% de eleitorado feminino.
Lula ligou o argumento à democracia. “Democracia não é o povo de cabeça baixa calado. Democracia é o povo de cabeça erguida e gritando o que ele deseja.”
Anunciou que “vamos aprovar essa semana o fim da escala 6 por 1”, para que mulheres e homens tenham “mais tempo para cuidar da sua vida própria”, das crianças, “para passear” e “para namorar também”.
O Presidente pediu divisão do trabalho doméstico sem “jogar o companheiro contra nós”. “Quando uma criança faz xixi na cama não chama o pai, chama a mãe.”
Defendeu remunerar o cuidado em casa, como se paga cuidadora no hospital. “Normalmente é a mulher que é cuidadora.”
No quarto mandato, disse, a “primeira revolução” será a escola em tempo integral, da creche ao ensino médio, com arte, cultura e a lição de que “homem não é mais forte que mulher”.
Fechou com soberania e formação. “Enquanto o Lula for presidente nenhum governo estrangeiro meterá o bedelho nesse país.”
Quis deixar o Brasil “considerado um país desenvolvido”, exportando “conhecimento e inteligência”, não só commodity. “Que Deus abençoe as mulheres e que vocês saibam que vocês podem decidir o destino desse país.”
O encontro reuniu cerca de cinco mil participantes, segundo a organização citada por veículos mineiros, com espaço infantil no próprio pavilhão.
Este foi o segundo ato do presidente em BH em oito dias, onde ele aposta no eleitorado feminino de Minas Gerais, segundo maior colégio do país.
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:
