Ausência estratégica do estadista em ano eleitoral impõe prioridades internas; decisão impacta posicionamento global do Brasil?
O presidente Lula ausentou-se do Fórum Econômico Mundial em Davos pelo quarto ano, priorizando agendas internas em ano eleitoral de 2026. O WEF, que reúne 3.000 líderes de 130 países para moldar agendas globais, tem presenças como Trump, Macron, Zelenskyy e ausências como Xi Jinping, Modi e o governo dinamarquês devido a tensões geopolíticas. O Brasil envia representação mínima, suscitando debates sobre isolamento.
Brasília (DF) · 21 de janeiro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por não comparecer ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, marcando o quarto ano consecutivo de ausência durante seu terceiro mandato, iniciado em 2023.
Essa decisão reflete uma estratégia calculada para priorizar compromissos domésticos em meio ao calendário eleitoral de 2026, quando ocorrerão as eleições presidenciais no Brasil.
De acordo com fontes próximas ao governo, a escolha se deve à necessidade de concentração em agendas internas, especialmente em um período pré-eleitoral.
Em entrevista concedida no final de 2025, Lula já havia sinalizado que limitaria viagens internacionais naquele ano para dedicar mais tempo a articulações políticas no país.
“Teremos poucas viagens internacionais em 2026, uma vez que dedicaremos mais tempo às agendas internas por conta da eleição presidencial“, afirmou o presidente.
Essa postura ecoa em análises de especialistas, que apontam para um foco na reeleição, com Lula evitando dispersões que poderiam diluir sua presença no cenário nacional.
O Brasil enviou uma representação mínima ao evento, realizado entre 19 e 23/jan. Inicialmente, a programação oficial incluía a ministra do Planejamento, Simone Tebet, mas ajustes de última hora confirmaram a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, como a única voz governamental em painéis sobre perspectivas econômicas da América Latina.
Essa delegação reduzida, sem a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad – que sinalizou saída do cargo em fevereiro para atuar na campanha –, sublinha uma presença discreta do país no fórum, diferentemente de edições anteriores.
Em 2023, Haddad representou o governo; em 2024, as ministras Marina Silva, Nísia Trindade e o ministro Alexandre Silveira marcaram presença; e em 2025, Silveira e o então presidente do STF, Luís Roberto Barroso, foram os enviados.
Analistas destacam que a ausência vai na contramão do protagonismo internacional buscado por Lula, que tem enfatizado a integração entre blocos e nações.
Aliados argumentam que a ida a Davos poderia ser benéfica para atrair investimentos, especialmente com a participação de figuras como o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Argentina, Javier Milei, cujos discursos sobre nacionalismo econômico contrastam com a visão multilateral de Lula.
A ausência ocorreu por uma opção de prestigiar o similar latino-americano, diz matéria na CNN Brasil. Além disso, o contexto eleitoral intensifica essa introspecção: com Haddad focado em articulações políticas internas, o governo evita compromissos que demandem alto engajamento externo, como negociações em Davos sobre crescimento global e investimentos.
Enquanto Davos fervilha com discussões sobre nacionalismo de recursos e agendas globais, Lula inicia 2026 com viagens ao Caribe e à Índia em fevereiro, visando atração de investimentos e reposicionamento estratégico. Essa seletividade reflete uma diplomacia pragmática.
Para contextualizar a ausência de Lula, é essencial compreender o que representa o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês). Fundado em 1971, o encontro anual em Davos reúne cerca de 3.000 participantes de mais de 130 países, incluindo líderes governamentais, executivos de empresas, representantes de organizações internacionais, sociedade civil e academia.
Seu propósito primordial é fomentar o diálogo para “melhorar o estado do mundo“, moldando agendas globais, regionais e setoriais por meio de debates sobre desafios prementes como economia, geopolítica, inovação tecnológica e sustentabilidade.
Sob o tema “Um Espírito de Diálogo” em 2026, o evento enfatiza a necessidade de conversas construtivas em tempos de incerteza, conforme destacado pelo presidente do WEF, Børge Brende: “O diálogo não é um luxo em tempos de incerteza; é uma necessidade urgente“.
O curso do encontro em 2026 destaca uma presença robusta de líderes internacionais, com quase 65 chefes de Estado e governo. Entre os destaques, o presidente dos EUA, Donald Trump, lidera a maior delegação americana já vista, acompanhado pelo secretário de Estado Marco Rubio, secretário do Tesouro Scott Bessent, secretário de Comércio Howard Lutnick e enviado especial Steve Witkoff.
Outros notáveis incluem o chanceler alemão Friedrich Merz, o presidente indonésio Prabowo Subianto, o presidente colombiano Gustavo Petro, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, o presidente francês Emmanuel Macron, o presidente argentino Javier Milei, o primeiro-ministro canadense Mark Carney, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o chefe da OTAN, Mark Rutte.
Do setor privado, figuram CEOs como Jamie Dimon (JPMorgan), Jensen Huang (NVIDIA) e Satya Nadella (Microsoft), participando de painéis sobre nacionalismo econômico, inteligência artificial e cooperação global.
Contudo, ausências notáveis marcam o evento, refletindo tensões geopolíticas. Além de Lula, o presidente chinês Xi Jinping não comparece, enviando o vice-premier He Lifeng; o primeiro-ministro indiano Narendra Modi também opta por representação ministerial; o governo dinamarquês boicota integralmente devido a disputas com os EUA sobre a Groenlândia; o ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araghchi teve sua participação cancelada sob alegações de pressão de Israel e EUA, como ele próprio denunciou: “O Fórum Econômico Mundial cancelou minha aparição em Davos com base em mentiras e pressão política de Israel e seus baseados nos Estados Unidos“; e o presidente moçambicano Daniel Chapo cancelou devido a inundações no país.
Já líderes como o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni aparecem em listas oficiais como ausentes, embora relatos indiquem possível presença. Essas lacunas acentuam debates sobre fragmentação global, com painéis focando em guerras na Ucrânia e Oriente Médio, riscos de invasão chinesa em Taiwan e impactos de tarifas comerciais.
Durante o terceiro dia do fórum, relatos da Reuters indicam que líderes europeus buscam frente unida perante iniciativas de Trump, como a ambição sobre a Groenlândia.

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