O domínio do ex-presidente nessa área é fruto também do reconhecimento de que “não dá para fazer política, enfrentar o debate público hoje, sem dar um salto na presença nas redes sociais”
O ex-presidente Lula, além de se confirmar como líder nas pesquisas de intenção de voto para 2022, também superou o presidente Jair Bolsonaro em popularidade digital, conforme aponta um ranking de pré-candidatos, elaborado diariamente pela Quaest Consultoria.
O atual chefe do Executivo, que dominou as redes sociais até bem pouco tempo, trocou de posição com o ex-presidente no mesmo período em que a CPI da Pandemia recebeu os depoimentos de Fabio Wajngarten, Ernesto Araújo e Eduardo Pazuello.
As falas do ex-secretário de Comunicação, do ex-chanceler e do ex-ministro da Saúde, no inquérito instaurado no Senado Federal, determinado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso, são o principal motivo do desgaste da imagem do governo.
O IDP (Índice de Popularidade Digital) da Quaest coleta dados em redes sociais e buscadores, como Twitter, Instagram e Google Search, levando em consideração indicadores, como número de seguidores, capacidade de promover engajamento e quantidade de reações positivas, das mensagens postadas nestas plataformas. Depois, o IDP confere pontuações de 0 a 100 para cada presidenciável.
Antes do depoimento de Wajngarten, Bolsonaro liderava com 83,38 pontos e Lula vinha em segundo, com 57,35 pontos. Desde então, a popularidade digital do presidente começou a cair, enquanto a de Lula passou a crescer. Depois, foi a vez de Ernesto Araújo contribuir para a queda, o que conferiu a Lula abocanhar mais de 13 (número sugestivo) pontos alcançando 73,52 e superando Bolsonaro, que caiu para 72,89 pontos. Na vez que Pazuello, Lula manteve a liderança. As informações são da Veja neste domingo (22).
Conforme publicou a Veja, o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, afirmou que “Lula continua sendo o candidato de oposição com melhor desempenho digital entre os concorrentes porque seu legado econômico foi forte, variável definitiva nas eleições presidenciais”.
A reportagem diz que desde o início do ano, foi apenas a segunda vez que Lula desbancou Bolsonaro. tendo sido a primeira durante um período de cerca de dez dias, em março, quando o país registrou recordes sucessivos de mortes por Covid-19, no qual o pagamento do auxílio emergencial ainda não havia sido retomado.
A revista também lembra que em 2018, Bolsonaro conseguiu se eleger sem tempo de televisão e recursos públicos garimpando votos nas redes sociais e, desde então, continuou a reinar sozinho. Foi somente no ano passado que as células de oposição começaram a surgir com mais força a partir de movimentos organizados por influenciadores digitais que passaram a criticar o governo em temas como a pandemia e o desmatamento da Amazônia.
Segundo a Veja, Lula não quer que o PT repita o erro de 2018 e, para isso, reforçou sua presença nas redes sociais de olho em 2022, tendo convocado Franklin de Sousa Martins – jornalista político brasileiro que foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do Brasil durante o segundo mandato presidencial do petista até dezembro de 2010 – para coordenar o trabalho nessa área.
O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) teria afirmado que “caiu a ficha no PT de que não dá para fazer política, enfrentar o debate público hoje, sem dar um salto na presença nas redes sociais”.

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