Presidente planeja reeditar chapa com Geraldo Alckmin e busca apoio de setores específicos, sem coalizão formal com PP, Republicanos e PSD
Brasília, 24 de julho de 2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está cada vez mais próximo de confirmar o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como seu companheiro de chapa para a eleição presidencial de 2026.
A decisão, revelada pela colunista Vera Rosa, do jornal O Estado de S. Paulo, sinaliza a intenção de Lula de manter a aliança vitoriosa de 2022, mas com uma estratégia diferente para o próximo pleito: o petista não planeja formar uma coalizão formal com partidos do centrão, como PP, Republicanos e PSD.
Em vez disso, ele aposta em atrair setores específicos de algumas siglas para fortalecer sua base sem comprometer a essência da chapa progressista.
A Reedição da Chapa Lula-Alckmin
A escolha de Alckmin como vice não é surpresa para quem acompanha a política brasileira. Em 2022, a união entre Lula, histórico líder do PT, e Alckmin, ex-tucano e figura de centro, foi considerada improvável, mas acabou sendo um dos pilares da vitória contra Jair Bolsonaro (PL).
A chapa representou uma frente ampla que uniu esquerda e centro para derrotar o então presidente.
Agora, o PSB, liderado pelo prefeito do Recife, João Campos, reforça a defesa da manutenção de Alckmin na vice-presidência, destacando sua lealdade e papel estratégico na articulação com setores fora do espectro petista.
“O Alckmin em si já é um ativo. Ele foi fundamental para a vitória de 2022”, afirmou Campos em evento recente, conforme reportado pelo O Globo.
A decisão de Lula em manter Alckmin também reflete a confiança no vice-presidente, que acumula o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Segundo auxiliares do Planalto, Alckmin é visto como um político discreto, aplicado e capaz de dialogar com diferentes setores, incluindo o agronegócio empresarial, o que o torna um trunfo para a reeleição.
Desafios com o Centrão
Embora Lula descarte uma aliança formal com o centrão, a estratégia não significa um rompimento total com esses partidos. O presidente avalia atrair “setores isolados” de siglas como MDB, PSD e Podemos, que já integram a base aliada, mas sem ceder espaços estratégicos, como a vice-presidência. Essa escolha é um reflexo da complexidade do cenário político atual.
Após as eleições municipais de 2024, MDB e PSD se fortaleceram, elegendo o maior número de prefeitos, o que aumentou o apetite dessas legendas por maior influência na chapa presidencial. No entanto, a resistência do PSB em abrir mão da vice-presidência tem gerado tensões.
O partido argumenta que Alckmin foi essencial para a vitória de 2022 e que sua saída poderia enfraquecer a frente ampla que garantiu a eleição de Lula. “Não estamos pedindo nada de novo, apenas a continuidade”, disse João Campos, reforçando a posição do PSB.
Além disso, o centrão, composto por partidos como PP, Republicanos e União Brasil, já sinaliza que pode apoiar candidaturas próprias ou de centro-direita em 2026, especialmente com a força do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cotado como possível adversário de Lula.
Estratégia para 2026: Foco em São Paulo e no Centro
A manutenção de Alckmin na chapa também tem implicações regionais, especialmente em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Uma ala do PT chegou a sugerir que Alckmin disputasse o governo paulista ou o Senado em 2026, enfrentando Tarcísio de Freitas e fortalecendo o palanque de Lula no estado.
No entanto, o PSB rejeitou a ideia, preferindo lançar o ex-governador Márcio França como candidato ao Palácio dos Bandeirantes. Essa estratégia visa consolidar a influência do PSB em São Paulo, onde Alckmin tem histórico político forte, tendo sido governador por quatro mandatos.
Além disso, Lula busca atrair eleitores de centro e da esquerda não-petista, um movimento reforçado por sua recente popularidade em pesquisas. Segundo a Quaest, o presidente é o favorito para 2026, com crescimento entre esses eleitores, em grande parte devido à articulação de Alckmin com setores moderados.
Cenário Político e Perspectivas
A decisão de Lula de manter Alckmin como vice e evitar uma coalizão formal com o centrão indica uma aposta na consolidação de uma base progressista, com alianças pontuais para ampliar o alcance da chapa. No entanto, o caminho até 2026 não será simples.
A força de Tarcísio de Freitas em São Paulo e a possibilidade de candidaturas de centro-direita, apoiadas por partidos como Republicanos e PSD, representam desafios. Além disso, a baixa popularidade do governo Lula, apontada por algumas pesquisas, exige que o presidente equilibre a manutenção de aliados leais, como o PSB, com a necessidade de atrair novos apoios.
Por enquanto, a chapa Lula-Alckmin segue como o principal projeto do PT e do PSB para 2026, com foco em reeditar a aliança que derrotou Bolsonaro. A habilidade de Lula em costurar acordos com setores do centro, sem ceder espaços cruciais, será determinante para o sucesso da estratégia.








