Ex-presidente, “até agora, não disse nada a não ser se vitimizar, como é o hábito dele ofender os outros, xingar os outros, chorar e dizer que os outros são culpados“, diz Lula, na coletiva viral de Hanói – ASSISTA E SAIBA MAIS
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HANÓI, 29 de março de 2025
Durante entrevista coletiva na capital do Vietnã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi questionado sobre a possibilidade de ter abordado o projeto de anistia com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, que o acompanharam em sua viagem ao Japão e ao Vietnã.
A pergunta surge em meio a especulações no Brasil sobre o projeto de anistia que bolsonaristas tentam emplacar na Câmara. Lula, no entanto, negou qualquer conversa sobre o assunto durante o deslocamento e sinalizou que o foco, ao retornar ao país, será em pautas de interesse direto da população.
“Você acha que eu iria convidar o presidente da Câmara e o presidente do Senado para discutir, a 11 mil metros de altitude, problemas que posso resolver em terra, na minha casa, na casa deles, ou na Presidência da República? Não. Eu fiz questão de não discutir com eles nenhum assunto do Brasil durante a viagem“, respondeu Lula.
“A gente vai regressar hoje, chegaremos domingo em casa, e aí, a partir de segunda, terça, quarta, quinta, sexta-feira, vamos sentar e fazer todas as discussões que precisamos fazer. Eu tenho certeza de que a anistia não é um tema principal para ninguém, a não ser para quem está se culpabilizando“, disse, referindo-se a Bolsonaro.
O debate sobre anistia no Brasil em 2025 refere-se a propostas que poderiam beneficiar investigados ou condenados por atos relacionados ao 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília.
O estadista acrescentou que “é impressionante” e que não sabe “o que os advogados do cidadão que está pedindo anistia dizem a ele. Não explicam que, primeiro, é preciso absolver o cidadão? Se ele for absolvido, não há necessidade de anistia. Mas eles já o tratam como se ele fosse culpado. Não estão nem querendo defendê-lo. Porque, no subconsciente dele, ele sabe que fez todas as coisas de que está sendo acusado. Ele deveria estar se defendendo, brigando, dizendo que é inocente, apresentando provas de sua inocência. Até agora, não disse nada, a não ser se vitimizar – como é hábito dele ofender os outros, xingar os outros, chorar e dizer que os outros é que são culpados. Só ele sabe o que fez. Então, ele que coloque a cabeça no travesseiro e reflita sobre o que está acontecendo“, afirmou.
“Sinceramente, eu não conversei com o Hugo [Motta, presidente da Câmara] nem com o Alcolumbre [Davi Alcolumbre, presidente do Senado], mas acho que a anistia não é o tema principal neste momento. O que importa agora são as muitas coisas importantes no Congresso Nacional, de interesse do povo brasileiro, para melhorar a vida do povo brasileiro. É isso que, quando eu voltar ao Brasil, pretendo discutir com o Alcolumbre e com o Hugo Motta“, disse o Presidente.
Lula acompanha a estratégia do governo de evitar que o debate sobre anistia ganhe tração, enquanto busca avançar em agendas como combate à pobreza e fortalecimento da economia.
A presença de Hugo Motta e Davi Alcolumbre na viagem internacional, que incluiu compromissos no Japão e no Vietnã, foi planejada para reforçar laços diplomáticos, mas a ausência de discussões políticas durante o trajeto sinaliza um adiamento tático de temas espinhosos.
No Brasil, a oposição pode insistir na pauta da anistia, mas a posição de Lula indica que o Planalto priorizará projetos alinhados aos interesses populares nos próximos dias.










