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Lula acusado de racismo após reação contra racismo; Estadão dá os nomes dos desinformadores da direita (vídeo)

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    O Presidente
    O Presidente Lula, em Sorocaba (SP), comenta uma propaganda do governo mostrando um homem sem os dentes |21.8.2025| Sobreposição e imagens reprodução


    Estadista mandou retirar foto de homem negro sem dente de campanha: “Imagine o mundo olhando isso!” – ENTENDA



    Brasília, 26 de agosto de 2025

    Em um evento no dia 21 de agosto, na cidade de Sorocaba, São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma onda de controvérsias ao comentar uma propaganda do governo federal que, segundo ele, reforçava estereótipos raciais.

    Durante a cerimônia de entrega de 400 unidades odontológicas móveis do programa Brasil Sorridente, Lula relatou ter ordenado a retirada de uma fotografia de uma revista preparada por um ex-ministro do Desenvolvimento Agrário para um evento na Alemanha.

    A imagem mostrava um “senhor negro, alto, sorrindo sem nenhum dente na boca” ao lado de uma “senhora bonitona, com bochechas bem vermelhas, provavelmente filha de italiana ou alemã”.

    O presidente questionou: “Você acha isso bonito? Isso é fotografia para representar o Brasil no exterior?”, destacando que a escolha reforçava preconceitos e ordenando que a página fosse “jogada fora”.

    A declaração gerou interpretações opostas. Para apoiadores, Lula criticava o uso de estereótipos que perpetuam desigualdades, apontando a falta de políticas públicas, como o acesso à saúde bucal, que impactam desproporcionalmente a população negra.

    A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, defendeu o presidente, afirmando que a imagem reforçava “uma visão que tentamos banir”, perpetuando hierarquias de opressão.

    A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência emitiu nota reforçando que a intenção de Lula era denunciar estigmas históricos e promover iniciativas como o Brasil Sorridente, que planeja beneficiar 1,4 milhão de pessoas com unidades odontológicas móveis, especialmente nas regiões Nordeste e Norte.

    Por outro lado, a oposição viu racismo na fala do presidente. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) classificou a declaração como “absurdamente racista” em postagens nas redes sociais, sugerindo que, se dita por Jair Bolsonaro, teria gerado maior repercussão judicial.

    O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) foi além, protocolando uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR), alegando que a frase “um cara sem dente e ainda negro” era discriminatória.

    A polêmica foi amplificada por vídeos editados que omitiam o contexto da crítica, circulando amplamente nas redes sociais, especialmente no X, onde a hashtag “Lula racista” esteve entre os assuntos mais comentados no fim de semana de 23 e 24 de agosto.

    Laila Thaíse Batista de Oliveira, doutoranda em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e em Estudos Étnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), analisou a fala para o Estadão Verifica.

    Ela criticou a disseminação de trechos descontextualizados, argumentando que a declaração, embora espontânea, era uma crítica à construção de imagens que reforçam estigmas contra pessoas negras.

    “Essa representação desumaniza a população negra; não é que situações como a desse senhor não existam, mas reforçá-las numa peça de comunicação é cruel”, afirmou.

    A ausência de cobertura por grandes veículos de imprensa intensificou a polarização. A prática de editar discursos para distorcer intenções não é nova, conforme reportagens do Estadão Verifica em 2022 e 2023 já apontaram, destacando o uso de desinformação em debates políticos.

    A controvérsia reflete a sensibilidade do tema racial no Brasil, onde o racismo estrutural permanece um desafio, como apontado por relatórios da Human Rights Watch, que destacam avanços do governo Lula em políticas para a Amazônia e direitos das mulheres, mas falhas no combate à violência policial, que afeta desproporcionalmente negros.

    Além disso, iniciativas como a sanção da lei que equipara injúria racial a racismo, assinada por Lula em janeiro de 2023 mostram esforços para enfrentar o racismo, mas também geram atritos com setores conservadores.

    A polêmica também ocorre em um momento de tensão política, com Lula ignorando, durante o evento em Sorocaba, o indiciamento da Polícia Federal contra Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro por obstrução de justiça.

    Esse pano de fundo reforça a narrativa de polarização, com a oposição usando a fala de Lula para desviar o foco de suas próprias controvérsias.

    O caso expõe como narrativas podem ser manipuladas para fins políticos, especialmente em um país onde mais de 80% das vítimas de homicídios policiais em 2022 eram negras, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

    A disseminação de vídeos editados, como apontado pelo Estadão Verifica, evidencia a facilidade com que desinformação pode inflamar debates raciais.

    Enquanto defensores de Lula destacam o programa Brasil Sorridente como uma resposta prática à exclusão, críticos argumentam que a escolha de palavras do presidente foi infeliz, reforçando estereótipos.



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    1 comentário em “Lula acusado de racismo após reação contra racismo; Estadão dá os nomes dos desinformadores da direita (vídeo)”

    1. Como sempre a direita quer firmar o seu racismo estrutural, com a sua hipocrisia contumaz, presidente tem toda a razao, Brasil desdentado faz parte do passado. Brasil sorridente é para dar oportunidades para pessoas como aquele senhor tenham acesso.

    Os comentários estão fechados.

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