📷 O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a Primeira-Dama do Brasil, a socióloga Rosângela Lula Silva (PT), durante convenção do Partido dos Trabalhadores que lançou o estadista à reeleição para o Planalto |•| 2.8.2026 |•| Imagem reprodução Lula/YouTube |•| URBS MAGNA
| Brasília (DF)
03 de agosto de 2026
OO Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi oficialmente lançado candidato à reeleição em uma convenção partidária marcada por memória histórica, ataques à extrema direita e pela apresentação de cinco compromissos para um eventual quarto mandato: educação, valorização dos idosos, defesa nacional, soberania sobre terras raras e transição energética.
As mulheres abrem o evento
Antes de falar, Lula chamou a Primeira-Dama do Brasil e socióloga, Rosângela Lula Silva (PT), para se dirigir à plateia em nome do pacto contra o feminicídio.
Ela lembrou a rotina de trabalho, cuidado doméstico e deslocamento enfrentada pelas mulheres brasileiras e destacou que Lula é, segundo ela, o único líder mundial com a coragem de discutir violência contra a mulher em fóruns como o G7 e o G20.
O tema voltou com força mais adiante, quando o presidente detalhou medidas recentes do governo: sanção da lei que garante o Pix para mães que não recebem pensão alimentícia de pais devedores, ampliação do monitoramento por tornozeleira eletrônica para agressores e o avanço de leis e decretos ligados ao pacto contra o feminicídio — que, segundo ele, já superam, em três anos e meio, o que foi produzido em um século de legislação brasileira sobre o tema.
Em tom direto, afirmou que o eleitor que agride mulheres “não precisa votar” nele.
Uma sétima disputa e as alianças da base aliada
Recorrendo a uma analogia futebolística com Copas do Mundo, Lula comparou sua trajetória eleitoral — candidato em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2022 — à de jogadores como Messi e Cristiano Ronaldo, chamando 2026 de sua “sétima Copa”.
Na sequência, agradeceu individualmente a legendas da base aliada: PSOL, PSB (representado por João Campos e por Renata, viúva de Eduardo Campos), PDT (na figura de Carlos Lupi), PV, PCdoB e a Rede Sustentabilidade, que leva Marina Silva como candidata ao Senado por São Paulo.
Memória partidária: a fundação do PT e as brigas de bastidor
Em um dos trechos mais longos do discurso, Lula revisitou a criação do PT, em 1979, em meio à luta pela redemocratização, e relembrou resistências que enfrentou tanto de setores do então PMDB quanto de partidos de esquerda já existentes, incluindo atritos históricos com o PCdoB.
Citou nomes que ajudaram a construir o partido, como Paulo Freire, Frei Betto e o já falecido dirigente comunista João Amazonas, e recordou a relação de proximidade com a família de Miguel Arraes, fundador histórico do PSB.
O legado como argumento de campanha
Um dos eixos centrais do discurso foi a ideia de que o governo não precisa prometer o que ainda não fez. Lula elogiou nominalmente Fernando Haddad, à frente da pasta da Fazenda, e Geraldo Alckmin, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, atribuindo a este último uma gestão inédita na história do país.
Destacou também o volume de investimento federal em municípios via PAC, afirmando que quase a totalidade das prefeituras brasileiras recebeu obra ou equipamento do programa entre 2023 e 2026.
Convocação para Vila Euclides
O presidente anunciou que apresentará o programa de governo no dia 16, a partir das 10h, no estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo — local simbólico, onde nasceu o movimento sindical que deu origem ao PT, em 1979.
Ele pediu lotação total do estádio e tratou o evento como um resgate histórico da trajetória do partido.
A crítica ao financiamento político
Em um momento de autocrítica pouco comum em discursos de convenção, Lula questionou o modelo atual de financiamento partidário, com fundo público bilionário, dizendo sentir falta da época em que a militância vendia camisetas para bancar comícios.
Também criticou o avanço do Congresso sobre prerrogativas do Poder Executivo — como emendas parlamentares e a criação de universidades por parlamentares —, prometendo embate institucional no próximo mandato para reequilibrar essas atribuições.
Os cinco compromissos
O núcleo do discurso foi a apresentação dos cinco eixos prioritários:
Educação — aprofundamento de políticas como o programa Pé-de-Meia, citado como já tendo alcançado 7,2 milhões de jovens em todo o país.
Valorização dos idosos — criação de programas voltados ao envelhecimento ativo, com espaços de convivência, lazer e cuidado, para além da assistência básica.
Defesa nacional — aumento de investimento nas Forças Armadas e na indústria de defesa, incluindo produção nacional de drones para monitoramento de fronteira, citando os 16.800 km de fronteira terrestre e 8.000 km de fronteira marítima do país.
Terras raras e minerais críticos — controle nacional sobre a exploração desses recursos, com investimento em ciência e tecnologia para agregar valor internamente, em vez de exportar matéria-prima bruta.
Transição energética — ampliação de investimentos em tecnologia limpa, citando o exemplo internacional da União Europeia.
O teste do diesel brasileiro
Em um dos momentos mais pessoais do discurso, Lula relatou um episódio com a montadora alemã Mercedes-Benz, na preparação para a COP: um teste comparativo de 100 km entre o óleo diesel alemão e o brasileiro teria mostrado que o combustível nacional emite 67% menos gases de efeito estufa.
Ele usou o episódio para criticar o que chamou de “complexo de vira-lata” de parte da elite brasileira, que tenderia a supervalorizar produtos e tecnologias importados.
Inclusão social: Getúlio Vargas e o próprio governo
Na parte final do discurso, Lula propôs uma leitura histórica: segundo ele, apenas dois períodos da história republicana brasileira promoveram política de inclusão social em larga escala — o governo de Getúlio Vargas, com a criação do salário mínimo (1936) e da CLT (1943), e os governos do PT, sob ele mesmo e Dilma Rousseff.
Também destacou o avanço na demarcação de terras quilombolas, citando que 49% de todos os territórios reconhecidos no país foram legalizados nos últimos três anos e meio de governo.
O discurso funcionou simultaneamente como balanço de gestão e como plataforma eleitoral: ao evitar promessas genéricas e insistir na frase “quem fez pode prometer mais”, Lula tenta transformar quatro anos de execução orçamentária — do Pé-de-Meia às políticas de proteção à mulher — no principal argumento contra a narrativa de desgaste que candidaturas de reeleição costumam enfrentar.
O presidente dedicou tempo a temas historicamente associados à direita, como defesa nacional e soberania mineral, num sinal de que a campanha de 2026 buscará disputar pautas que a esquerda brasileira, por vezes, deixou de lado.
A convenção também tratou de temas que ainda serão detalhados no lançamento do programa de governo em Vila Euclides.
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