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Los Echos: ‘O brasileiro Lula é esperado como estrela na COP 27 – Brasil retrocedeu sob Bolsonaro

    O jornal francês critica o presidente derrotado e coloca Lula sob foco de expectativas por compromissos no combate ao desmatamento

    “O líder brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (que não tomará posse até 1º de janeiro de 2023), foi convidado a participar da [COP 27] 27ª conferência do clima em Sharm el-Sheikh [no Egito]. Ele estará presente na segunda-feira [15/11], acompanhado de Marina Silva, que foi ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008″.

    “O Brasil desperta novas esperanças, após um período isolado diplomaticamente durante o mandato do presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, que é cético quanto às questões climáticas” , escreve a jornalista Virginie Jacoberger-Lavoue, do jornal francês Les Echos – o primeiro jornal diário a ser editado em Paris.

    Lavoue reproduz uma afirmação do sociólogo mineiro Sergio Abranches, marido da jornalista Míriam Leitão: “Com Lula, o Brasil pode reivindicar seu lugar na luta contra o aquecimento global e na proteção do meio ambiente“. Sobre a fala do brasileiro, a jornalista diz que, para o meio ambiente, o mandato de Jair Bolsonaro foi “crepuscular” – algo como “pouco transparente“. 

    “A cada ano, o desmatamento dispara, cerca de 75%, acumulando tristes recordes; mais de 38.000 km² foram apagados do mapa“, escreve Lavoue, que também transcreve fala de Matias Spektor – professor de relações internacionais da FGV (Fundação Getulio Vargas): “Lula prometeu que o Brasil retomará sua liderança na luta pelo clima, mas enfrentará enormes desafios“.

    Lavoue informa aos franceses que “medidas concretas devem ser anunciadas na COP27, em especial sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa que subiram 12% no ano passado, um recorde desde 2005“.

    A jornalista prossegue com a transcrição da fala do sociólogo mineiro: “Lula também deseja apoiar os defensores da floresta amazônica e se comprometer com a necessária proteção da floresta as terras dos povos indígenas“.

    “Marina Silva indicou que a redução do metano emitido pela agricultura e pelo setor de energia também pode ser uma pista“, diz Lavoue em sua matéria, em francês. “O Brasil também poderá destacar o desenvolvimento das energias renováveis“, prossegue. “Lula já pensa em organizar uma cúpula “verde” em 2023 com foco na Amazônia“.

    Na sequência, Lavoue critica o candidato derrotado, o ainda presidente Bolsonaro. Segundo ela, o futuro ex-presidente “deu muito poder ao agronegócio (terras exploradas, agrotóxicos etc.) e reduziu ou até eliminou orçamentos dedicados à gestão ambiental. Na Amazônia, mais terras foram tomadas pelos agricultores, impunemente; a exploração mineral ilegal floresceu“. 

    Após a vitória em 30 de outubro, “em seu primeiro discurso, Lula assegurou que visava o “desmatamento zero”, mas a promessa será difícil de cumprir. Sua eleição, no entanto, já é um ponto de virada. No dia seguinte à sua vitória, a Noruega, um dos principais doadores da floresta amazônica, restabeleceu sua ajuda (cerca de 487 milhões de euros)“, escreve a jornalista francesa, que em seguida explica as gestões anteriores do presidente eleito.

    “Durante seus dois mandatos anteriores, em um contexto econômico favorável, Lula havia reduzido o desmatamento em cerca de dois terços. A esquerda no poder, porém, não deixou apenas boas lembranças. Em 2012, durante a Cúpula Rio + 20, o Brasil parecia ser um mau aluno, em declínio acentuado em termos de proteção ambiental. O governo de Dilma Rousseff, que sucedeu Lula, havia permitido uma flexibilização do código florestal, pois queria promover “grandes obras de infraestrutura”.

    “Em termos de ecologia e pobreza, o Brasil retrocedeu radicalmente sob o mandato de Bolsonaro. A ecologia é a prioridade que o mundo espera; mas tirar o Brasil da insegurança alimentar (33 milhões de pessoas) não pode ficar em segundo plano. Através da Amazônia, Lula quer atrair capital estrangeiro. Defender uma “economia sustentável” em um país tão frágil, no entanto, não será uma equação fácil“.

    文

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