Lista de casos em que Bolsonaro impôs sigilo de 100 anos inclui visitas a Michelle, diz Jornal

São ao menos 65 casos desde 2019, que vão desde telegramas sobre a prisão do ex-jogador Ronaldinho Gaúcho até processos disciplinares do Exército

O jornal O Estado de S. Paulo realizou uma apuração dos casos em que o presidente Jair Bolsonaro (PL) impôs sigilo de 100 anos e a lista inclui até os nomes de quem visitou a primeira-dama Michelle Bolsonaro no Palácio da Alvorada. “Também há telegramas do Itamaraty sobre a prisão do ex-jogador Ronaldinho Gaúcho no Paraguai e de médico bolsonarista no Egito, a carteira de vacinação do presidenteÉ tudo sigiloso“, diz o texto da coluna de Francisco Leali.

A mídia afirma que “entre 2019 e 2022 (…), algumas informações “deveriam ser públicas em ao menos 65 casos“. Um dos temas que estão no levantamento são os “pedidos ao Exército sobre a apuração disciplinar do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello“. Especialistas dizem que o governo está mais preocupado em “esconder do que abrir os arquivos“.

A matéria argumenta sobre a campanha de LULA, que tem dito que vai “acabar com o sigilo dele no primeiro mês“. No Rio de Janeiro, o ex-presidente afirmou que “quem não deve não teme”. Já Bolsonaro é retratado pela publicação como “irônico”, ao ser lembrado em uma de suas respostas a indagações sobre o tema: “em 100 anos saberá”. Em outra resposta, o presidente disse que “não deve satisfação a ninguém”.

O jornal diz ainda que “em junho de 2021, um cidadão quis saber quem estava organizando encontros religiosos com Michelle na Granja do Torto e os nomes dos convidados. O pedido foi negado pelo mesmo motivo. O cidadão recorreu. Quando o caso foi parar na Controladoria-Geral da União (CGU), o Planalto alegou que não tinha conhecimento de eventos públicos na Granja, só privados. Já a lista de quem entrou e saiu passou a ser classificada como reservada. Nesse caso, o sigilo caiu de 100 para cinco anos“.

A lista também contém, diz o Estadão, o “acesso às mensagens diplomáticas sobre os ex-jogadores Ronaldinho Gaúcho e Assis, presos no Paraguai em 2020 por uso de passaporte falso, e também sobre o caso do médico bolsonarista Victor Sorrentino, detido no Egito sob acusação de assediar uma vendedora. Nos dois casos, o Itamaraty negou o acesso“.

O maior número de documentos sob sigilo está no Exército”, prossegue a matéria. “Pelo menos 21 pedidos foram negados com argumento de que são informações pessoais. Foram barrados pedidos como o que indagava quais ministros têm porte de arma ou o que pediu cópia da ficha funcional de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro acusado de operar esquema de rachadinha”.

A Presidência impôs o segredo à carteira de vacinação de Bolsonaro, ao teste de covid-19 feito pelo ex-assessor e coronel Élcio Franco e até aos motivos que levaram o governo a barrar a nomeação da médica Luana Araújo para combater a pandemia”, diz a matéria.

Entre 2019 e 2021, 26,5% dos pedidos de informação negados pelo governo federal tiveram como justificativa a necessidade de sigilo da informação. A taxa é duas vezes maior do que a da gestão de Dilma Rousseff (PT) e quatro pontos porcentuais maior do que a do governo Michel Temer (MDB)“, pontua a publicação.

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