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    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    01 de setembro de 2026

    Lindbergh Farias cobrou nesta terça-feira (01/set) que o ministro André Mendonça, do STF, retire o sigilo da investigação sobre os elos de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse. A exigência veio no mesmo dia em que o relator do caso Banco Master tornou público o relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas ao ex-banqueiro e ao ministro Alexandre de Moraes.

    A cobrança altera o eixo do noticiário. Enquanto a divulgação das conversas com Moraes ocupa os principais veículos, o deputado do PT tenta devolver ao centro do debate o inquérito que ainda tramita sob sigilo nível 3 e envolve o candidato do PL à Presidência.

    O que Lindbergh pediu nesta terça?

    Em publicação na rede X, Lindbergh Farias afirmou que, em entrevista a Luiz Bacci, defendeu que André Mendonça “retire também o sigilo das investigações contra Flávio Bolsonaro e o filme Dark Horse”. A postagem do parlamentar está em sua conta oficial.

    Na mesma data, a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, informou que o deputado protocolou petição no STF para que a PGR examine o afastamento de Flávio Bolsonaro do mandato. O pedido inclui entrega de passaporte, proibição de deixar o país, restrição de contato com investigados e testemunhas e monitoramento eletrônico.

    A Folha descreveu a iniciativa como reação de aliados de Luiz Inácio Lula da Silva à ofensiva de Flávio pelo afastamento de Moraes, depois das revelações sobre o banqueiro. Segundo a coluna, petistas avaliam que a divulgação dos diálogos de Moraes busca reduzir o impacto das novas informações sobre o filme.

    Em outra publicação no X, reproduzida pelo Brasil 247, Lindbergh escreveu: “BOMBA ATÔMICA! A revista Piauí revelou novos pagamentos de Vorcaro ao ‘Dark Horse’, inclusive depois da abertura do inquérito da Polícia Federal sobre o Banco Master.” No mesmo texto, afirmou que Flávio disse que o último pagamento ocorrera em maio, que depois surgiram repasses em setembro e outubro, que primeiro negou conhecer Vorcaro e que, após o áudio do “irmãozão”, sustentou ter rompido a relação. “É MENTIRA ATRÁS DE MENTIRA!”, concluiu.

    O que Mendonça tornou público no caso Vorcaro e Moraes?

    O ministro André Mendonça retirou nesta terça-feira (01/set) o sigilo da apuração que reúne mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e enviadas a um contato identificado pela PF como Alexandre de Moraes. A CNN Brasil e o Valor registraram a decisão.

    Segundo o relatório tornado público, em 15 de novembro de 2025 Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?” Também pediu atuação junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. A prisão do banqueiro, na Operação Compliance Zero, ocorreu em 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar para Dubai.

    Veículos como a CNN e o Estadão também trataram de um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, e Vorcaro. O Estadão informou que metadados do arquivo enviado por WhatsApp apontam edição por usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório afirmou que o ministro foi consultado sobre impedimentos legais, concluiu que não havia óbice e que os serviços previstos foram prestados.

    No despacho, reproduzido pelo Estadão, Mendonça escreveu que o “caminho inevitável” dos autos leva ao plenário do STF, “de forma pública e transparente”. Encaminhou o material à PGR e pediu ao presidente Edson Fachin que marque sessão presencial.

    IMPORTANTE
    O levantamento do sigilo da PET 16.662 não equivale, por si só, à abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes nem à conclusão de crime. A decisão de André Mendonça tornou público o relatório da PF e remeteu o exame à PGR e, depois, ao colegiado. Do mesmo modo, o sigilo nível 3 no caso Dark Horse não prova nem afasta irregularidade: restringe o acesso aos autos enquanto a apuração segue.

    Por que o caso Dark Horse ainda está em sigilo?

    A notícia-crime sobre o filme foi apresentada por Lindbergh em 18 de maio, depois que o Intercept Brasil revelou áudios e mensagens em que Flávio Bolsonaro cobra de Vorcaro recursos para a cinebiografia de Jair Bolsonaro. O Valor e a Folha registraram, naquele mês, o pedido de inquérito, quebra de sigilos, busca e apreensão e prisão preventiva.

    Em 25 de junho, Edson Fachin redistribuiu o caso a André Mendonça por prevenção, por conexão com as apurações do Banco Master. A CNN Brasil e a Agência Brasil noticiaram a decisão. Lindbergh recorreu, alegando ausência de conexão concreta suficiente.

    O Metrópoles informou em 27 de junho que o processo foi cadastrado com sigilo nível 3, o mesmo padrão usado no caso Master. Em julho, Mendonça autorizou inquérito da PF após parecer favorável da PGR. Nesta terça, o ministro ainda retém agravo sigiloso contra a relatoria.

    O que a Piauí revelou sobre os pagamentos ao filme?

    A revista Piauí informou nesta terça-feira (01/set) que um relatório do Coaf aponta transferência de US$ 1,666 milhão, em 16 de setembro de 2025, ao Havengate Development Fund, fundo nos Estados Unidos que administrava recursos ligados a Dark Horse. O g1 e o Valor reproduziram o dado.

    Com o novo registro, o total conhecido enviado por Vorcaro passou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, mais de R$ 65 milhões na cotação da época. Há menção a possível parcela em outubro, ainda sem a mesma confirmação documental. Flávio havia dito que o último pagamento ocorrera em maio de 2025. Questionado no Senado, segundo o Valor, afirmou não haver “nenhum fato novo” e remeteu perguntas à produtora.

    Flávio Bolsonaro admite ter pedido patrocínio privado e nega irregularidade, dinheiro público e troca de favores. A versão de “patrocínio privado” é a linha pública do senador desde 13 de maio. Investigadores ouvidos pelo blog de Andreia Sadi, no g1, rechaçam tratar o episódio apenas como patrocínio e apuram origem, trânsito e destino dos recursos.

    Quais são as consequências políticas e institucionais?

    O contraste de tratamento entre os dois eixos — publicidade no material que cita Moraes e manutenção de sigilo no inquérito que cita Flávio — virou argumento de campanha. Lindbergh usa a simetria como exigência de transparência. Flávio usa as mensagens de Vorcaro com Moraes para pedir o afastamento do ministro que relata os processos da tentativa de golpe.

    A análise aponta que o ponto institucional não é escolher um alvo e silenciar o outro. O STF concentra, no mesmo relator, o caso Master, o inquérito de Dark Horse e agora o material sobre interlocução entre o banqueiro e um ministro da própria Corte. A legitimidade dessas apurações depende de critério público: o que justifica abrir um conjunto de autos e manter fechado o outro.

    No plano eleitoral, o filme previsto para setembro de 2026 atravessa a disputa presidencial. No plano institucional, a PF estima fraudes do Master em torno de R$ 12 bilhões. A pergunta que permanece é se os recursos que saíram do entorno de Vorcaro financiaram só uma produção audiovisual ou também a estrutura política da família Bolsonaro, inclusive no exterior.

    O que acontece agora?

    A PGR tem prazo para se manifestar sobre o relatório que cita Moraes. Fachin definirá se e quando o plenário julgará o tema. No caso Dark Horse, caberá a Mendonça decidir se aplica ao inquérito do filme a mesma publicidade que acaba de impor ao material sobre o colega de Corte. A petição de afastamento de Flávio também aguarda exame.

    FAQ Rápido

    Lindbergh protocolou hoje um pedido formal para retirar o sigilo de Dark Horse?
    O que está documentado nesta terça é a defesa pública do levantamento do sigilo, na entrevista a Luiz Bacci reproduzida pelo próprio deputado no X. Em paralelo, a Folha registrou petição ao STF para a PGR examinar o afastamento de Flávio do mandato.

    O que Mendonça liberou de fato?
    O sigilo da apuração com mensagens de Vorcaro envolvendo Alexandre de Moraes, com envio do material à PGR e pedido de deliberação pública no plenário.

    O novo pagamento de US$ 1,66 milhão está comprovado?
    A Piauí atribui o registro a relatório do Coaf, datado de 16 de setembro de 2025, reproduzido por g1, Valor e CNN. Flávio remeteu o esclarecimento à produtora e disse não ver fato novo.

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