Deputado petista destaca baixa adesão em manifestações pelo Brasil pela anistia e revela fragilidades na oposição de direita e aponta desinformação – SAIBA QUAIS
Brasília (DF) · 01 de março de 2026
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) não poupou críticas às manifestações organizadas por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em vídeo divulgado em suas redes sociais, o petista classificou o evento como um retumbante fracasso, afirmando que “na vez de Flávio Bolsonaro, parecia que o candidato era o Silas Malafaia”.
A declaração, carregada de ironia, reflete a percepção de que o pastor evangélico, figura proeminente na extrema-direita, ofuscou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante o ato, realizado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, no dia 7 de outubro.
O evento, convocado para defender a anistia a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, reuniu apenas cerca de 2 mil participantes, segundo estimativas de organizadores como os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO).
A baixa adesão contrastou com mobilizações anteriores do bolsonarismo, que costumavam atrair multidões. No palco, Silas Malafaia e Flávio Bolsonaro criticaram o projeto de lei da dosimetria, que prevê apenas redução de penas, defendendo uma anistia ampla.
Contudo, para Lindbergh Farias, o resultado foi uma “demonstração de fraqueza”, como ele enfatizou em publicação no X: “Gente, acabou. Flopou totalmente a caminhada da anistia dos Bolsonaros. Flopadaço, vaziaço. Uma vergonha”.
Reportagens de veículos como Poder360 corroboram a análise do deputado, destacando que pesquisas como a Genial/Quaest indicam rejeição majoritária à anistia entre os brasileiros – 47% contra.
O portal Brasil247 relatou desculpas esfarrapadas dos organizadores para o fiasco em atos semelhantes na Avenida Paulista, em São Paulo, onde Malafaia tentou minimizar a adesão, priorizando o “teor do discurso”.
Lindbergh enviou o vídeo aos líderes da Câmara, incluindo o presidente Hugo Motta (MDB-PB), para enterrar o debate sobre anistia, relatou uma fonte.
Vários jornais de diferentes regiões do país ecoam o insucesso. No Nordeste, o canal O Povo News cobriu reações de políticos locais, com opositores celebrando o “flop” como sinal de enfraquecimento bolsonarista.
No Sul, transmissões da RedeTV enfatizaram a presença de Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira, insuficiente para impulsionar o ato.
No Centro-Oeste, relatos da RedeTV destacaram críticas de Malafaia ao projeto de dosimetria, enquanto Lindbergh usou o episódio para reafirmar que “ninguém quer anistia”, citando pesquisas nacionais.
A manifestação também expôs fissuras internas na direita. Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente, posicionou-se contra reduções parciais de pena, alinhando-se a Malafaia, mas o petista explorou o episódio para questionar a liderança do senador.
Em vídeo no TikTok, Lindbergh relembrou: “Eles estão se desmascarando, abraçados à bandeira norte-americana, traição à pátria”, aludindo a influências externas no bolsonarismo.
Essa narrativa ganha relevo em um contexto de polarização persistente, onde atos como esse servem de termômetro para o vigor oposicionista.
Analistas políticos, em matérias da Jovem Pan, observam que o fracasso pode sepultar pautas como a anistia no Congresso, fortalecendo o governo Lula (PT).
A rixa entre Flávio Bolsonaro e Silas Malafaia escalou, com o pastor criticando recentemente a pré-candidatura presidencial do senador como “não empolgante”, conforme vídeo no YouTube.
O discurso de Flávio Bolsonaro
Em discurso inflamado em defesa de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente cumprindo pena de 27 anos por conspiração golpista após os eventos de 8 de janeiro de 2023, Flávio Bolsonaro fez várias afirmações que carecem de precisão factual ou são exageradas, conforme verificações independentes.
O evento, que reuniu apoiadores, governadores e lideranças conservadoras, serviu como plataforma para críticas ao governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e para exaltar o legado bolsonarista.
Flávio iniciou o discurso destacando supostas perseguições políticas no Brasil, afirmando que “censuraram nossas redes sociais, mandaram a Polícia Federal na casa de pessoas inocentes, botaram tornozeleira eletrônica na perna de pessoas humildes e trabalhadoras, prenderam pessoas que nunca cometeram crimes e obrigaram brasileiros a terem que sair da própria pátria para escapar de perseguição“. Embora haja relatos de ações judiciais contra bolsonaristas envolvidos em atos extremistas, como os de 8 de janeiro, essas medidas foram respaldadas por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e não visam “pessoas inocentes” de forma generalizada; investigações apontam para evidências de crimes como incitação à violência e fake news, com mais de 1.400 condenações até o momento, segundo o STF.
O senador agradeceu ao deputado Nicolas Ferreira (PL-MG) por uma “caminhada” de Minas Gerais a Brasília, que, segundo ele, “reacendeu a vontade de lutar pelo nosso Brasil”.
A marcha, realizada em 2025, mobilizou apoiadores e simbolizou resistência ao governo atual, mas não há evidências de que tenha “incomodado demônios” ou gerado impactos sobrenaturais, como sugerido metaforicamente.
Flávio também elogiou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito Ricardo Nunes (MDB), além dos governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), destacando que o ato “não é eleitoral” apesar da presença de pré-candidatos.
De fato, o evento ocorre em meio a articulações para as eleições de 2026, com Flávio emergindo como possível candidato à Presidência.
Convidando o pastor Silas Malafaia ao palanque, Flávio invocou saudosismo por Bolsonaro, perguntando à plateia quem sente falta dele. Ele alegou que, sob Bolsonaro, jovens tinham “liberdade de pensamento dentro de sala de aula” e que o ex-presidente “perdoou 99% das dívidas dos nossos estudantes” via FIES. No entanto, embora Bolsonaro tenha sancionado a Lei 14.375/2022, que permitiu descontos de até 99% em dívidas do FIES para inadimplentes específicos, isso não foi um perdão universal de 99% para todos os estudantes; o programa beneficiou cerca de 1 milhão de pessoas, mas não abrangeu a totalidade das dívidas estudantis, e críticos apontam que o alívio foi limitado e temporário durante a pandemia.
Criticando Lula, Flávio afirmou que o atual presidente “deixou os estudantes todos endividados mais uma vez” e que “80% dos nossos jovens não tem mais expectativa de conseguir o emprego” após quase quatro anos de governo. Essa alegação é exagerada: dados do IBGE indicam que a taxa de desemprego juvenil (18-24 anos) em 2026 está em torno de 15-18%, inferior aos picos de 2020-2022, com crescimento econômico de cerca de 3% anual sob Lula, embora o desemprego entre jovens permaneça acima da média nacional de 6%. Expectativas de emprego melhoraram com a recuperação pós-pandemia, contrariando o percentual de 80% sem perspectiva.
Sobre mulheres, Flávio destacou que, na era Bolsonaro, “eram protegidas” com “mais de 40 leis sancionadas em defesa das mulheres” e que a ministra Damares Alves mobilizou “mais de 100.000 profissionais de segurança pública e prendeu mais de 26.000 agressores e assassinos“. O número de leis é inflado: embora Bolsonaro tenha sancionado cerca de 70 medidas relacionadas a mulheres, muitas eram atualizações ou não exclusivas à proteção contra violência, e o governo foi criticado por cortes orçamentários no combate ao feminicídio. A Operação Maria da Penha, lançada em 2021, resultou em cerca de 14 mil prisões em 2022, segundo o Ministério da Justiça, não 26 mil; o total de profissionais mobilizados foi inferior aos 100 mil citados.
No tema social, Flávio comparou o Bolsa Família: sob Bolsonaro, “tinha gente ganhando R$45, R$50, R$100”, mas elevou para mínimo de R$600, com “mãe solo recebendo em dobro R$200” e porta de saída via emprego. Na verdade, o programa Auxílio Brasil (substituto do Bolsa Família) atingiu média de R$600 durante a pandemia, com extras para mães solteiras (até R$1.200 em casos específicos), mas o valor mínimo era variável e o programa foi criticado por não priorizar saída sustentável. Sob Lula, o Bolsa Família retornou com média de R$672 em 2026, beneficiando 21 milhões de famílias, sem evidências de retrocesso.
Flávio acusou Lula de “gastar 1.4 bilhão de reais no seu cartão corporativo“, vivendo luxos enquanto o povo sofre. Essa cifra é infundada: relatórios oficiais mostram gastos com cartões corporativos do governo federal em torno de R$40-50 milhões anuais sob Lula, não bilhões; o valor de 1,4 bilhão circula em redes sociais sem base em dados do Portal da Transparência.
Ele também alegou que Lula “jogou no lixo mais de 108 bilhões de reais de remédio” por não distribuí-los. Não há registro de desperdício dessa magnitude sob Lula; ao contrário, sob Bolsonaro, vacinas e medicamentos contra Covid-19 expiraram, com perdas estimadas em R$2-3 bilhões, segundo o TCU.
Sobre economia, Flávio criticou o ministro Fernando Haddad como “o melhor ministro da economia do Paraguai“, alegando que “levou mais de 200 indústrias brasileiras pro Paraguai pela incompetência“. De fato, mais de 100 empresas brasileiras migraram para o Paraguai desde 2019, atraídas por impostos baixos (10%) e energia barata, mas o movimento começou antes de Haddad (ministro desde 2023) e é impulsionado por fatores como a Lei de Maquila paraguaia, não por “incompetência” específica.
Flávio defendeu derrubar o veto de Lula ao “projeto de dosimetria“, que reduziria penas do 8 de janeiro, exceto para Bolsonaro, que “se sacrifica“.
Lula vetou o projeto em janeiro de 2026, mas o Congresso pode derrubar o veto; o ex-presidente segue inelegível até 2030 por decisão do TSE, além da pena de 27 anos por golpismo.
Ele acusou Lula de corrupção em escândalos como Mensalão (2005, sob Lula), Petrolão (2014, sob Dilma, mas PT envolvido) e “roubo dos aposentados do INSS” em 2023. O INSS sofreu fraudes de R$6,3 bilhões entre 2019-2024, iniciadas sob Bolsonaro; o filho de Lula, Fábio Luís, é investigado por supostos laços com o “Careca do INSS”, mas sem condenação até agora.
Flávio concluiu prometendo que Bolsonaro “subirá a rampa do Planalto” em 2027 com o povo. O ato reforça a polarização rumo a 2026, com Flávio como possível candidato, mas suas declarações misturam fatos com distorções, alimentando narrativas eleitorais.

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