Deputado revela como manifestação em São Paulo virou palanque indevido, com apelos eleitorais e críticas ao Judiciário que podem alterar a equidade da eleição
Brasília (DF) · 03 de março de 2026
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou, nesta segunda-feira (2/mar), uma representação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), alegando prática de propaganda eleitoral antecipada durante manifestação realizada no domingo (1/mar) na Avenida Paulista, em São Paulo.
A ação destaca como o evento, batizado de “Acorda Brasil” e que reuniu cerca de 20 mil participantes conforme estimativas, transcendeu o âmbito de protesto político para se converter em um palanque de arregimentação de votos, violando as normas que regulam o calendário eleitoral.
A petição de Lindbergh argumenta que as declarações do senador possuíam “inequívoca carga eleitoral”, induzindo o público a uma escolha antecipada de candidatos.
Em discurso proferido do alto de um carro de som, Flávio Bolsonaro afirmou que subiria a rampa do Palácio do Planalto em 2027 ao lado de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme transcrições preservadas e citadas na representação.
Além disso, o senador criticou abertamente o Supremo Tribunal Federal (STF), convocando os presentes a elegerem representantes capazes de promover impeachments de ministros, o que, para o deputado, configura não apenas antecipação de campanha, mas também uma pressão coordenada sobre instituições democráticas.
“Não é debate político: é convocação de voto fora do período permitido e ataque às regras do jogo”, declarou Lindbergh em postagem nas redes sociais, enfatizando a necessidade de apuração imediata para preservar a lisura do processo eleitoral de 2026.
“Protocolei no TSE representação contra Flávio Bolsonaro por transformar ato na Paulista em palanque eleitoral antes da hora. Não é debate político: é convocação de voto fora do período permitido e ataque às regras do jogo. Pedimos a apuração, preservação dos vídeos e aplicação da multa prevista na Lei das Eleições. Democracia se respeita. A lei é para todos!”, destacou o deputado no Instagram.
A iniciativa não se restringe ao PT. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) também ingressou com ação similar no TSE nesta segunda-feira (2/mar), reforçando as acusações ao destacar o tom de intimidação nas falas do senador.
Hilton pede a remoção de vídeos do evento e a aplicação de multas, argumentando que o ato serviu de instrumento para deslegitimar o STF e influenciar o eleitorado de forma indevida.
Especialistas corroboram essa visão, apontando que menções diretas ao futuro do país por oradores como o prefeito Ricardo Nunes e o deputado Eduardo Bolsonaro configuram violações claras à legislação eleitoral, que proíbe pedidos explícitos de voto antes de agosto de 2026.
Organizado por grupos alinhados ao bolsonarismo, o evento criticou decisões judiciais recentes e defendeu pautas conservadoras, mas, segundo analistas, ultrapassou os limites ao projetar cenários eleitorais específicos.
Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, utilizou o microfone para posicionar-se como alternativa ao governo atual, o que pode resultar em sanções pecuniárias de até R$ 25 mil por infração, além de obrigações de preservar evidências digitais para investigação.
Aliados do senador defendem que as falas se enquadram em liberdade de expressão política.
Essa não é a primeira vez que Flávio Bolsonaro enfrenta questionamentos eleitorais. Em fevereiro, ações semelhantes foram movidas contra ele por distribuição de adesivos no Nordeste, como reportado pela Valor Econômico, envolvendo o ex-ministro Gilson Machado Neto.
Contudo, o episódio da Paulista ganha relevância por seu escopo público e impacto midiático, potencializando debates sobre a integridade das eleições vindouras.

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