Crise no RJ expõe tensões entre governo federal e estadual após operação letal que matou mais de 60 pessoas nos complexos do Alemão e da Penha
Brasília, 28 de outubro 2025
Em meio ao caos que tomou as ruas do Rio de Janeiro nesta terça-feira (28/out), o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, lançou um ultimato ao governador Cláudio Castro: ou o gestor assume o controle da segurança pública, ou deve “jogar a toalha” e solicitar formalmente uma intervenção federal, GLO ou estado de sítio.
A declaração veio horas após a megaoperação policial contra o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha, que se tornou a mais letal da história fluminense, com 64 mortes – incluindo quatro policiais – e 81 prisões, além de barricadas incendiadas e contra-ataques criminosos que paralisaram a cidade.
Lewandowski rebateu as acusações de Castro, que culpou o governo Lula por falta de apoio, afirmando que nenhum pedido formal de auxílio foi recebido, e que todos os 11 requerimentos anteriores de Força Nacional foram atendidos prontamente, conforme mostrou a Folha de S. Paulo.
A resposta do ministro expõe as fraturas no pacto federativo para o combate ao crime organizado, com o Ministério da Justiça e Segurança Pública destacando ações como 178 operações da Polícia Federal no estado em 2025, resultando em 210 prisões e 10 toneladas de drogas apreendidas.
Lewandowski defendeu a PEC da Segurança Pública, em tramitação no Congresso, como solução para maior coordenação entre forças federais, estaduais e municipais, criticando a abordagem de “guerra civil e força bruta” que, segundo ele, não resolve o problema.
Em coletiva em Fortaleza, o ministro se colocou à disposição, mas reforçou: “A responsabilidade constitucional pela segurança nos estados é dos governadores”, ecoando uma nota oficial do MJSP que lista investimentos e cooperações ignorados pelo Palácio Guanabara.
Essa troca de farpas entre Brasília e o Rio não só agrava a crise imediata, mas questiona o futuro da gestão de Castro, que já se opôs à PEC em questão.
Com o estado à beira do colapso, a decisão do governador pode definir não apenas o controle territorial, mas o equilíbrio político nacional – um dilema que merece debate urgente entre cidadãos preocupados com a escalada da violência urbana.
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