Ministra afirma que viveu “trinta anos fazendo política” para ver o filho de um ex-presidente participando da interferência de um país “na soberania de outro“
Brasília, 18 de julho de 2025
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou ao ICL Notícias que vê “com muita tristeza” o ponto que chegou o “extremismo de direita“, com o filho de um ex-presidente participando da interferência de um país “na soberania de outro“.
Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, o canal mostra a ministra argumentando sobre este “gravíssimo” caso, que em sua opinião é “de levante nacional“.
“Isso é caso do povo brasileiro dizer o seguinte: ‘a Bandeira Brasileira é nossa! Esse território é nosso! Quem tem a soberania e pode dizer o que é certo ou errado somos nós! Nós temos poderes independentes! Nós temos Executivo que defende no seu papel a Soberania do País e a Justiça brasileira“, afirmou Tebet.
Ela iniciou a fala expressando “profunda preocupação” com o que chamou de “tristeza” na política brasileira, especialmente em relação a setores que, segundo ela, confundem interesses pessoais com públicos.
Com mais de 30 anos de trajetória política, Tebet destacou a gravidade de um parlamentar brasileiro — em clara referência ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) — “atentar contra a ordem econômica e a soberania do país” ao se alinhar a discursos de potências estrangeiras.
Soberania em jogo
Tebet criticou duramente a tentativa de interferência externa, especialmente dos Estados Unidos, em assuntos brasileiros, como a ameaça de aumento de tarifas a produtos nacionais. Ela relacionou essas pressões a uma “visão ideológica de extrema direita” que prioriza projetos pessoais em detrimento do bem-estar do povo.
“Quando alguém diz ‘dane-se o país, dane-se a economia, dane-se os empregos’, está traindo a Constituição“, afirmou, sem citar nominalmente o deputado, mas em evidente alusão às recentes declarações de Eduardo Bolsonaro sobre relações comerciais com os EUA.
A senadora também rebateu argumentos usados para justificar barreiras ao comércio brasileiro, como as acusações de concorrência desleal na 25 de Março (famoso centro comercial em São Paulo).
“Se há irregularidades, é caso para a polícia e a Justiça do Brasil, não para um país estrangeiro“, disse, defendendo a autonomia nacional.
O Pix e a “guerra ideológica”
Tebet mencionou ainda o Pix, sistema de pagamentos brasileiro, como alvo indireto de disputas geopolíticas. Para ela, a possível resistência internacional ao sistema se deve à concorrência que ele representa para empresas estrangeiras de cartões de crédito.
“O Pix é nosso, gera emprego aqui, e tentam distorcer isso com narrativas ideológicas“, afirmou.
Valores inegociáveis
A senadora encerrou a fala destacando que o Brasil não pode ceder em temas como democracia e soberania, mesmo sob pressão internacional.
“Eles colocam na mesa valores que, para nós, são inegociáveis“, disse, concluindo com um alerta sobre os riscos do extremismo e a necessidade de defesa intransigente da ordem democrática.
As declarações de Tebet ocorrem em meio a tensões comerciais entre Brasil e EUA e a polêmicas envolvendo Eduardo Bolsonaro, que recentemente sugeriu alinhar políticas brasileiras a interesses estadunidenses.
As críticas de Tebet ganham ainda mais relevância diante dos desdobramentos desta sexta-feira (18/jul), quando a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra Bolsonaro, culminando com sua condução para colocar tornozeleira eletrônica.
Simone Tebet (@simonetebetbr): Família Bolsonaro dá um "dane-se" pro povo brasileiro ao buscar tarifaço de Trump nos EUA
— ICL Notícias (@ICLNoticias) July 18, 2025
Veja mais no Portal ICL Notícias: https://t.co/IHOEj9xNtw pic.twitter.com/rAHQ4uPQHr








