Eduardo Leite em foto de Mauricio Tonetto / Secom
“O governo também vive outras agendas“. A pauta “que se impunha era a questão fiscal“, disse o governador do estado que vive a pior calamidade de sua história, acrescentando que “simplesmente burocratizar e dificultar licenças não é proteger o meio ambiente“
O governador Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul, estado que vive a pior calamidade de sua história devido às cheias noticiadas em todo o mundo, afirmou que sabia dos estudos que apontavam para a possibilidade da elevação no nível das chuvas e que isso poderia causar grandes enchentes no estado, mas não investiu mais recursos na prevenção porque “o governo também vive outras agendas“, como a “que se impunha“, que era a “questão fiscal“.
Os efeitos das declarações são fortes e causam um estrago na imagem do pretendente de 2026 à cadeira do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pois é o mesmo que dizer que não tomou medidas responsáveis porque tinha mais o que fazer, como se diz popularmente.
Leite nega a ideia de que mudanças em cerca de 480 normas ambientais sancionadas por ele em 2020 tenham ligação com a crise climática vivida no Rio Grande do Sul. “Simplesmente burocratizar e dificultar licenças não é proteger o meio ambiente“, afirma, em entrevista à ‘Folha de S. Paulo‘.
O jornal destacou: “‘Estudos alertaram, mas o governo também vive outras agendas’, diz Leite sobre falta de plano para conter cheias no RS – Governador afirma que questão fiscal se impunha; tucano diz ainda que é líder do processo de reconstrução após Lula indicar Pimenta a ministério extraordinário”.
Assim, o tucano demonstra ciúmes de Paulo Pimenta, que foi nomeado pelo estadista como Ministro Extraordinário para a Reconstrução do Rio Grande do Sul. O governador Eduardo Leite expõe isso ao declarar que todo apoio é importante, mas que o protagonismo é do governo estadual.
Na entrevista, Leite diz que autoridades planejam construir cidades provisórias e conjuntos habitacionais para desabrigados, considerando que 10% a 15% da população abrigada pode precisar de soluções a longo prazo. Medidas incluem recursos para aluguel social, estadia solidária e estruturas provisórias, enquanto o governo federal demonstra disposição em abordar a questão habitacional.
O governador diz também que ele buscou formas de oferecer esperança e novas residências para pessoas em abrigos de forma mais ágil, especialmente após as enchentes de 2023 no Vale do Taquari. Isso envolveu a contratação de moradias definitivas por métodos construtivos mais rápidos, como módulos de concreto ou ‘steel frame‘. E que a demora em acessar recursos federais e lidar com a burocracia para viabilizar as moradias, especialmente através do programa Minha Casa Minha Vida, foi destacada pelos prefeitos da região durante uma conversa no sábado.
Segundo Leite, existem preocupações de que o número de óbitos possa ser maior do que os dados oficiais indicam. A possibilidade de somar os dados de desaparecidos aos números de óbitos ainda está em aberto. A precisão dos números atuais é questionável devido à complexidade da situação.
Sobre Paulo Pimenta, Leite confirma críticas à indicação para o Ministério de Apoio à Reconstrução do RS, levantando preocupações sobre a politização da crise, considerando a possível candidatura do presidente Lula em 2026. Ele destacou a complexidade política que a tragédia exige, enfatizando a necessidade de coordenação entre forças políticas, empresariais e sociedade civil, ressaltando a liderança do governo do estado, conferida pelo voto popular, para reunir as forças da sociedade.
Na entrevista, o governador destaca a importância do apoio de várias entidades na reconstrução após uma decisão da sociedade. Ele enfatiza a necessidade de unir esforços, incluindo o governo federal, e menciona uma reunião conjunta com prefeitos. Além disso, ele comenta sobre a estimativa inicial de custos para reconstrução, ressaltando a complexidade e a necessidade de considerar os impactos econômicos.
Também argumentou sobre que o plano de reconstrução do estado do Rio Grande do Sul está focado em decisões estratégicas e investimentos para conter os efeitos das mudanças climáticas. Que envolve a participação de um conselho da sociedade civil, entidades empresariais e movimentos sociais, além de um comitê científico de adaptação e resiliência climática. O governador defende as alterações na legislação ambiental, argumentando que estas visam aprimorar, modernizar e endurecer a proteção ambiental em vários aspectos, embora críticos ambientais questionem tais mudanças.
Perguntado sobre os estudos que já apontavam a possibilidade de aumento significativo nas chuvas no Rio Grande do Sul e se ele estava preparado para lidar com as enchentes, Leite disse que o governo do Estado enfrentava dificuldades financeiras, mas priorizou o reestabelecimento da capacidade fiscal. Agora, apesar de estar ciente dos alertas, está lidando com uma crise crítica que exige atenção máxima. Segundo Leite, é importante ouvir e estruturar o poder público para receber e analisar alertas relevantes. Ele destacou que nem todos os alertas se confirmam, mas a situação crítica exige uma nova postura do governo e da sociedade diante dessas previsões.
