Perfis de jornalistas, políticos e intelectuais de todo o mundo argumentam que a decisão do Capitólio ocorre sob a estratégia do tecnofeudalismo, usada pelos bilionários que comandam as big techs , que se aliam ao governo americano – SAIBA MAIS
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A rede social chinesa para compartilhamento de vídeos TIKTOK parou de funcionar nos Estados Unidos, neste sábado (18/jan), durante a noite, e desapareceu das lojas de aplicativos da Apple e Google. Uma nova lei no país entrou em vigor neste domingo (19/jan), impondo o fechamento da plataforma que conta, somente nos EUA, com 170 milhões de usuários.
O presidente eleito Donald Trump, que toma posse como o 47º presidente dos Estados Unidos da América nesta segunda-feira (20/jan), prometeu dar ao TikTok um prazo de 90 dias antes da proibição. A citação foi incorporada em um aviso postado na plataforma, onde o usuário lê que “não pode usar” a rede social enquanto o magnata não assumir a Casa Branca. O comunicado diz que, por “sorte“, “Trump indicou que ele trabalhará conosco em uma solução para reinstaurar o TikTok assim que assumir o cargo. Por favor, fique atento“.
Os Estados Unidos nunca baniram uma plataforma de mídia social importante e a nova lei aprovada de maneira esmagadora pelo Congresso concede à nova administração Trump autoridade ampla para proibir ou buscar a venda de outros aplicativos de propriedade chinesa, informou a agência de notícias Reuters. “A extensão de 90 dias é algo que provavelmente será feito, porque é apropriado,” disse o próximo presidente americano à NBC. “Se eu decidir fazer isso, provavelmente o anunciarei na segunda-feira“.
A Casa Branca, ainda sob a administração do presidente que sai, o democrata Joe Biden, reiterou no sábado que cabia ao novo governo dos EUA quaisquer medidas: “Não vemos razão para o TikTok ou outras empresas tomarem ações nos próximos dias antes que a administração Trump assuma na segunda-feira,” disse a secretária de imprensa Karine Jean-Pierre em um comunicado. Paralelamente, a plataforma chinesa não respondeu a um pedido de comentário sobre a declaração feita pela sede do governo.
![]() | Desculpe, o TikTok não está disponível no momento. Uma lei proibindo o TikTok foi aprovada nos EUA. Infelizmente, isso significa que você não pode usar o TikTok por enquanto. Estamos felizes que o presidente Trump indicou que trabalhará conosco em uma solução para restabelecer o TikTok assim que assumir o cargo. Fique atento! Saiba mais. Fechar aplicativo |
A embaixada da China em Washington acusou na sexta-feira (17/jan) os EUA de usar o poder estatal injusto para suprimir o TikTok e afirmou que “a China tomará todas as medidas necessárias para proteger resolutamente seus direitos e interesses legítimos“. Enquanto isso, a Meta Platforms. Inc., dentre outras empresas de redes sociais, tiveram ações em alta. E o CEO do TikTok, Shou Zi Chew, planeja participar da posse de Trump, onde poderá fazer alguma declaração. Também foi cogitada a venda da rede social chinesa para o aliado do governo americano, Elon Musk, mas a empresa negou a informação. Perfis de vários jornalistas, intelectuais e políticos, além de influenciadores digitais, inundam as redes sociais com comentários sobre o tema, argumentando sobre TECNOFEUDALISMO (Leia a seguir).
Tecnofeudalismo
Em um vídeo postado no Instagram, compartilhado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), o perfil @vndroid diz que, ao mesmo tempo que o TikTok sai do ar, o aplicativo chinês Xiaohongshu, traduzido como Caderninho Vermelho, se tornou o aplicativo mais baixado da App Store. O dono da conta argumenta que o mundo está entrando em uma nova guerra fria, que envolve o Brasil e se relaciona com Tecnofeudalismo, como um novo sistema político-econômico. O perfil lembra da declaração do CEO da Meta Platforms, Inc., empresa mãe das redes sociais Facebook e Instagram, da plataforma de microblog Threads e do aplicativo de mensagens WhatsApp, Mark Zuckerberg, sobre as mudanças na moderação que encerra a verificação de fatos e adota um sistema mais parecido com o X, antigoTwitter, adquirido por Elon Musk.
O discurso de ambos os bilionários gerou a ideia de que a liberdade de expressão estaria sendo ameaçada pela regulação das redes sociais, o que na realidade quer dizer que são as big techs que querem ter o poder de censurar quem elas quiserem. O perfil diz que, “através do seu algoritmo, que é uma caixa preta, ninguém pode falar nada”, do contrário somos taxados como “ditadores“, como ocorreu recentemente nos embates de Musk contra a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, no ano passado, quando o X ficou fora do ar no Brasil. O dono da conta lembra ainda que, “mais preocupante para nós, habitantes de um país colonizado, é que o Marquinho [Zuckerberg] também disse que vai se juntar ao Trump para pressionar governos ao redor do mundo por uma desregulação cada vez maior das redes sociais“. O CEO, lembra o influenciador, mencionou diretamente a União Europeia e a América Latina, argumentando sobre “tribunais secretos“, em referência à citada “briga entre Elon Musk e Alexandre de Moraes“, o que, para o dono da conta, “deixa claro o que eles querem: acabar totalmente com a nossa capacidade de impor qualquer limite às empresas de tecnologia deles“.
“Ironicamente, apesar de se dizerem os paladinos da liberdade de expressão, agora o governo norte-americano está banindo o uso do TikTok dentro dos Estados Unidos. O argumento deles é que o TikTok poderia ser usado pelo governo chinês para espionar os cidadãos americanos e disseminar ação e propaganda, exatamente aquilo que já está comprovado que as empresas de tecnologia norte-americana fazem no Brasil e no resto do mundo inteiro“, diz o influencer. “Então, quando o Brasil quer regular as empresas norte-americanas que coletam dados dos nossos cidadãos, isso é censura e fere a liberdade de expressão, mas o governo americano não quer nem deixar os aplicativos chineses entrarem no seu país com medo de que eles possam fazer a mesma coisa“, argumenta o perfil.
“Pelo menos agora está ficando insustentável manter a farsa de que a China é um país. A decisão de Pequim de bloquear os aplicativos norte-americanos e desenvolver suas próprias alternativas locais parece cada vez mais acertada, base a partir da qual o gigante asiático conseguiu manter sua soberania digital“, afirma o dono da conta no Instagram. “Enquanto isso, a América Latina vai sendo engolida pelo colonialismo de dados norte-americano. Aí a gente acaba vendo fenômenos como o crescimento do bolsonarismo, das teorias de conspiração de extrema direita, as apostas reguladas e golpes por toda parte. Vivemos em uma distopia cyberpunk [ a antítese das visões utópicas] que dificilmente pode ser chamada de democracia“, argumenta o dono da conta.
“Enquanto o país teórica menos democrático do mundo desponta como uma das maiores esperanças globais de liberdade e democracia nas redes. A verdade é que a era do tal do neoliberalismo acabou. Pelo menos é isso que o Yanis Varoufakis, ex-Ministro das Finanças da Grécia, argumenta no seu livro Tecnofeudalismo“, diz o perfil. “…hoje, o poder está concentrado cada vez mais naqueles que tem a maior quantidade de dados e os algoritmos mais avançados para interpretar esses dados e dessa forma só tem dois grandes atores nessa arena geopolítica Estados Unidos e China“, argumenta Vndroid, acrescentando que, no livro, Yanis Varoufakis alerta que, embora os EUA tenham grande vantagem, a capacidade de planejamento e centralização da República Popular os coloca “na frente“, em diversos aspectos na corrida por concentração de poder tecnofeudal.
O ex-ministro afirma que, para ultrapassar os chineses, a “América” precisaria fundir seu sistema financeiro, político e tecnológico. O perfil diz também que Zuckerberg decidiu se aliar a Trump devido à promessa do novo presidente, de usar o mandato para fundir a Wall Street, a Casa Branca e o Vale do Silício, na tentativa de se transformarem na maior potência de tecnofeudalismo do mundo. E observa que o 47º presidente já anunciou que cargos centrais de seu governo serão entregues, além de Musk, para outros quinze bilionários do setor de tecnologia. “A gente precisa saber que a gente está vivendo o começo de uma nova guerra fria“, diz Vndroid“.
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