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Lancellotti compartilha Francisco: “Igreja não é Alfândega; venham todos, os bons e os maus” (vídeo)

    O pároco de São Paulo, que recebe ameaças de figuras geralmente da extrema direita por trabalhar em prol das pessoas em situação de rua , postou trecho de discurso em que o Pontífice defende que a casa de Deus é para “todos, todos, todos…” – ASSISTA

    O Padre Júlio Lancellotti compartilhou em seu perfil no ‘Twitter’ trecho de um vídeo em que o Papa Francisco, representante máximo da Igreja Católica no mundo, discursa no Vaticano defendendo que o templo de Deus é para todos: “Saudáveis, doentes, jovens e velhos… todos, todos, todos“.

    Durante o governo Bolsonaro, o pároco era vítima constante de ameaças. Elas partiam principalmente de extremistas de direita e de políticos que se aproveitavam da gestão presidencial do momento para se autopromoverem, embarcando em um discurso de ódio qualquer.

    Em 2020, por exemplo, o deputado cassado Arthur Do Val, o ‘Mamãe Falei‘, afirmou em rede social que o trabalho do Padre Lancellotti é “deplorável” e que a “Igreja Católica tem uma linda histórica (sic) e não pode ficar a mercê de um cafetão da miséria“.

    Nunca ameacei ninguém, nem ele. Ele é uma das maiores farsas do Brasil, em breve vocês saberão! Vou DESMASCARAR esse Padre“, concluiu o extremista, sem nunca tê-lo feito de fato, pois as palavras do então parlamentar serviam apenas de alimento para seus eleitores.

    Nas imagens compartilhadas por Lancellotti, o papa diz ainda:

    “Que a Igreja não seja uma Alfãndega para selecionar os que entram ou não”. afirma o Pontífice nas imagens. “Cada um com sua vida sobre os ombros, com seus pecados, mas como ele é diante de Deus“, disse.

    Como ele é diante da vida. Todos, todos, todos“, acrescentou. Não coloquemos Alfândegas nas Igrejas”, pontuou Francisco.

    O Padre Lancellotti perguntou, na mensagem em que compartilhou o vídeo na platafirma: “Entenderam?”

    Veja abaixo e leia mais depois:

    No final do mês passado, Lancellotti concedeu uma entrevista à GloboNews e comentou sobre a decisão do Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de dar prazo de 120 dias para o governo Lula apresente um plano para a população em situação de rua.

    O padre classificou a a decisão como “histórica” e ressaltou que as sugestões implementadas foram resultados de contribuições de diversos grupos da sociedade civil.

    É preciso conviver com essa população (de rua), não hostilizar. Acredito que a decisão histórica do ministro Alexandre de Moraes vai fazer com que o Executivo tenha que articular com as prefeituras. Sozinhos não conseguirão”, afirmou.

    Sobre a proibição de remoções forçadas de moradores de rua destacada na medida do STF, Júlio Lancellotti enfatiza a necessidade de priorizar a busca por soluções reais no enfrentamento do problema.

    O STF marcou para o dia 11 de agosto a análise da decisão do ministro Alexandre de Moraes.

    O julgamento deve terminar no dia 21 de agosto, se não houver pedido de vista.

    Caberá aos ministros decidir se referendam a decisão individual do relator.

    O ministro analisou uma ação dos partidos Rede Sustentabilidade, PSOL e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, que apontaram uma série de omissões do Poder Público para garantir os direitos da população em situação de rua no Brasil.

    A ação alega que essa parcela da sociedade vive em condições desumanas, sem direitos previstos na Constituição, o que configura o chamado “estado de coisas inconstitucional“.

    Na decisão, Moraes citou o trabalho do Padre Júlio Lancellotti no combate à aporofobia, ou seja, a rejeição e aversão a pessoas pobres.

    É possível vislumbrar que a aporofobia também pode se concretizar em atos estatais diversos das construções hostis, como apreensões de meios de vida e material de trabalho, destruição de pertences e abordagens agressivas, atos estes muitas vezes praticados por agentes do Estado. Assim, o contato dessas pessoas com o Estado assume uma característica higienizadora e de criminalização“, afirmou o ministro na decisão.

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