De ideologia progressista, o La Renga contratou ator de baixa estatura e o fez usar uma máscara do líder argentino durante show em que foi humilhado: “tem um leãozinho solto” – ASSISTA E SAIBA MAIS
Atualização 22h00 . 16/11/2025
Buenos Aires, 16 de novembro de 2025
A icônica banda de rock argentina La Renga transformou o palco do festival Dama’s Day, no Wyndham Garden Luján (província de Buenos Aires), em um momento de sátira política contundente.
Durante o evento, realizado no sábado (15/nov), o grupo convidou um ator de baixa estatura – apelidado nas redes como “mini Milei” – para usar uma máscara do presidente Javier Milei e dançar ao som de ‘Panic Show’.
Vestido com jaqueta de couro e imitando os rugidos histriônicos do mandatário, o ator pulou pelo cenário enquanto o vocalista Gustavo “Chizzo” Nápoli entoava o hino que Milei adotou como trilha de campanha.
A cena, que viralizou rapidamente, dividiu opiniões entre aplausos à “vingança perfeita” e acusações de “baixa estatura moral”.
A Apropriação do “Leão” e a Ideologia da Banda
Este episódio é o ápice de uma rixa que se arrasta desde 2021, quando Milei começou a usar ‘Panic Show’ em seus comícios eleitorais.
Composta por “Chizzo” Nápoli para o álbum La esquina del infinito (lançado em 2000), a canção abre com um riff pesado de guitarra e usa metaforicamente o “leão” para falar sobre opressão, manipulação social e caos urbano, representando forças autoritárias, elites vorazes ou sistemas que devoram o povo.
A banda, nascida no bairro operário de Mataderos, em Buenos Aires, sempre carregou um DNA contestatório, antifascista e comunitário.
O presidente Javier Milei, por outro lado, a reinterpretou como um grito de guerra libertário em sintonia com seu anarcocapitalismo.
Embora pague royalties por meio da SADAIC (Sociedad Argentina de Autores y Compositores de Música), o La Renga sustenta que pagar não é pedir permissão, tratando-se de um “roubo simbólico” que distorce o legado antifascista da obra.
A Cronologia da Disputa
A faísca imediata para o ato de Luján veio na sexta-feira (14/nov), quando o baixista Gabriel “Tete” Iglesias e o manager Gabriel “Gordo Gaby” Gonçalves declararam à TV chilena Sonar FM: “O problema é nosso, ele o roubou da mesma forma que está roubando o país inteiro.”
A tensão, contudo, é antiga:
2021: Durante a corrida legislativa de Milei, o La Renga publicou um comunicado oficial: “Qualquer pessoa tem o direito de ouvir, cantar, dançar e curtir as músicas do La Renga. O que é errado, legal e moral, é usar essas músicas para uma campanha política e ganho pessoal. Um fã da nossa banda jamais faria isso.”
2023: Milei ignorou os apelos éticos e continuou usando a faixa, inclusive no encerramento de sua campanha presidencial no Movistar Arena.
Maio de 2024: O presidente subiu ao palco durante a apresentação de seu livro Capitalismo, socialismo y la trampa neoclásica no Luna Park com uma “banda liberal” – incluindo o deputado José Luis Espert na bateria – para cantar ‘Panic Show’ e ‘El Revelde’ (outra música do La Renga).
Respostas no Palco: A banda intensificou suas críticas diretas em shows, com Chizzo gritando “Olho Milei” (Ushuaia, dez/2023), “Escuta aqui, Javier. O leão quer devorar toda a matilha, e por acaso eles estão todos bem ao seu lado” (Estádio Racing, jan/2024), e “Há um tirano que roubou meu leão” (Huracán, jul/2025).
Apesar de a lei permitir o uso mediante pagamento de royalties (diferente da La Bersuit Vergarabat, que venceu judicialmente um processo por ‘El tiempo no para’ em 2023), o La Renga optou pela sátira.
O gesto destaca a fissura entre o rock argentino – tradição de contestação desde os anos 70 – e o governo Milei, sinalizando que o leão ruge de Mataderos, não da Casa Rosada.
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TMJ!!! URBS MAGNA e La Renga!!!
“Ao infinito e além…”.
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