O plano de sequestrar o ministro do STF só não foi colocado em prática por uma alteração na pauta da Corte
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Um militar tentou sequestrar o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, no final de 2022, de acordo com um relatório da PF (Polícia Federal). O agente, com o codinome “Gana”, participou de uma operação clandestina com Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente hoje declarado inelegível até 2030 Jair Bolsonaro (PL), informou a coluna de Paulo Cappelli no Metrópoles.
A PF prendeu ontem, terça-feira (19/11) militares envolvidos em um plano para assassinar Moraes, o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o vice-Presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB).
Seis militares do Exército participaram dos preparativos para sequestrar e matar o ministro Alexandre de Moraes, utilizando nomes de países para não serem identificados. Mensagens da PF indicam que o grupo planejou atacá-lo em 15 de dezembro e confirmaram que Moraes residia na Asa Sul em dezembro de 2022.
Para se certificar que o militar identificado como Gana foi às imediações da casa de Moraes, a PF comparou o tempo de deslocamento da quadra onde mora o magistrado com as localizações indicadas pelo militar após a missão ser abortada. A operação foi cancelada graças a uma alteração na pauta do STF.
“Considerando que a ordem para abortar a missão foi dada às 20h59min, a contextualização do conteúdo e horários das mensagens são convergentes com a possibilidade de ‘Gana’ estar nas imediações da residência funcional do Ministro”, diz o documento.
Também chamou a atenção da PF o fato de Gana ter andado o percurso e tentado pedir um taxi, sem sucesso. “Tal fato explica o motivo de não ter utilizado o serviço de aplicativos de viagem (por exemplo, Uber), que deixaria registrado o local de embarque. Assim, ‘Gana’ tinha, inicialmente, o objetivo de pegar um taxi, que poderia, inclusive, pagar em espécie, sem deixar qualquer registro de localização e identificação”.
De acordo com os diálogos obtidos pela PF, ele andou até o shopping Pátio Brasil, onde foi resgatado pelo tenente-coronel Rafael de Oliveira, preso nesta quinta-feira. Rafael, segundo dados de conexão do seu celular (ERB), também esteve no local onde vive Moraes, cerca de um mês antes da missão cancelada. “A ERB do major Rafael de Oliveira é registrada na Asa Sul, na região da quadra da residência funcional do ministro Alexandre de Moraes”.
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