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PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO
A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados protocolou documento pedindo uma investigação do envolvimento da deputada federal e do ministro da Saúde no vazamento de dados de médicos pró-vacina
Os nomes da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, constam em uma representação protocolada nesta quarta-feira (12/1) pela bancada do PSOL na Câmara dos Deputados junto ao MPF (Ministério Público Federal) em cujo texto pede a apuração de responsabilidades cíveis e penais de ambos no vazamento de dados de médicos pró-vacina.
A representação diz que Kicis é apoiadora do presidente e que ela admitiu a um jornal que repassou a grupos bolsonaristas no WhatsApp as informações pessoais, a partir de documentos do Ministério da Saúde, com dados sensíveis como CPF, telefone e e-mail, de três especialistas que participaram de audiência pública no último dia 4 de janeiro para debater a vacinação de crianças contra Covid-19: Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI), Renato Kfouri, diretor da SBI, e Marco Aurélio Sáfadi, da Sociedade Brasileira de Pediatria.
No encontro, diz o texto, eles “apresentaram argumentos contundentes em defesa da imunização desse público-alvo – uma postura contrária ao que o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores – dentre eles, a Deputada Bia Kicis – vêm defendendo“.
O texto do documento afirma que “há em curso um amplo e sistemático modelo de disseminação de fake news, vazamentos e ameaças, promovido pelo próprio Governo Bolsonaro, que impulsiona seus apoiadores à violência, trazendo graves consequências para a democracia, para a ciência e para a saúde da população brasileira“.
“Não surpreende, então, o acontecido“, em 06/01, quando “dados pessoais de três médicos que defendem a vacinação de crianças contra a Covid foram vazados ilegalmente, na internet, nos últimos dias“, prossegue o documento após uma recapitulação dos movimentos de Bolsonaro contra medidas de proteção contra a pandemia.
“A entrega desses documentos é prática comum no meio acadêmico para participação em publicações científicas, consultorias e audiências públicas”, explicam os parlamentares psolistas. “Neles, os profissionais indicam para quais empresas já prestaram serviços. Via de regra, tais declarações de conflito de interesses são tornadas públicas. O problema, neste caso, é que imagens dos documentos foram divulgadas na íntegra, sem ocultar dados como CPF, e-mail e celular – o que é irregular”, dizem no texto.
A bancada ainda explica que, “segundo a nota divulgada” pelos especialistas, “embora crianças adoeçam menos por Covid-19 e menos frequentemente desenvolvam formas graves da doença, elas transmitem o vírus na comunidade escolar e também fora dela”.
“A vacinação de crianças é, portanto, uma alternativa robusta para garantir a continuidade de oferta de escola na forma presencial. E, embora menos suscetíveis às formas clínicas graves da Covid19, crianças e adolescentes não são indiferentes ao seu impacto, quando considerada a dimensão mental“.
Contam na representação para os respectivos endossos os nomes dos parlamentares Talíria Petrone, Ivan Valente, Fernanda Melchionna, Vivi Reis, Áurea Carolina, Glauber Braga, David Miranda, Luiza Erundina e Sâmia Bomfim.
