📷 Keiko Fujimori, provável presidente eleita no Peru / Foto: Expreso.pe
| Lima (PE)
22 de junho de 2026
A contagem oficial da segunda volta das eleições gerais de 7 de junho de 2026 no Peru mostra Keiko Fujimori, candidata de Fuerza Popular, à frente de Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú.
Com diferença de poucos milhares de votos e ainda restando actas observadas para resolução pelo Jurado Nacional de Elecciones (JNE), a filha do ex-presidente Alberto Fujimori se consolida como provável vencedora, segundo o La Republica.
Esse cenário reacende debates profundos sobre o passado autoritário do país.
Alberto Fujimori, que governou entre 1990 e 2000, foi condenado a 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade, incluindo as matanças de Barrios Altos e La Cantuta, além do autogolpe de 5 de abril de 1992, que fechou inconstitucionalmente o Congresso e concentrou poder nas Forças Armadas e na polícia.
Keiko Fujimori construiu sua trajetória política herdando o partido Fuerza Popular. Disputou a presidência em 2011, 2016 e 2021, sempre em segundo lugar, e enfrentou acusações de lavagem de dinheiro relacionadas a suposto financiamento ilícito de campanhas anteriores, com investigações em curso no Poder Judicial.
Com a liderança atual na contagem, setores progressistas e organizações de direitos humanos manifestam preocupação.
Dirigentes aymaras (povo indígena) convocaram mobilizações para não reconhecer Keiko Fujimori como presidenta caso confirmada a vitória.
Familiares de vítimas dos protestos de janeiro de 2023 também declararam que não aceitarão seu governo, citando o apoio histórico do fujimorismo a medidas que fragilizam garantias democráticas.
Muitos peruanos demonstram medo real. A herança de violações sistemáticas de direitos humanos durante o governo de Alberto Fujimori — como as esterilizações forçadas de mulheres indígenas e a atuação de esquadrões da morte — permanece viva na memória coletiva de comunidades afetadas.
Keiko Fujimori aparece em eventos recentes celebrando a tendência favorável, afirmando que “Sim, era possível.” e que vêm “cinco anos de grandes desafios”.
Enquanto isso, Roberto Sánchez pede reconteio de votos e maior transparência para fortalecer a confiança institucional.
O momento exige vigilância redobrada com a democracia peruana. O retorno de uma liderança ligada ao fujimorismo pode impactar políticas de memória, justiça e direitos humanos, especialmente em um contexto de polarização social.
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FAQ Rápido:
Keiko Fujimori já foi declarada oficialmente presidenta?
Não. Até o momento, o Jurado Nacional de Elecciones não proclamou o resultado final. A contagem da ONPE ainda avança e há actas observadas pendentes.
O que fez Alberto Fujimori de ruim para o Peru?
Foi condenado por crimes contra a humanidade nas matanças de Barrios Altos e La Cantuta, pelo autogolpe de 1992 e por corrupção associada ao assessor Vladimiro Montesinos.
O povo peruano tem medo de Keiko Fujimori?
Sim. Grupos indígenas, familiares de vítimas de protestas e setores progressistas expressam temor de retrocesso em direitos humanos e democracia, citando o legado autoritário do pai.
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