📷 Cristina Fernández de Kirchner manifestou o desejo de participar da corrida presidencial e seu grupo político está promovendo uma possível candidatura para 2027, apesar de enfrentar uma condenação judicial e estar impedida de ocupar cargos públicos. Sua equipe de defesa entrou com um pedido na ONU solicitando a revisão de sua situação jurídica / Imagem reprodução Instagram |•| URBS MAGNA
| Buenos Aires (AR)
12 de agosto de 2026
A Justiça argentina ordenou o embargo do apartamento onde a ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner cumpre prisão domiciliar, além de uma série de outros imóveis ligados à família, em mais uma etapa da execução patrimonial da chamada Causa Vialidad.
A medida foi tratada pela imprensa kirchnerista argentina como um novo capítulo do que consideram uma perseguição política contra a ex-mandatária.
A decisão partiu do Tribunal Oral Federal N° 2 (TOF 2), responsável pela sentença que condenou Cristina Kirchner a seis anos de prisão por administração fraudulenta.
Segundo o Página/12, os juízes Jorge Gorini, Rodrigo Giménez Uriburu e Andrés Basso determinaram o embargo do imóvel da rua San José 1111, no bairro de Constitución, em Buenos Aires — endereço onde a ex-presidenta está reclusa —, além de outras propriedades da família, em reportagem publicada sob o título “Otro capítulo de la persecución a Cristina Kirchner”.
O que abrange a nova medida
O embargo, solicitado pelos promotores Diego Luciani e Sergio Mola, também atinge um duplex, sete vagas de garagem e outros imóveis do complexo Madero Center, em Puerto Madero, além de terrenos, chalés e o Hotel La Aldea del Chaltén, localizados na província de Santa Cruz, berço político da família Kirchner.
Os bens fazem parte de um conjunto que soma R$ 685 bilhões de pesos argentinos, valor fixado pela Justiça como prejuízo causado ao Estado por irregularidades na condução de licitações de obras rodoviárias entre 2003 e 2015.
O apartamento de San José 1111 pertence formalmente à Los Sauces, sociedade imobiliária vinculada à família Kirchner. Embora Máximo e Florencia Kirchner, filhos da ex-presidenta, não tenham sido condenados nesta causa específica, seus bens também foram incluídos no embargo — decisão que o tribunal justificou apontando uma conexão econômica entre as empresas do empresário Lázaro Báez e o patrimônio da família ao longo do período investigado.
Uma execução que ainda não recuperou nada
Apesar de a condenação estar em vigor há mais de um ano, com trânsito em julgado confirmado pela Corte Suprema de Justicia argentina, a Justiça ainda não conseguiu recuperar nenhum valor efetivo do total fixado.
Antes do novo embargo, os magistrados já haviam identificado 111 bens a serem avaliados e eventualmente leiloados para cobrir parte da dívida. A nova medida representa a segunda fase desse processo, iniciada em fevereiro por solicitação do Ministério Público.
É importante destacar, segundo o próprio texto da decisão judicial, que o embargo não implica despejo imediato nem altera as condições da prisão domiciliar de Cristina Kirchner — trata-se de uma medida cautelar que visa apenas impedir a transferência ou oneração dos bens enquanto avança o processo de execução.
O caso ilustra uma tensão recorrente na política argentina recente: para o campo kirchnerista, a sequência de decisões judiciais contra Cristina Kirchner desde a condenação na Causa Vialidad — que já incluiu a suspensão de sua pensão vitalícia como ex-presidenta, segundo apurou o El Destape em reportagem anterior — reforça a leitura de um Judiciário instrumentalizado contra a principal liderança da oposição ao governo de Javier Milei.
A magnitude do valor em disputa e o fato de a execução ainda não ter recuperado nenhum centavo, mais de um ano após a condenação definitiva, também levantam questionamentos sobre a efetividade do próprio sistema de recuperação de ativos na Argentina.
A defesa de Cristina Kirchner ainda não se manifestou publicamente sobre a nova decisão do TOF 2.
Kirchner manifestou o desejo de participar da corrida presidencial de 2027 e seu grupo político está mobilizando apoio para uma possível candidatura.
No entanto, sua condenação judicial a impede de assumir cargos públicos.
Para contestar essas restrições, sua equipe de defesa apresentou um pedido na ONU, pedindo a revisão de sua situação jurídica, em busca de reverter as consequências legais que limitam sua participação na política.
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