Decisão da Arquidiocese de São Paulo gera debates sobre proteção pastoral ou redução de visibilidade de uma das principais vozes em defesa da população em situação de rua
Brasília, 16 de dezembro 2025
A Arquidiocese de São Paulo, sob a liderança do cardeal Dom Odilo Scherer, determinou que Padre Júlio Lancellotti suspenda temporariamente as transmissões ao vivo de missas e interrompa suas atividades nas redes sociais.
O anúncio foi feito pelo próprio religioso em nota pública nesta terça-feira (16/dez), após comunicação direta com o arcebispo.
Em comunicado, Padre Júlio Lancellotti afirmou: “Conforme informado no último domingo (14/dez), as transmissões estão temporariamente suspensas, porém as missas dominicais continuam sendo celebradas normalmente às 10h, na Capela da Universidade São Judas – Mooca. As redes sociais não estão sendo movimentadas por um período de recolhimento temporário.”
Ele enfatizou sua “pertença e obediência à Arquidiocese de São Paulo” e negou rumores de transferência imediata da Paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca, onde atua há mais de 40 anos.
Questionada, a Arquidiocese de São Paulo classificou o assunto como interno e não forneceu detalhes adicionais sobre os motivos da orientação.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Padre Júlio Lancellotti descreveu a conversa com Dom Odilo Scherer como “muito protocolar, muito respeitosa” e disse receber a decisão com “espírito de obediência e resiliência”.
O padre, que completou 77 anos neste mês, não descartou uma futura transferência paroquial, prática comum após os 75 anos, mas afirmou que isso ainda não foi oficializado.
A medida não configura punição canônica nem afastamento do ministério sacerdotal. As celebrações presenciais seguem inalteradas, e Padre Júlio Lancellotti continua à frente da Pastoral do Povo de Rua, trabalho que o tornou referência nacional na defesa de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Contexto histórico de controvérsias
Padre Júlio Lancellotti acumula anos de exposição pública e conflitos com setores conservadores. Desde pelo menos 2020, ele enfrenta ameaças recorrentes, muitas originadas em círculos da extrema direita que criticam sua atuação contra políticas de criminalização da pobreza e higienização urbana.
Em 2024, a Câmara Municipal de São Paulo instalou uma CPI para investigar ONGs que atuam com população de rua, tendo o padre como alvo indireto de vereadores alinhados à direita, que o acusaram de obstaculizar ações de ordenamento urbano.
Na época, campanhas difamatórias nas redes sociais incluíram acusações falsas de pedofilia, desmentidas por investigações do Ministério Público.
Mais recentemente, em novembro de 2024, o padre denunciou ataques vindos até de missionários católicos conservadores, caso que gerou retratação pública da comunidade envolvida.
A decisão atual da Arquidiocese de São Paulo gera debates sobre o equilíbrio entre proteção institucional e a visibilidade de figuras que encarnam a chamada “opção preferencial pelos pobres” defendida pelo Papa Francisco.
Fiéis e entidades manifestaram solidariedade ao padre nas redes, enquanto a hierarquia eclesiástica mantém silêncio oficial sobre os critérios da medida.
Padre Júlio Lancellotti segue celebrando missas presenciais e atendendo a comunidade na Mooca, mantendo o trabalho direto com a população em situação de rua que o consagrou como uma das vozes mais atuantes da Igreja Católica brasileira contemporânea.
A deputada federal Erika Hilton afirmou que está oficiando à Embaixada do Vaticano e ao Arcebispo Dom Odilo Scherer pedindo a reconsideração da suspensão das transmissões das missas, ressaltando a importância da acessibilidade e do direito à participação na comunidade religiosa.
Hilton lamenta a decisão que desvaloriza o trabalho do Padre, que ajuda os necessitados e pratica o amor ao próximo, e afirma que não é do interesse da Igreja Católica alienar os fiéis de sua religiosidade.
Ela expressou sua solidariedade aos fiéis da Paróquia do Padre Júlio Lancellotti, especialmente aqueles com mobilidade reduzida, que não poderão mais participar das missas por uma decisão da Arquidiocese de São Paulo.
Redes sociais dão respostas silenciosas com imagens ruidosas
ahhh agora eu entendi pq o padre Júlio Lancellotti foi censurado pic.twitter.com/nLiNuW9vL9
— carol oliva 🚩 (@carololliva) December 16, 2025

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O padre Júlio Lancelot está sendo censurado pela própria igreja Católica,boa pedido da elite conservadora
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