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Defesas de réus no STF apontam Bolsonaro como mentor do golpe (vídeo)

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    O ex-presidente
    O ex-presidente Jair Bolsonaro durante entrevista em frente ao Palácio da Alvorada, em 22.5.2020, quando reagiu a jornalistas com gritos e palavrões / Foto: Gabriela Biló


    Advogados de aliados do ex-presidente, em sessão da Primeira Turma, atribuem responsabilidade a Jair Bolsonaro no plano para subverter as eleições de 2022, enquanto tentam absolver seus clientes



    Brasília, 04 de setembro de 2025

    A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou, na quarta-feira (3/set), o julgamento do chamado “núcleo crucial” da trama golpista, que investigou tentativas de subverter o resultado das eleições de 2022.

    Jair Bolsonaro, ex-presidente da República, é o principal acusado, ao lado de sete aliados, incluindo ex-ministros e militares de alta patente.

    Durante a sessão, as defesas de outros réus, em uma estratégia para desvincular seus clientes das acusações, acabaram apontando o dedo para Bolsonaro, atribuindo a ele a liderança e a responsabilidade pelo plano golpista.

    As sustentações orais das defesas, realizadas na Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Luiz Fux e Cármen Lúcia, trouxeram momentos de tensão e revelações.

    Os advogados de réus como Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto adotaram uma linha de defesa que buscava isentar seus clientes, mas, ao fazê-lo, reforçaram a narrativa da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que Bolsonaro era o principal articulador do plano.

    O advogado Andrew Fernandes Farias, defensor do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, afirmou que seu cliente “atuou ativamente para demover o presidente da República de qualquer medida nesse sentido”, referindo-se a possíveis tentativas golpistas.

    A declaração sugere que Bolsonaro tinha intenções golpistas, mas que Paulo Sérgio se opôs.

    Durante a sessão, Cármen Lúcia questionou o advogado e a resposta de Fernandes foi a de que Bolsonaro era, literalmente, o mentor do golpe de Estado:

    Cármen Lúcia: “Vossa Senhoria, eu copiei aqui, cinco vezes, diz que o réu, neste caso, o cliente de Vossa Senhoria, abre aspas, “estava atuando para demover o presidente da República”. Demover de quê? Porque até agora todo mundo diz que…
    Andrew Fernandes: “Vossa Excelência, demover de adotar qualquer medida de exceção. Atuou ativamente e há provas dos autos!
    Cármen Lúcia: “Muito Obrigada!“.

    A defesa de Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), conduzida por Matheus Milanez, argumentou que Helenofoi perdendo espaço no dia a dia do ex-presidente” e que sua participação foi “meramente acessória”.

    A defesa destacou que Heleno não tinha envolvimento direto com os atos de 8 de janeiro de 2023, mas não negou que Bolsonaro liderava as articulações.

    José Luis de Oliveira Lima, advogado de Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, afirmou que o general “é inocente” e questionou a delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, chamando-a de “mentirosa”.

    Ele alegou que não havia provas de que Braga Netto entregou dinheiro para financiar o plano golpista, mas não contestou diretamente a existência de uma trama liderada por Bolsonaro.

    A estratégia da defesa foi focar na ausência de envolvimento direto de seu cliente, enquanto a narrativa da PGR reforça a centralidade de Bolsonaro.

    A defesa de Bolsonaro, representada por Celso Vilardi e Paulo Cunha Bueno, insistiu que “não há uma única prova” ligando o ex-presidente aos atos de 8 de janeiro ou aos planos golpistas.

    Eles contestaram a delação de Mauro Cid, afirmando que “Cid foi pego na mentira pela enésima vez”.

    Contudo, as declarações dos advogados de outros réus, ao tentarem proteger seus clientes, acabaram reforçando a narrativa da PGR, que, em sua acusação, classificou Bolsonaro como o “líder da organização criminosa” e principal articulador das ações para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

    CONTEXTO E REPERCUSSÃO

    O julgamento, que começou na terça-feira (2/set) e está previsto para se estender até 12, é um marco histórico no Brasil, sendo a primeira vez que um ex-presidente é julgado por tentativa de golpe de Estado.

    A PGR, liderada por Paulo Gonet, acusa os réus de cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

    Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, responde a três crimes devido à suspensão parcial da ação penal aprovada pela Câmara dos Deputados.

    A sessão de 3/set foi marcada por momentos de tensão, como a intervenção de Cármen Lúcia, que repreendeu o advogado de Ramagem, Paulo Renato Cintra, por defender o voto impresso, reforçando que o sistema eletrônico brasileiro é “seguro e auditável desde 1996”.

    Além disso, o julgamento ocorre sob pressão internacional, com os Estados Unidos observando os desdobramentos.

    O QUE ESPERAR AGORA

    O julgamento será retomado na próxima terça-feira, 9 de setembro, com o voto do relator Alexandre de Moraes, que deve propor a condenação ou absolvição dos réus.

    Os demais ministros votarão na sequência, e a decisão será tomada por maioria simples.

    Nos bastidores, as defesas já consideram a condenação de Bolsonaro como provável, mas buscam penas menores, argumentando que as penas máximas de até 43 anos seriam desproporcionais.

    A análise das sustentações orais revela uma estratégia clara das defesas: enquanto tentam absolver seus clientes, elas reforçam a narrativa de que Bolsonaro era a figura central do plano golpista.

    A delação de Mauro Cid, apesar de contestada, continua sendo um elemento-chave, corroborada por depoimentos de outros militares, como o general Marco Antônio Freire Gomes e o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, que confirmaram reuniões onde Bolsonaro apresentou a minuta golpista.

    As defesas também reclamaram do volume de documentos (80 terabytes) e do prazo curto para análise, alegando cerceamento de defesa.



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