Data crucial se aproxima para julgar ex-presidente e aliados por tentativa de golpe, com implicações para a democracia brasileira
Brasília, 15 de agosto de 2025
O Supremo Tribunal Federal (STF) anunciou, nesta sexta-feira (15/ago), que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sete réus, acusados de envolvimento na tentativa de golpe de Estado em 2022, terá início em 2 de setembro.
A decisão, formalizada pelo presidente da Corte, ministro Cristiano Zanin, ocorre em um momento de alta tensão política, com o líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias, destacando a relevância do processo para a soberania nacional.
Em postagem nas redes sociais, Farias enfatizou: “Daqui 15 dias é no momento muito importante pessoal, porque é no momento de reafirmação da nossa soberania nacional”.
A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa Bolsonaro e aliados de crimes graves, incluindo tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa.
A trama, segundo investigações da Polícia Federal (PF), envolveu o plano Punhal Verde e Amarelo, que previa a execução de figuras como o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
O plano, descrito como um “pensamento digitalizado” pelo general Mário Fernandes, ex-secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência, foi impresso no Palácio do Planalto em novembro de 2022, conforme revelou a PF.
Farias destacou a gravidade do plano, que incluía o monitoramento de Moraes e a mobilização de militares das Forças Especiais do Exército, conhecidos como “kids pretos”.
Ele também mencionou episódios como a tentativa de explosão no Aeroporto de Brasília e os atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes bolsonaristas golpistas terroristas invadiram as sedes dos Três Poderes.
“Eles estão continuando. Nós estamos vendo um golpe continuado”, afirmou o parlamentar.
O julgamento ocorre em meio a alegações de interferência externa. Farias acusou o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e setores do governo norte-americano de tentarem pressionar o Brasil com ameaças de sanções e tarifas para interromper o processo contra Bolsonaro.
“Eles agora nessa traição nacional, envolveram o Trump e os Estados Unidos que estão querendo impor a gente ameaçando o país com tarifas com sanções pra parar o julgamento do Bolsonaro”, declarou.
Bolsonaro tinha “pleno conhecimento” do plano Punhal Verde e Amarelo, segundo a PF.
O julgamento será conduzido pela Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux.
Farias destacou a aprovação popular ao trabalho de Moraes, citando uma pesquisa Datafolha que indica 53% de apoio contra 39% de reprovação.
“Isso é muito bom”, disse, reforçando a importância de um debate público para esclarecer os fatos.
A PGR aponta que o grupo liderado por Bolsonaro e figuras como o general Walter Braga Netto planejava consolidar o poder por meios violentos, com codinomes como “Jeca” (Lula), “Joca” (Alckmin) e “professora” (Moraes).
O plano incluía arrecadação de R$ 100 mil para financiar operações, com reuniões na casa de Braga Netto.
Com a data marcada, o julgamento é visto como um marco para a democracia brasileira.
“O Brasil não aceita ser colônia. Nós temos instituições, nós somos um país soberano e temos uma democracia”, afirmou Farias, que prometeu divulgar um vídeo detalhando a trama golpista.
URGENTEEE ‼️
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) August 15, 2025
Julgamento de Bolsonaro marcado para dia 02 de setembro. Momento importante. É hora de mostrarmos a nossa soberania! pic.twitter.com/u0FLsEd8dI








