Em janeiro de 2019 ele se autoproclamou presidente e iniciou nova crise com interferência internacional no país liderado por Nicolás Maduro
O deputado venezuelano Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente da Venezuela em 2019 e deu início a uma crise internacional com efeitos até os dias atuais, foi expulso de um restaurante na cidade de San Carlos, capital de Cojedes, sob insultos, empurrões e arremessos de várias cadeiras. Após sofrer com agressões físicas leves, ele teve a camisa retalhada por populares.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um grupo de militantes, defensores do presidente estabelecido pela lei da Venezuela, Nicolás Maduro, colocando o político para correr do estabelecimento, após ele ter comandado, neste sábado (11/6), uma grande mobilização da oposição na cidade, que fica a 260 quilômetros a sudoeste de Caracas, a capital do país.
Guaidó e partidários foram almoçar no restaurante Café Moringa, mas sofreu ataques que foram iniciados com insultos e culminou com sua retirada à força do interior da loja.
Nas imagens abaixo, é possível ver o político sendo empurrado para fora, aos gritos de populares, “saia, saia”, que também arremessavam objetos sobre ele.
Veja abaixo e leia mais a seguir:
Juan Guaidó é deputado nacional pelo estado de Vargas e foi presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, enquanto o presidente do país, Nicolás Maduro, foi reeleito, em maio de 2018, para mais 6 anos de mandato, em um pleito que foi marcado por denúncias de fraude, tentativa de boicote da oposição, abstenção de 54% e falta de reconhecimento por grande parte da comunidade internacional.
Segundo o Conselho Nacional Eleitoral, Nicolás Maduro venceu com 67,7% dos votos válidos, aos 92,6% das urnas apuradas. O chavista obteve 5.823.728 votos. A presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, anunciou que a votação teve a participação de 46% do eleitorado e um total de 8,6 milhões de votos.
Assim, iniciou-se uma nova crise política no país, com repercussão e interferência internacional, especialmente após 23 de janeiro de 2019, quando Juán Guaidó se autoproclamou o novo presidente da Venezuela. No mesmo momento, ele foi reconhecido como “presidente interino” por países como os Estados Unidos, sob Donald Trump, e o Brasil de Bolsonaro, além de outros, do chamado “Grupo de Lima” e União Europeia.
Contudo, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela havia invalidado a junta parlamentar da Assembleia Nacional, presidida por Guaidó, dois dias antes, quando considerou nulos todos os atos aprovados pela Casa desde 5 de janeiro.
Mesmo após a repercussão no mundo, o presidente Nicolás Maduro prosseguiu como o presidente, o que levou o país a romper definitivamente suas relações com os Estados Unidos.
Juan Guaidó se encontrou com Biden
Na última quarta-feira (8/6), o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se reuniu com Juan Guaidó no encontro do âmbito da Cúpula das Américas, em Los Angeles.
O democrata americano conversou com o deputado por telefone, abordando questões como o restabelecimento da relação bilateral entre os países do evento, bem como sobre o futuro da Venezuela.
Durante a conversa, o presidente norte-americano reafirmou que reconhece Guaidó como presidente interino do país sul-americano.
Um comunicado da Casa Branca detalhou que “o presidente Biden expressou seu apoio às negociações lideradas pela Venezuela como o melhor caminho para a restauração pacífica das instituições democráticas, eleições livres e justas e respeito aos direitos humanos e liberdades fundamentais de todos os venezuelanos“.
Em interferência explícita do governo americano, a Assembleia Nacional da Venezuela, eleita em 2015 e presidida, na ocasião, por Juán Guaidó, permanece sendo reconhecida por Joe Biden.
Os EUA excluíram a Venezuela, Cuba e Nicarágua da Cúpula das Américas por serem países governados, conforme alegações do governo americano, por partidos de esquerda e, assim, não constituem “espaços democráticos”. Feito isso, o presidente reconhecido pelas leis venezuelanas, Nicolás Maduro, viajou para a Turquia.
Antes da viagem, Maduro propôs que o presidente da Argentina, Alberto Fernández, que também esteve em L.A., convocasse uma reunião entre os países pertencentes à CELAC (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos), da qual o argentino é presidente, e convidasse Joe Biden para participar.
“Será uma forma de iniciar um caminho novo. Um novo organismo onde participem todos os países de nossa América“, afirmou Maduro.
