“Por favor, nos ajude a recuperar nossas vozes fazendo este alerta chegar ao maior número possível de jornalistas, políticos, membros da sociedade civil e do judiciário. Amanhã pode ser tarde”, escreve João Luiz Domenech Oneto
O jornalista João Luiz Domenech Oneto alerta sobre um suposto golpe eleitoral em 2026, denunciando o banimento em massa de contas de esquerda no X (Twitter) e a manipulação de narrativas pela extrema direita. Ele afirma que, sem resistência, a democracia brasileira estará em risco e pede ajuda para divulgar o caso a políticos, imprensa e sociedade civil.
Brasília, 13 de julho de 2025
O jornalista João Domenech, que trabalhou em grandes redações, como O Globo, e se encontra banido do X, além do LinkedIn, onde denunciava desinformação sobre “cura por cloroquina” e alegações de que “máscaras não servem para nada“, afirma que a extrema direita está tentando novamente um golpe através das eleições de 2026.
Segundo ele, desde 2018 ativistas de esquerda têm se organizado para enfrentar a dominação da extrema direita nas redes sociais, mas agora enfrentam um contra-ataque: a manipulação das redes sociais.
Domenech chama a atenção para o fato de que muitos militantes de esquerda foram banidos do X, enquanto as narrativas estão sendo manipuladas. E alerta que, se a extrema direita conseguir silenciar as vozes progressistas sem oposição, a democracia brasileira estará em risco.
Ele diz que se nada for feito amanhã poderá ser tarde:
“Está muito óbvio que há outra tentativa de golpe em andamento, agora, como em 2018, através das eleições.
A extrema direita espera chegar ao poder e fazer uma espécie de Trump 2 no Brasil. Isto é óbvio.
O meu alerta é sobre a principal arma que mais uma vez eles vão usar: comunicação.
Desde 2018 milhares de ativistas e militantes de esquerda tem trabalhado e se organizado para enfrentar o domínio da extrema direita sobre redes sociais.
O domínio sobre as narrativas.
Sem qualquer contato com o governo.
De forma voluntária e espontânea.
Eu sou um deles.
Como muitos dos meus colegas, não conheço ninguém no governo, embora muitos políticos de PSOL, PT e PSB me sigam nas redes.
E afirmo que nós ativistas e militantes voluntários estamos muito mais fortes que em 18 e 22.
O que aconteceu nos últimos 20 dias é mostra disso.
Num movimento largamente orgânico e espontâneo nós ajudamos significativamente a colocar o congresso na parede e depois o bolsonarismo trumpista.
Tivemos que ouvir acusações na imprensa e no congresso de sermos pagos pelo governo.
Na verdade, embora deva haver alguns militantes com alguma ligação com o governo, nos meus grupos organizados não temos nenhum contato.
Meu maior grupo de ativistas – 90 médios e grandes, gente com mais de 20 mil e até com 200 ou 300 mil seguidores – é assim.
E qual o alerta então?
Pois bem, no momento em que estamos vencendo a guerra da comunicação com inteligência, boas mensagens, boa organização, veio o contra ataque da extrema direita.
Não com contra comunicação usando as fakes news e ataques usuais dela para os quais já estamos mais preparados.
Veio com uma arma que já sabíamos que eles tinham mas cujo poder não imaginávamos: a manipulação das redes sociais.
Uma guerra total.
No momento em que estamos vencendo a batalha das narrativas nas redes, o X iniciou esta semana o maior ataque às contas de esquerda até hoje.
Em alguns dias eu e metade do meu grupo principal fomos banidos do X.
Dúzias de contas com mais de 20 mil seguidores e alto engajamento. Estimamos que incluindo contas pequenas, milhares de contas de militantes de esquerda foram banidos apenas nos últimos dias.
As tags dos trends estão sendo manipuladas.
Como eu disse, não temos acesso a políticos. Não temos acesso a jornalistas com muita voz (não passo de um ex-jornalista).
Isto precisa ser sabido.
A extrema direita vai novamente tentar vencer as eleições e fazer seu Trump 2 destruindo nossa democracia usando as redes sociais.
Se as redes trabalharem para a extrema direita, nos calando impunemente e sem nenhuma oposição da sociedade, do judiciário, do governo, da imprensa, das instituições democráticas, nossa democracia vai morrer.
Elas não podem nos calar como estão fazendo.
Se nossas vozes forem caladas, o Brasil estará mais uma vez a mercê das mentiras e calúnias da extrema direita, sem ser desafiada.
Por favor, nos ajude a recuperar nossas vozes fazendo este alerta chegar ao maior número possível de jornalistas, políticos, membros da sociedade civil e do judiciário.
Amanhã pode ser tarde. Obrigado”.
João Luiz Domenech Oneto é jornalista e trabalhou em redações de veículos importantes, como O Globo, e em empresas como a Coca-Cola, onde atuou na área de comunicação.
Durante a pandemia de COVID-19, ele ganhou notoriedade por denunciar desinformação em redes sociais, especialmente no LinkedIn, onde combatia postagens com informações falsas sobre a pandemia, como afirmações de que “cloroquina cura” ou “máscaras não servem para nada“.
Essas denúncias levaram a ataques e ameaças contra ele, resultando em seu banimento do LinkedIn por suposto descumprimento de normas e assédio, o que ele contesta judicialmente.
Além disso, João Luiz Domenech Oneto foi condenado em janeiro, junto com outro jornalista, por difamação contra o senador Jorge Seif (PL-SC), após chamá-lo de termos como “fascista“, “corrupto” e “traficante” em redes sociais. Ele foi obrigado a pagar uma indenização de R$ 10 mil e a se retratar publicamente.
João Luiz Domenech Oneto foi banido do LinkedIn, uma plataforma importante para sua atuação profissional, e também no X, conta @joaodomenech.
Ele está envolvido em uma batalha legal contra o LinkedIn para recuperar seu perfil e em outros casos, como a condenação por difamação. O contexto da suspensão por “conteúdos inautênticos” alinha-se com seu histórico de denúncias e conflitos em redes sociais.
A denúncia de Domenech sobre a fraude eleitoral em 2026 foi divulgada por alguns veículos e também pelo líder do PT na Câmara, o deputado Federal Lingbergh Farias (RJ):








