Reportagem de mais de quatro minutos deixou sem argumentos um dos principais nomes da Lava Jato – Após choro nas redes sociais, Eduardo Oniegue disse: “Deve ser chato ser pego fazendo lambança” – ASSISTA
O jornalista Eduardo Oinegue criticou a postura do ex-deputado Deltan Dallagnol em relação à reportagem publicada pelo Jornal da Band, nesta quinta-feira (20/7), mostrando que ele colaborou com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos sem o conhecimento brasileiro.
“Dallagnol, que vergonha! Você e seus colegas da Lava Jato realmente identificaram um mar de corrupção que contaminava o sistema político”, afirmou Oniegue.
“Mas aparentemente não tiveram maturidade ou paciência para fazer as coisas do jeito certo e colocaram os pés pelas mãos. Resultado: as colaborações se perderam, vários dos vigaristas acabaram soltos por um trabalho mal feito e os trabalhadores das empresas envolvidas ficaram sem emprego porque vocês não souberam separar o joio do trigo”, disse o telejornalista.
“Deve ser chato ser pego fazendo lambança. Mas eu tenho fé de que você vai aprender com seus erros e vai ainda dar uma grande contribuição ao país”, disse Oinegue, conforme transcrição do portal da Band.
Deltan nega irregularidades, mas há mensagens que comprovam a atitude do ex-deputado, as quais foram trocadas em 2015, por ocasião de uma visita de integrantes do Departamento de Justiça americano e agentes do FBI ao Ministério Público de Curitiba.
O Jornal da Band levou ao ar na quinta-feira (20/7) uma reportagem mostrando mensagens da Força Tarefa da Lava Jato e comprovando que o ex-deputado Deltan Dallagnol colaborou com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos sem o conhecimento brasileiro.
Ontem, sexta-feira (21/7), Dallagnol soltou um vídeo respondendo a reportagem. Deltan nega irregularidades, mas mensagens que comprovam a atitude do ex-deputado foram trocadas em 2015, por ocasião de uma visita de integrantes do Departamento de Justiça americano e agentes do FBI ao Ministério Público de Curitiba.
Há um tratado assinado em 1997 entre o Brasil e os Estados Unidos regulando a colaboração em matéria judicial entre os dois países, estabelecendo que o relacionamento pelo lado brasileiro cabe ao governo, representado pelo Ministério da Justiça.
O governo brasileiro não foi informado. No vídeo, divulgado nas redes sociais, Dallagnol diz: “Não foi feito sem o conhecimento do Estado brasileiro, porque o Ministério Público é parte do Estado brasileiro”.
Mas a reportagem mostrou que o ex-procurador fez sem o conhecimento porque o Ministério Público não é autorizado a negociar com o Departamento de Justiça.
O tratado é claro ao atribuir a tarefa de negociação ao governo, representado ao Ministério da Justiça, que não foi acionado.
As mensagens mostram ainda que Dallagnol tratou de um acordo sobre a multa cobrada da Petrobras sem envolver a Controladoria Geral da União e o Ministério da Justiça.
Sobre o assunto, o ex-procurador diz que “Tratei em sigilo com a equipe da força-tarefa, como nós tratamos de vários outros acordos com empresas e colaboradores, sempre em sigilo e sem a participação das autoridades do governo, que eram delatadas e investigadas na Lava Jato”.
A lei não dá ao procurador o poder de decidir se avisa ou não esta ou aquela autoridade.
E embora ele diga de forma generalizada e irresponsável que as autoridades eram delatadas, o Ministro da Justiça e o chefe da Controladoria Geral da União não foram delatados.
Assista ao vídeo da edição da Band sobre Deltan:
