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Jornal compara Jair Bolsonaro ao Marechal Hermes da Fonseca, outro golpista acusado de levante em 1922

    Naquele ano, Hermes da Fonseca teve prisão decretada por envolvimento em levantes militares no Rio de Janeiro, com objetivo de destituir o presidente Epitácio Pessoa e evitar a posse de seu sucessor eleito, Artur Bernardes

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    O ex-presidente declarado inelegível até 2030, Jair Bolsonaro (PL), poderá se tornar o segundo ex-presidente punido por uma tentativa de golpe de Estado no Brasil, caso o indiciamento pela PF (Polícia Federal) na quinta-feira (21/11) resulte em denúncia por parte da PGR (Procuradoria-Geral da República), representada por Paulo Gonet, e uma consequente e provável condenação no STF (Supremo Tribunal Federal).

    Antes de Bolsonaro, o marechal Hermes da Fonseca, um dos fundadores do Partido Republicano Conservador, membro da maçonaria, ministro da Guerra do governo de Afonso Pena (1906-1909) e instituidor da Lei do Serviço Militar Obrigatório, teve a prisão decretada sob a acusação de envolvimento em levantes militares no Rio de Janeiro que tinham como objetivo destituir o presidente Epitácio Pessoa e evitar a posse de seu sucessor eleito, Artur Bernardes.

    A matéria é embasada em informações do historiador e professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Carlos Fico. Segundo o catedrático, o elemento novo nos episódios recentes é a possibilidade de condenação de militares que conspiraram contra a democracia: “Em nenhum caso de golpe, desde a Proclamação da República até os dias atuais, e foram vários, houve sequer indiciamento, que dirá condenação, de militares golpistas“, afirmou, conforme transcreveu O Globo.

    Essa investigação da Polícia Federal indiciou oficiais-generais com evidências robustas e eles poderão, eventualmente, ser julgados e condenados”, aponta Fico, acrescentando que “o maior risco para a democracia brasileira ao longo da história passa justamente pelo intervencionismo das Forças Armadas no poder“.

    Bolsonaro é acusado de ser um dos mentores de um plano golpista que envolve ex-ministros e generais, incluindo Augusto Heleno, Walter Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira e o almirante Almir Garnier. Nesta semana, a Justiça concordou com a prisão preventiva de quatro militares de elite suspeitos de planejarem o assassinato do Presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes.

    Os responsáveis pelo golpe militar de 1964 nunca foram punidos, devido à Lei da Anistia de 1979 que isentou militares e civis por crimes políticos durante o período de exceção. Mas o caso da prisão de Hermes da Fonseca, segundo Fico, ocorreu em um momento histórico distinto, a chamada República Velha (1889 -1930), quando as instituições brasileiras e o funcionamento da Justiça eram diferentes dos dias atuais.

    Hermes da Fonseca, presidente do Brasil entre os anos de 1910 e 1914, foi acusado de conspirar contra o governo de Epitácio Pessoa em meio a um atribulado processo eleitoral, em 1922, no qual a oposição, da qual fazia parte, questionou a contagem de votos que deu a vitória a Artur Bernardes. Fico diz que Hermes da Fonsecaera suspeito de estar à frente dos levantes contra Epitácio para impedir a posse de Artur Bernardes. É o caso mais próximo de um ex-presidente que tenha sido preso sob a acusação de participar de uma tentativa de golpe de Estado no Brasil“, afirma Fico.

    Em meio a contestações, Hermes da Fonseca apoiou protestos em Pernambuco e conclamou soldados a não reprimir o povo, resultando em sua prisão por um dia e no fechamento do Clube Militar. Mesmo libertado, oficiais de baixa patente organizaram levantes, e o governo federal reprimiu o movimento, prendendo vários oficiais, incluindo Hermes da Fonseca, que foi solto seis meses depois.

    O episódio no Forte de Copacabana é visto como a primeira manifestação do movimento tenentista. Fico diz que Artur Bernardes também foi preso na Revolução Constitucionalista de 1932, mas discorda de que isso fosse uma tentativa de golpe, já que a principal motivação era a busca por uma nova Constituição, apesar do descontentamento com Getulio Vargas.

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