Ao se afastar, o presidente dos EUA libera delegados que o apoiavam a indicar outros nomes, o que pode acirrar a disputa entre a vice-presidente e ao menos outros quatro governadores democratas
O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou neste domingo (13/7) a desistência para a campanha de reeleição, após pressão de democratas. Na busca para um candidato que impeça o retorno de Donald Trump, e como era de se esperar, surge o nome da vice-presidente, Kamala Harris, como a provável substituta.
Nas redes sociais, Biden disse que decidiu “não aceitar a nomeação e concentrar todas as” suas “energias nas” suas “funções como Presidente durante o resto do” seu “mandato“:
“Minha primeira decisão como candidato do partido em 2020 foi escolher Kamala Harris como minha vice-presidente. E foi a melhor decisão que tomei. Hoje quero oferecer todo o meu apoio e endosso para que Kamala seja a indicada do nosso partido este ano. Democratas – é hora de nos unirmos e derrotar Trump. Vamos fazer isso“, escreveu.
Biden passou os últimos meses acumulando quase 4 mil delegados democratas ao vencer eleições primárias em estados e territórios dos EUA.
Esses delegados normalmente votariam nele para ser o candidato presidencial oficial do partido na Convenção Nacional Democrata, que está marcada para acontecer de 19 a 22 de agosto, mas as regras não os vinculam ou os forçam a fazer isso, disse à Reuters a pesquisadora sênior do think tank Brookings Institution, Elaine Kamarck, que é membro do comitê e autora do livro Primary Politics.
Segundo ela, os delegados podem votar com sua consciência, o que significa que eles podem dar seu voto a outra pessoa. E ao se afastar, Biden está efetivamente “liberando” seus delegados, o que pode desencadear uma competição entre outros candidatos democratas para se tornar o indicado, afirmou.
Kamarck observa que vários candidatos podem entrar na briga, mas a vice-presidente Kamala Harris está no topo da lista, apesar de problemas iniciais em seu atual cargo, além de resultados de pesquisas considerados ruins, o que pode abrir uma nova aba de novos números.
A pesquisadora acrescentou que a Constituição dos EUA determina que o vice-presidente se torna presidente se o presidente morre ou fica incapacitado, mas não pesa em um processo interpartidário para escolher um indicado.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, a governadora de Michigan, Gretchen Whitmer, o governador de Kentucky, Andy Beshear, e o governador de Illinois, JB Pritzker, foram todos cotados como possíveis substitutos. Até agora, eles eram apoiadores de Biden trabalhando para ajudá-lo a ser eleito.
Ainda segundo Elaine Kamarck, poderia haver uma espécie de disputa acirrada entre os pesos pesados democratas que disputam o cargo. Espera-se que haja cerca de 4.672 delegados em 2024, incluindo 3.933 delegados prometidos e 739 os chamados superdelegados – membros seniores do partido.
Ela diz que, para garantir a nomeação, um candidato precisaria obter a maioria, ou seja, mais votos do que todos os outros juntos. Se ninguém conseguir isso, haverá uma “convenção mediada” na qual os delegados agirão como agentes livres e negociarão com a liderança do partido. Assim, regras seriam estabelecidas e haveria votação nominal para os nomes indicados.
O processo poderia levar várias rodadas de votação para que alguém obtivesse a maioria e se tornasse o indicado. A última convenção negociada quando os democratas falharam em indicar um candidato na primeira votação foi em 1952.
