JOAQUIM BARBOSA durante entrevista ao programa Conversa com Bial, da Rede Globo | dez/2025 | Imagem reprodução TV Globo
| Brasília (DF)
16 de maio de 2026, 23h35
Joaquim Barbosa filiou-se ao Democracia Cristã (DC) em 2 de abril de 2026 e a legenda já o articula como pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.
A informação, revelada inicialmente pela coluna Painel da Folha de S.Paulo na quinta-feira (15/mai) e confirmada pelo g1, marca a substituição da pré-candidatura de Aldo Rebelo, que não avançou nas pesquisas internas do partido.
O ex-ministro do STF, que presidiu a Corte entre 2012 e 2014, construiu reputação nacional como relator da Ação Penal 470, o Mensalão.
Sob sua condução, o processo resultou em condenações históricas por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. Entre os réus estava o então deputado federal Roberto Jefferson, delator inicial do esquema e, ao mesmo tempo, condenado por corrupção passiva.
O julgamento do Mensalão, iniciado em 2 de agosto de 2012, expôs um sistema de compra de apoio parlamentar no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.
Joaquim Barbosa votou pela condenação de 25 dos 38 réus, com 96 das 112 decisões acatadas por unanimidade ou maioria.
O caso culminou, anos depois, com a prisão de Roberto Jefferson em outubro de 2022, quando o ex-deputado resistiu à ordem do STF com tiros de fuzil e três granadas lançadas contra agentes da Polícia Federal, ferindo dois policiais.
O episódio, amplamente documentado pela PF, ilustra como os desdobramentos de escândalos julgados pelo ex-ministro ainda ecoam na vida pública brasileira.
Nascido em 7 de outubro de 1954 em Paracatu (MG), Joaquim Barbosa é primogênito de oito irmãos, filho de pedreiro e dona de casa.
Aos 16 anos mudou-se sozinho para Brasília, trabalhou na gráfica do Correio Braziliense e concluiu o ensino médio em escola pública.
Formou-se em Direito pela Universidade de Brasília em 1979, obteve mestrado e doutorado em Direito Público pela Université Paris-II (Panthéon-Assas).
Foi procurador da República, professor da PUC-RJ e da UERJ, e indicado ao STF por Lula em 7 de maio de 2003 – primeiro negro a ocupar a cadeira.
Apesar de rigoroso no Mensalão, Joaquim Barbosa sempre defendeu a independência do Judiciário frente a instrumentalizações políticas.
Seu retorno ao DC – partido que o vê como “mensageiro” contra a crise institucional – ocorre em contexto de questionamentos sobre o lawfare, prática que distorce o devido processo legal em favor de agendas específicas.
Críticos argumentam que o processo do Mensalão se caracterizou pelo uso estratégico do sistema de justiça e da mídia com o objetivo de criminalizar e deslegitimar um projeto político específico, destacando o protagonismo do Supremo Tribunal Federal num julgamento com espetacularização midiática.
Joaquim Barbosa já flertou com a Presidência em 2018, filiado ao PSB, mas desistiu.
Hoje, aos 71 anos, o jurista que se aposentou voluntariamente do STF em 31 de julho de 2014 traz consigo a bandeira da ética pública e da reforma profunda no Judiciário.
O presidente do DC, ex-deputado João Caldas (AL), afirma que pesquisas qualitativas mostram forte identificação do eleitorado com o nome do ex-ministro.
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FAQ Rápido
1. Quando Joaquim Barbosa filiou-se ao DC?
Em 2 de abril de 2026, data que marcou o fim do prazo legal para filiações.
2. Qual o principal escândalo julgado por ele?
O Mensalão (Ação Penal 470), no qual atuou como relator e condenou réus de alto escalão, incluindo Roberto Jefferson.
3. Por que o DC trocou Aldo Rebelo por Barbosa?
Pesquisas internas mostraram que a pré-candidatura de Rebelo não decolou, enquanto o nome de Barbosa apresenta alto apelo ético e popular.
Circulam relatos de fissuras internas no DC após a filiação, com dirigentes de São Paulo questionando a viabilidade do nome.
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