‘Jair Rousseff’: a fake news camuflada da Folha é a piada pronta do momento

23/08/2020 1 Por Adriana Farias

Editorial ‘O QUE A FOLHA PENSA explicado em texto revelador sobre O QUE A FOLHA QUER com sua publicação que beira o deboche

Depois dos burburinhos nas redes sociais, fui ler, com um dia de atraso… O meu olhar para a leitura se resume em: esse editorial foi uma narrativa, distorcida da realidade, que beira ao cúmulo do deboche. Sim. A Folha abriu precedentes para fazer do atual governo, e do próprio jornal, o maior dos deboches já vistos na história da imprensa.

Às vezes me confundo com as sátiras de Marcelo Adnet ou Gregorio Duvivier e só me dou conta que não são eles quando volto ao topo e leio: folha.uol ou o nome do jornalista. Uma pena que, no editorial, a Folha teve que distorcer sobre os motivos que levaram ao Golpe da Dilma – a Folha vive um dejavú: não saiu do “looping” de 2015. Vive e revive 2015 como se não houvesse amanhã.

Ela, Folha, que compactuou com o golpe, que “comprou” o discurso da pedalada. Que apoiou o Teto de Gastos do Temer… do TEMER. Que demitiu sei lá quantos funcionários depois de aprovada a Reforma Trabalhista e foi, por isso, motivo de deboche do #Jair, mas não da #Rousseff.

A Folha, cujo apelo às assinaturas têm aumentado após o Jair, mas não a Rousseff, ameaçar que cortaria a assinatura e chegou até a fazer um edital de licitação sem a referida imprensa. Obviamente que veio a retratação até porque por lei não se pode excluir quem tenha interesse em participar de licitação.

Contudo, conhecendo bem a estratégia de Bolsonaro, o resultado surtiu na queda de assinantes. Mesmo que a Folha se mantenha no topo de assinantes online, esse número ainda é bem inferior quando comparado a 2014 (O jornal online Poder 360 fez essa comparação). Ou seja, no governo da Rousseff, a Folha tinha muito mais assinantes que no governo do Jair.

A Folha fez campanha para Aécio Neves! E só vem despencando desde então. Ponto! Eu pararia meu deboche aqui. Porque é hilário esse satanismo ao governo Dilma e o tiro no pé é visível. Uma assinatura no jornal impresso equivale a 7 assinaturas no jornal online: considerando o primeiro mês de desconto e que, após o período, poucos migram para a continuidade da assinatura.

Além dos caminhos alternativos que se usa para abrir as matérias que são fechadas sem pagar um centavo por isso… Mas vou além. Satirizei a leitura porque não há outro modo de ler o editorial. Essa comparação é surreal. Mas eu suponho onde ela queira chegar.

Folha pedindo impeachment do Jair? E eis que a Folha, mais uma vez, usa a narrativa para causar polêmica. Piadista essa Folha, hein? Voltando no tempo, se olharmos aprovação do governo da Dilma no mesmo tempo que o Jair está no governo, ela teve mais êxito! Ou seja: Rousseff foi bem avaliada em seu primeiro governo, mas não Jair.

Essa narrativa construída no editorial da Folha servirá para coach de sucesso futuro: “como destruir sua carreira, mesmo estando no topo”. Isso pra quem acredita em coach, obviamente! Não é o meu caso.Um outro ataque sistêmico que observei foi na tentativa de atingir a “jugular do Jair”: Dilma Rousseff é o terror do Jair Bolsonaro. Compara-lo com o Lula surtiu um efeito positivo. Deu aquela sensação de que os arrependidos não fizeram a escolha errada. “Ah! Se estão comparando com o Lula, o melhor avaliado até aqui, fiz a escolha certa”. Isso aumentou o apoio ao governo. Mas com Dilma poderá ter um apelo negativo (aos olhos da Folha).

Agora, na tentativa de manter apoio ao Guedes (o “dono” das “finanças”), de forma sutil, sinalizando que apoia a manutenção do Teto de Gastos cai por terra ao afirmar que “não houve amplo debate na seguridade após o impacto devastador da pandemia”. Aqui, nesse contexto, a Folha mistura os pacotes. Ou defende manutenção do Teto ou defende enfrentamento à crise pandêmica.

As duas coisas é surreal e fora da casinha, convenhamos. Definir seguridade apenas à saúde em relação à pandemia é de um mau caratismo deprimente. Não houve debate expressivo sobre seguridade vírgula, a Reforma da Previdência foi aprovada!! Não houve debate sobre a pandemia vírgula. A imprensa estava indo bem.

Mas o Jair fez tanto descaso que demitiu dois Ministros da Saúde que dialogavam sobre estratégias de contenção do vírus. Hoje, a “folha” (com f minúsculo) prefere fazer um editorial comparando Jair com Dilma (totalmente fora de contexto), mas não diz nada sobre como líderes mundiais combateram a crise pandêmica ao optar pelo isolamento social total (nunca feito por aqui).

A Folha sequer sinalizou apoio a esse modelo. Aliás não vi esse apoio pela imprensa nacional. Resultado: a crise pandêmica. Sabendo que o que repercute na mídia é motivo para agenda política, a Folha também pecou nessa parte. Então, se não houve o debate do jeito que a Folha enxerga, não foi por falta de apelo público. Ela também contribuiu para não tê-lo.

E, por fim… A folha presta um desserviço ao se manter no looping de 2015 e não dizer que os processos da Dilma a favoreceram e não a condenaram. Dilma sofreu um impeachment sem ter cometido crime de responsabilidade fiscal. Ao passo que esse governo já cometeu inúmeros e não largou a cadeira porque temos um empresariado (e uma imprensa) apoiando Paulo Guedes, mas não Jair.

É notório que a Folha não aguenta mais o Jair, mas como não funcionou o apelo à comparação com o Lula, restou apelar para o estopim do golpe: o impeachment da Dilma. Por ter o povo comprado a narrativa que ela quebrou o país. Nem Temer nem Jair conseguiram recuperar a economia mesmo antes da pandemia.

E o pós-pandemia, após a retirada de todos os benefícios da classe trabalhadora, restará em mais miséria e fome se as políticas públicas não seguirem um curso adequado. Quem vai alimentar as bocas famintas, a Folha? O Guedes? Não né!Se Jair não surfar nas políticas públicas prevendo redução da pobreza e taxar grandes fortunas (como a dos donos da Folha), o país não se desenvolve e o Jair não se reelege. E esse é o medo da Folha: ser tributada por grandes fortunas. Da Folha? Não, obviamente, mas dos seus donos, sim!

Por isso digo: o apoio ao Paulo Guedes desde que os donos do capital não sejam taxados! E só. Essa é a real preocupação do “Mercado” sinalizado pela Folha nesse editorial de 22/08/2020. Portanto, a Folha não quer o impeachment. Ela não quer a reeleição do Jair. Nem da esquerda.

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