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Jaguar Land Rover interrompe envio de carros para os EUA em reação ao tarifaço de Trump

    Presidente insiste que os americanos devem “aguentar firme“, defendendo que as tarifas trarão benefícios a longo prazo, embora reconheça que “não será fácil” – SAIBA MAIS

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    Londres, 6 de abril de 2025

    A montadora britânica Jaguar Land Rover (JLR), conhecida por seus veículos de luxo, anunciou a suspensão temporária do envio de carros fabricados no Reino Unido para os Estados Unidos.

    A medida, que entrou em vigor em abril de 2025, é uma resposta direta às novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, que incluem uma taxa de 25% sobre todos os carros importados.

    A decisão reflete os desafios enfrentados pela indústria automotiva britânica diante das políticas protecionistas americanas, levantando preocupações sobre empregos e o futuro do comércio internacional.

    Boneco inflável ‘bebê Trump’ usado durante protesto em Londres, no ano de 2018 | Foto: Peter Nicholls/ Reuters

    JLR Defender | Imagem divulgação Jaguar Land Rover

    TARIFAS DE TRUMP IMPACTAM O MERCADO AUTOMOTIVO GLOBAL

    As tarifas, implementadas a partir de 3 de abril de 2025, fazem parte de um plano econômico anunciado por Trump para “impulsionar” a economia dos EUA.

    Além do imposto de 25% sobre veículos leves importados, uma tarifa adicional de 10% sobre bens de diversos países entrou em vigor em 5 de abril, com taxas ainda mais altas previstas para outros parceiros comerciais, como a União Europeia (20%), a partir da próxima semana.

    Segundo o The Guardian, a JLR, uma das maiores produtoras de automóveis do Reino Unido, decidiu pausar as remessas por um mês enquanto avalia estratégias para mitigar os custos adicionais.

    A empresa, pertencente à indiana Tata Motors, exporta cerca de 400 mil unidades anualmente, sendo os EUA seu segundo maior mercado, respondendo por quase um quarto das vendas globais.

    Modelos como Range Rover Sport e Defender são particularmente populares entre consumidores americanos.

    Conforme reportado pela BBC News, a JLR já possui um estoque de veículos nos EUA suficiente para alguns meses, o que pode evitar impactos imediatos no abastecimento.

    REACÃO DA INDÚSTRIA E PREOCUPAÇÕES NO REINO UNIDO

    A pausa nas exportações da JLR não é um caso isolado. Especialistas, como David Bailey, da Universidade de Birmingham, preveem que outras montadoras podem adotar medidas semelhantes enquanto analisam o cenário.

    O setor automotivo britânico, que emprega diretamente 200 mil pessoas e exportou 8,3 bilhões de libras (cerca de 10,7 bilhões de dólares) em veículos para os EUA em 2024, está especialmente vulnerável.

    A produção de carros no Reino Unido já caiu 13,9% no último ano, totalizando 779.584 unidades, segundo a SMMT (Sociedade de Fabricantes e Comerciantes de Motores).

    Em Solihull, onde a JLR mantém uma fábrica que emprega 9 mil trabalhadores, o clima é de apreensão devido a temores de demissões, com o Instituto de Pesquisa de Políticas Públicas estimando que até 25 mil empregos no setor automotivo britânico podem estar em risco devido às tarifas.

    Residentes locais expressaram preocupação com o impacto econômico em uma região historicamente ligada à manufatura de veículos.

    ESTRATÉGIAS DA JLR E PERSPECTIVAS FUTURAS

    A JLR afirmou, em comunicado divulgado pelo NBC News, que a suspensão é uma medida de curto prazo, enquanto a empresa desenvolve planos de médio e longo prazo em parceria com seus distribuidores.

    Os EUA são um mercado crucial para nossas marcas de luxo. Estamos tomando ações temporárias, incluindo a pausa nos envios em abril, para nos adaptarmos às novas condições comerciais“, declarou um porta-voz.

    A montadora, que gerou receita de 5 bilhões de libras no Reino Unido até março de 2024, segundo o The Telegraph, já vinha estocando veículos nos EUA antes das tarifas, o que resultou em aumentos expressivos nas exportações nos últimos meses (38,5% em dezembro, 12,4% em janeiro e 34,6% em fevereiro).

    Analistas consultados pelo The New York Times apontam que montadoras de luxo como JLR, Bentley e Aston Martin enfrentam um dilema único: suas vendas relativamente pequenas não justificam a construção de fábricas nos EUA, tornando-as mais dependentes de exportações e, consequentemente, mais expostas às tarifas.

    Enquanto isso, o Newsweek destaca que as tarifas podem elevar os preços de carros novos e usados nos EUA, com o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, alertando para um possível aumento da inflação.

    IMPLICAÇÕES GLOBAIS E RESPOSTA POLÍTICA

    O governo britânico, liderado por Keir Starmer, busca negociar um acordo comercial com os EUA para minimizar os danos, conforme noticiado pelo The Independent. Starmer afirmou que a resposta do Reino Unido será “guiada pelo interesse nacional“, enquanto críticos sugerem uma coordenação mais estreita com aliados como a União Europeia e a Commonwealth.

    Trump, segundo o BBC News, insiste que os americanos devem “aguentar firme“, defendendo que as tarifas trarão benefícios a longo prazo, embora reconheça que “não será fácil“.

    A decisão da JLR marca o início de uma reconfiguração no comércio automotivo global, com potenciais reverberações econômicas em ambos os lados do Atlântico.

    Enquanto a montadora planeja seu próximo passo, o mundo observa os desdobramentos de uma política que pode redefinir as cadeias de suprimento internacionais.

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