Governo brasileiro informou a autoridades de Roma que ex-parlamentar deve cumprir pena na Penitenciária Feminina do complexo penitenciário conhecido como ‘Colmeia’
A Corte de Apelação de Roma julga em 20/jan o pedido de extradição de Carla Zambelli, ex-deputada condenada pelo STF. Itamaraty espera aprovação, destacando condições seguras na Penitenciária Feminina do DF (Colmeia). MP italiano aprova, refutando perseguição política. Zambelli está presa em Rebibbia desde julho/2025, após fuga via Argentina e EUA. Governo otimista com decisão iminente.
Brasília (DF) · 20 de janeiro de 2026
A Corte de Apelação de Roma examina nesta terça-feira, 20/jan, o requerimento brasileiro para a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, que abdicou do mandato parlamentar no mês anterior após o Supremo Tribunal Federal (STF) decretar a cassação de seu cargo.
O Itamaraty nutre expectativas positivas quanto à aprovação, com o debate agendado para iniciar às 13h no horário local italiano, correspondente às 9h em Brasília.
O julgamento, originalmente previsto para 18/dez do ano passado, sofreu postergação a solicitação da defesa, que pleiteou prazo adicional para examinar os anexos enviados pelas autoridades brasileiras acerca do aparato carcerário nacional.
Desde julho de 2025, Zambelli permanece detida no complexo penitenciário de Rebibbia, nos subúrbios de Roma. Qualquer que seja o desfecho, persiste a possibilidade de apelação à Corte de Cassação da Itália, instância derradeira do judiciário local.
Para persuadir as instâncias italianas de que Zambelli não enfrentaria perigos no sistema prisional brasileiro, o governo do presidente Lula remeteu dados detalhados sobre o local de cumprimento da pena e as condições gerais para detentas femininas, incluindo provisões específicas para sua salvaguarda.
De acordo com a documentação oficial, caso repatriada, ela seria alocada na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, apelidada de Colmeia, onde presas em regime fechado, semiaberto e provisórias são segregadas em blocos autônomos, prevenindo interações entre diferentes categorias.
Uma inspeção recente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), datada de agosto de 2025 e acessível em seu portal, qualificou as condições da Colmeia – situada na região administrativa do Gama, a 35 quilômetros do núcleo de Brasília – como satisfatórias.
A Vara de Execuções Penais do DF enfatiza que a unidade implementa protocolos de vigilância e prevenção de violações de direitos, com fiscalizações regulares por entidades de controle e aparatos internos de supervisão.
“Registra-se que nunca houve rebelião na PFDF. No sistema prisional destinado ao público masculino, o último episódio de rebelião data de 2001 — o que evidencia a capacidade de controle e atuação técnica da Polícia Penal do Distrito Federal”, destaca o relatório encaminhado às autoridades italianas, conforme relatado pelo O Globo.
O Ministério Público da Itália já emitiu parecer favorável à extradição, ao constatar ausência de perseguição política ou obstrução à defesa no processo que culminou na condenação unânime de Zambelli pela Primeira Turma do STF em maio de 2025.
Para os procuradores italianos, as resoluções judiciais brasileiras ancoram-se em evidências robustas, como artefatos apreendidos e interceptações telefônicas, refutando alegações de motivação ideológica.
O procurador Erminio Carmelo Amelio observou que Zambelli detém cidadania italiana meramente formal, sem residência ou integração social no país, com seus interesses centrados no Brasil, onde exercia função legislativa.
A trajetória de evasão de Zambelli iniciou em 24/mai de 2025, ao cruzar a fronteira com a Argentina em Foz do Iguaçu (PR), zona sem fiscalização migratória rigorosa.
De Buenos Aires, prosseguiu para a Flórida, nos Estados Unidos, via aérea comercial, antes de rumar a Roma em junho, crendo-se imune devido à dupla nacionalidade. Horas após, seu nome integrou a lista vermelha da Interpol. Após mais de um mês em local incerto, foi capturada em julho.
Em meio a otimismo do governo brasileiro, que enxerga o cerco se estreitando, a decisão pode emergir ainda hoje, embora a corte possa optar por deliberação posterior. Portanto, há confiança governamental na extradição, com possibilidade de veredicto nesta data.

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