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IstoÉ mostra um dos motivos pelo qual Bolsonaro afunda nas pesquisas e não sabe o motivo

    Um retrato cruel de como o Estado trata pobres e negros enquanto o presidente fomenta a truculência da polícia e debocha das regras que levaram à morte de Genivaldo em uma câmara de gás improvisada pela PRF, diz revista

    A revista IstoÉ colocou no ar, nesta sexta-feira (3/6), uma extensa publicação, endossada pelos jornalistas Marcos Strecker, Mirela Luiz e Fernando Lavieri, que mostra, aos mais atentos, porque o presidente Jair Bolsonaro (PL) segue afundando nas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de outubro, que tem LULA como favorito, podendo ganhar já na primeira fase, e não sabe o motivo.

    Os jornalistas mostram uma “desigualdade que mata” no Brasil, quando apontam, conforme texto do lead após o título ‘Morte de Genivaldo é o retrato cruel de como pobres e negros são tratados pelo Estado‘, que “o presidente fomenta a truculência da polícia e debocha das regras que levaram à morte de Genivaldo em uma câmara de gás improvisada” por agentes da PRF (Polícia Rodoviária Federal.

    Após descrever o perfil, contar a história e relatar a morte de Genivaldo de Jesus Santos pela “má conduta de agentes públicos“, o texto aponta para “uma política de Estado que se perpetua” e evidencia “a truculência e o despreparo da polícia, que pune estratos pobres da população, especialmente negros, que precisam sobreviver a uma sociedade injusta que lhes nega condições de ascensão, direitos mínimos como saúde e educação e, inclusive, segurança“.

    Dada a gravidade das cenas que chocaram o mundo, entidades como o MPF, OAB e a ONU se manifestaram em favor de mudanças na corporação. Além disso, a Comissão de Direitos Humanos do Senado acompanhará investigações, a cargo da Polícia Federal.

    Há dúvidas sobre o resultado dessas apurações, pois há um histórico de impunidade. O delegado da PF a cargo do caso declarou que “não via motivos” para a prisão dos agentes envolvidos. A versão da ocorrência policial foi alterada mais de uma vez e apontou “mal súbito” como a causa do óbito. Já o laudo mostrou que Genivaldo morreu por asfixia, como as imagens que chocaram o País sugerem. Dois diretores da PRF dispensados após o episódio na verdade foram promovidos. Já tinham sido designados para a função de oficial de ligação no Colégio Interamericano de Defesa, em Washington (EUA), onde devem ganhar R$ 69 mil mensais. A PRF se contradisse. Havia declarado que Genivaldo “resistiu ativamente a uma abordagem e que, em razão da sua agressividade, foram empregados técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo para sua contenção”. Depois da comoção nacional, mudou de posição. Declarou que “assistia com indignação os fatos ocorridos e que não compactua com as medidas adotadas durante a abordagem, nem com qualquer afronta aos direitos humanos”.

    O texto segue abordando outros casos crescentes no país, especialmente, e não apenas, de agentes da PRF, mas também guardas civis municipais, seguranças de shopping e retorna à polêmica ação policial na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, para argumentar que “a tragédia de Sergipe coloca em evidência mais uma vez a forma como o racismo atua.

    A revista expõe declarações de pessoas expondo a falta de integração social cada vez maior dos negros no Brasil e até cita Joaquim Nabuco e Gilberto Freyre como os influenciadores contrários a lógica da Casa-Grande e Senzala. Depois revela que mais de 80% dos mortos pela polícia são negros e que o rendimento médio domiciliar per capita de pretos e pardos é praticamente a metade do que os brancos ganham. Outros dados mostram apenas 14,2% magistrados pardos e 1,4% magistrados pretos em 2013, sendo a imensa maioria brancos (83,8%). Há ainda a inclusão, pela revista, de um estudo de pesquisadores apontando que os brancos têm o dobro de chance de se eleger deputado em relação aos candidatos negros.

    O caso Genivaldo escancara os efeitos perversos de quando as desigualdades sociais são consideradas como uma questão menor. Os programas de transferência de renda trazem benefícios imensos, e por isso não podem parar ou ser desorganizados como aconteceu com a substituição de um programa consolidado e bem estruturado (Bolsa Família) por um produto meramente eleitoral (Auxílio Brasil), dizem os jornalistas antes de uma transcrição de uma opinião, a de que no “presente governo” a “questão social nem mesmo é pensada” e que essa é a “administração federal mais amadora que já tivemos“.

    A revista diz ainda que “o aumento da violência está no DNA da atual gestão” e lembra que a declaração dada por Bolsonaro após a morte de Genivaldo foi de que a PRF faz um trabalho “excepcional”, apesar dele ter lamentado o ocorrido e defendido investigação “sem exageros e sem pressão por parte da mídia, que sempre tem um lado, o lado da bandidagem”.

    Depois disso, diz a revista, Bolsonaro retorna às passeatas “sem capacete“, que foi o motivo que causou a morte de Genivaldo.

    Assim como debochou das vítimas do coronavírus, na semana passada agiu com escárnio diante do caso que ainda comovia o País. Mostrou de novo a exaltação da ilegalidade e o poder irrestrito das autoridades: na prática, uma aula sociológica da miséria brasileira“, escreveram os jornalistas.

    Por fim, sobre a ação na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, a revista questiona “por que agentes da PRF estavam às três horas da madrugada dentro da favela e não fiscalizando nas rodovias?” E responde: “Porque as corporações policiais se tornaram um poder paralelo”.

    Sob a gestão Bolsonaro, o mundo observa estes casos, que chamaram a atenção de entidades como a CIDH, ligada à OEA, que alertou: o Brasil tem o “dever de garantir o cumprimento das normas internacionais sobre o uso da força com base nos princípios da legalidade”.

    Os três editores do texto pontuam afirmando que “os métodos inaceitáveis da polícia são apenas a ponta do iceberg de um mal social e precisam mudar. E o governo ignora casos bem-sucedidos, como a adoção de câmeras nos uniformes dos policiais de São Paulo, que derrubou o número de homicídios“.

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