Força Interina das Nações Unidas no Líbano afirma que “invadir e entrar em uma posição da ONU é uma violação flagrante adicional do direito internacional” e descreve como “violações chocantes” as ações israelenses
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Dois tanques das IDF (Israel Defense Forces [Forças de Defesa de Israel]) destruíram o portão principal de uma base da missão de paz da UNIFIL (United Nations Interim Force in Lebanon [Força Interina das Nações Unidas no Líbano]) e invadiram o local, disse o grupo.
A UNIFIL foi criada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1978, após a invasão israelense no sul do Líbano. O Conselho de Segurança da ONU adotou a resolução, estabelecendo um período inicial de missão de seis meses, com o objetivo de auxiliar o exército libanês na segurança da fronteira e na manutenção da paz na região.
Mais cedo, diz a nota, soldados da paz da base, que fica em Ramyah, no sul do Líbano, observaram três pelotões de soldados das IDF cruzando a Linha Azul para o território libanês. O quartel-general da missão de paz já havia denunciado, na sexta-feira (11/10), ter sofrido o segundo ataque em 48 horas por parte de forças israelenses, que lutam contra o Hezbollah na fronteira entre os dois países.
Ao todo, quatro soldados de paz, os “capacetes azuis“, ficaram feridos nas duas ações, que foram alvo de fortes escrutínio da comunidade internacional. Cerca de 9.500 soldados de mais de dez países diferentes estão destacados para a missão.
O Brasil integrou a UNIFIL com um rodízio das embarcações fragata Liberal, fragata União, fragata Constituição e Corveta Barroso, entre 24 de fevereiro de 2011 e 15 de janeiro de 2021.
A Linha Azul é uma linha de retirada temporária criada pela ONU em 2000 para confirmar a retirada das forças israelenses do sul do Líbano. Ela se estende por 120 km ao longo da fronteira sul do país e da fronteira norte de Israel. As forças de manutenção da paz da UNIFIL são responsáveis pelo local, considerando fundamental para a paz na região.
Segundo a UNIFIL, no momento que os tanques destruíram o portão e invadiram a base, os soldados do local estavam em abrigos. Após a invasão, militares israelenses pediram várias vezes que o local apagasse suas luzes.
“Os tanques saíram cerca de 45 minutos depois que a UNIFIL protestou por meio de nosso mecanismo de ligação, dizendo que a presença da IDF estava colocando os soldados da paz em perigo“, pontua o comunicado. Posteriormente, após a saída, bombas explodiram a 100 metros de distância da base. Elas emitiram fumaça.
“Apesar de usarem máscaras de proteção, 15 soldados da paz sofreram efeitos, incluindo irritação na pele e reações gastrointestinais, depois que a fumaça entrou no acampamento. Os soldados da paz estão recebendo tratamento“, disse a UNIFIL, acrescentando que, no sábado (12/10), soldados das IDF interromperam um comboio logístico próximo a Meiss Ej Jabal, no Líbano, negando a passagem.
“Pela quarta vez em tantos dias, lembramos a IDF e todos os atores de suas obrigações de garantir a segurança do pessoal e da propriedade da ONU e de respeitar a inviolabilidade das instalações em todos os momentos“, diz o comunicado. “Invadir e entrar em uma posição da ONU é uma violação flagrante adicional do direito internacional e da Resolução 1701 (2006) do Conselho de Segurança” e “qualquer ataque deliberado a forças de paz é uma violação grave do direito internacional humanitário. O mandato da UNIFIL prevê sua liberdade de movimento em sua área de operações, e qualquer restrição a isso são violações chocantes“.
Papa Francisco
Neste domingo (13/10), o Papa Francisco pediu “respeito” aos capacetes azuis: “Sinto-me próximo de todos os povos envolvidos, Palestina, Israel, Líbano, onde peço que os soldados de manutenção da paz da ONU sejam respeitados“, declarou o pontífice argentino no Vaticano.
“Peço mais uma vez um cessar-fogo imediato em todas as frentes e que sejam seguidos os caminhos da diplomacia e do diálogo para alcançar a paz“, disse o líder religioso da Igreja Católica, no final da oração do Angelus, na qual também rezou “pelas vítimas, os deslocados e os reféns“.
“Irmãos e irmãs, a guerra é uma ilusão. Nunca trará paz ou segurança, é uma derrota para todos, especialmente porque acreditamos que somos invencíveis. Por favor, parem“, disse o Papa Francisco, que também manifestou sua preocupação com a situação na Ucrânia, depois de ter se reunido na sexta com o presidente Volodimir Zelensky no Vaticano, com quem discutiu os meses difíceis que se aproximam devido à chegada do inverno boreal, os bombardeios da rede elétrica e o avanço das tropas russas.
Cobrança de Netanyahu
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu a retirada da UNIFIL das áreas controladas pelo Hezbollah, alegando que a presença da força de paz fornece “escudos humanos aos terroristas“. O conflito entre Israel e o Hezbollah se intensificou após ataques de foguetes em apoio ao Hamas, e desde o início de outubro, as IDF têm feito operações terrestres no Líbano.
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