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Israel desrespeita TIJ, ataca Rafah e queima pessoas vivas – Imagens fortes viralizam nas redes sociais

    Relatos de sobreviventes transmitem o horror após descumprimento das ordens do Tribunal Internacional de Justiça – Ministro das Finanças diz que parar a guerra implicaria o fim de Israel

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    O exército israelense bombardeou um campo de refugiados no norte de Rafah, matando pelo menos 35 palestinos, informou o Ministério da Saúde de Gaza, no final deste domingo (26/5). Mais cedo, a ala militar do Hamas havia lançado um ataque com vários mísseis em direção a Tel Aviv, acionando sirenes de alarme, disse o ‘Al Jazeera‘.

    Antes, as Brigadas Qassam – considerado o braço militar da organização extremista Hamas, afirmaram que seus combatentes “mataram e capturaram” um número não identificado de soldados israelenses no campo de Jabalia, o que Israel nega enquanto intensifica os ataques em toda a Faixa de Gaza, matando mais de 80 palestinos nas últimas 24 horas.

    Estima-se que desde 7 de outubro, data do atentado histórico do Hamas em Israel, pelo menos 35.984 palestinos foram mortos e até 80.643 pessoas ficaram feridas, enquanto o número de óbitos israelenses naquele dia inicial foi de 1.139, com dezenas de reféns ainda mantidos em cativeiro.

    ‘Eles queimaram pessoas vivas’

    Sobreviventes do ataque de Rafah à Al Jazeera: “Eu estava caminhando e olhando para o meu telefone quando a área foi atingida“, disse um homem. “Eu não percebi o que tinha acontecido. Eu não tinha ideia do que tinha acontecido com a minha família. Minha mãe estava comigo, e meu irmão ficou ferido no campo. Caí no chão e vi que minha perna estava aberta“, acrescentou.

    O ataque aéreo israelense “queimou um quarteirão inteiro“, disse outro sobrevivente, acrescentando que “eles queimaram pessoas vivas“.

    Israel fez breve comunicado para informar que seus ataques em Rafah, que deixaram pelo menos 35 mortos, na maioria mulheres e crianças, visaram um “complexo da organização terrorista Hamas em Rafah, onde se encontravam terroristas-chave da organização e que foram realizados “de acordo com o direito internacional, usando munições precisas e com base em inteligência preliminar que indicava o uso da área por terroristas“.

    O exército israelense acrescentou que está ciente de “alegações” de um incêndio na área que abriga abrigos da ONU, o que levou “um certo número de pessoas não envolvidas” a se ferir.

    O fundador da Human Rights Watch, Aryeh Neier, um ativista judeu de direitos humanos de longa data, cuja família fugiu da Alemanha nazista para os Estados Unidos em 1939, quando ele tinha dois anos, diz que foi convencido de que o exército israelense está cometendo “genocídio” em Gaza.

    Ao longo do tempo, Israel obstruiu a entrega de assistência humanitária a Gaza, e aqueles que foram mais severamente vitimados não são membros do Hamas”, disse em entrevista da ‘CNN‘. Segundo Neier, homens armados frequentemente encontram uma maneira de se alimentar, enquanto são as crianças vulneráveis que estão gravemente desnutridas em toda a área.

    Pensei que a obstrução severa na entrega de assistência humanitária constituía genocídio“, disse o ativista humanitário acrescentando que a quantidade de alimentos, água, medicamentos e combustível que o exército israelense permitiu entrar em Gaza desde o início da guerra tem sido “inteiramente inadequada“, apontando também que o Programa Mundial de Alimentos afirmou que a fome está em curso no território palestino.

    Na sexta-feira (24/5), o Tribunal Internacional de Justiça de Haia fez a sua terceira intervenção no conflito, ordenando a Israel, após decisão por treze votos contra apenas dois, a suspensão imediata da “ofensiva militar ou qualquer outra ação na província de Rafah que possa infligir aos palestinianos em Gaza condições de vida susceptíveis de provocar a sua destruição física total ou parcial”.

    A decisão foi lida pelo juiz presidente, Nawaf Salam, e respondeu a um pedido de emergência feito pela África do Sul no âmbito do processo interposto contra Israel pelo genocídio em curso em Gaza. O TIJ também havia solicitado a prisão de três líderes do Hamas, do primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e de seu ministro da Defesa.

    O Hamas acolheu a decisão, mas considerou-a insuficiente, instando o Conselho de Segurança da ONU a tomar medidas imediatas e permitir comissões para investigar crimes de guerra em Gaza. A Autoridade Palestina elogiou a decisão como um consenso para parar a guerra total no enclave, enquanto o chefe de política externa da UE reconheceu a escolha consequente entre apoiar o Estado de direito internacional ou Israel.

    Do lado israelita, não parecia haver disposição para cumprir as ordens do TIJ, uma vez que os bombardeamentos continuaram pouco depois da decisão. Ministros israelitas reiteraram o compromisso de lutar pelo retorno de reféns e garantir a segurança dos cidadãos. Alguns, como o Ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, foram ainda mais longe, sugerindo que parar a guerra implicaria o fim de Israel.

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