Jerusalém aceita dialogar no Catar sobre trégua de 60 dias com o Hamas, apesar de mudanças “inaceitáveis” propostas pelo grupo. Negociações buscam libertação de reféns e alívio humanitário em Gaza
RESUMO <<Israel enviará delegação ao Catar para negociar trégua de 60 dias com o Hamas, apesar de discordâncias. Netanyahu busca libertação de reféns, enquanto Gaza enfrenta crise humanitária>>
Doha, 06 de julho de 2025
Israel anunciou que enviará uma delegação ao Catar no domingo, 6 de julho de 2025, para negociações indiretas com o Hamas sobre um novo cessar-fogo em Gaza e a libertação de reféns.
A decisão, confirmada pelo gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ocorre mesmo após ele classificar as alterações propostas pelo Hamas ao plano de mediadores do Catar, EUA e Egito como “inaceitáveis”.
A proposta prevê uma pausa de 60 dias nas hostilidades, com troca de reféns por prisioneiros palestinos e entrada de ajuda humanitária em Gaza.
Na sexta-feira, o Hamas expressou uma “resposta positiva” à proposta, mas solicitou ajustes, incluindo garantias de que os combates não serão retomados caso as negociações para uma trégua permanente falhem.
Um funcionário palestino destacou que o grupo exige a distribuição de ajuda exclusivamente por organizações como a ONU e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, além da retirada total das tropas israelenses às posições anteriores ao colapso do último cessar-fogo, em março de 2025.
A situação em Gaza permanece crítica. O Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas, relatou que 80 pessoas morreram em ataques israelenses nas últimas 24 horas até domingo.
Um bombardeio em al-Mawasi no sábado matou 7 pessoas, incluindo um médico e seus 3 filhos, segundo um hospital em Khan Younis.
Além disso, dois funcionários americanos da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), apoiada por Israel e EUA, ficaram feridos em um ataque com granada em Khan Younis, atribuído ao Hamas por autoridades de ambos os países.
Apesar das tensões, Netanyahu autorizou a continuidade das negociações, com a delegação partindo para Doha para buscar a libertação de 50 reféns ainda mantidos em Gaza, dos quais 20 estariam vivos.
A proposta inclui a liberação escalonada de 10 reféns vivos e os corpos de 18 outros, além da entrada imediata de ajuda humanitária.
No entanto, o Hamas insiste em garantias de um cessar-fogo duradouro, enquanto Netanyahu mantém que a guerra só terminará com a destruição das capacidades militares e governamentais do grupo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, que se reunirá com Netanyahu na segunda-feira, 7 de julho, tem pressionado por um acordo, expressando otimismo sobre um possível avanço na próxima semana.
Ele destacou que Israel aceitou as “condições necessárias” para a trégua de 60 dias, que também prevê negociações para um fim definitivo do conflito.
Em Tel Aviv, milhares de manifestantes, incluindo familiares de reféns, como Yechiel Yehoud, cuja filha Arbel Yehoud foi libertada em um cessar-fogo anterior, exigiram um acordo abrangente.
No entanto, a oposição interna em Israel é forte. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, defendeu a “conquista total de Gaza” e a interrupção de toda ajuda humanitária, além de incentivar a emigração palestina, uma postura que contrasta com as demandas de trégua.
Enquanto isso, em Gaza, a população enfrenta uma crise humanitária agravada, com 57.338 mortos desde o início do conflito em 7 de outubro de 2023, segundo o Ministério da Saúde local.
As negociações em Doha serão cruciais para superar as divergências. Mediadores do Catar, EUA e Egito enfrentam o desafio de alinhar as demandas do Hamas por um fim permanente da guerra com a posição de Israel, que busca neutralizar o grupo antes de qualquer trégua definitiva.
A comunidade internacional acompanha de perto, enquanto as famílias dos reféns e os civis em Gaza aguardam um alívio para o sofrimento prolongado.![]()








