Revelações sobre pagamentos a influenciadores, geofencing em igrejas e manipulação de algoritmos de inteligência artificial expõem bastidores da estratégia de Tel Aviv para reconquistar apoio nos Estados Unidos
Revelações do pesquisador Nick Cleveland-Stout, do Quincy Institute, expõem a campanha milionária de Israel para influenciar a opinião nos EUA. Com 750 milhões de dólares anuais, o plano inclui pagamentos a influenciadores via Projeto Esther (até 7 mil dólares por post), manipulação de IA por Brad Parscale (contrato de 6 milhões) e geofencing em igrejas pela Show Faith by Works (3,2 milhões). Visando evangélicos e jovens, a estratégia supervisionada por Eran Shaovic no Projeto 545 busca reverter críticas ao conflito em Gaza, onde metade dos americanos vê genocídio. Fontes como Jerusalem Post, Sludge e Responsible Statecraft confirmam contratos sob FARA, destacando tentativas de recrutar celebridades como Chris Pratt e Steph Curry. Essa operação levanta debates sobre transparência e interferência estrangeira, intensificando o escrutínio sobre laços EUA-Israel.
Washington, DC · 10 de janeiro de 2026
Em meio a crescentes questionamentos sobre sua política externa, o governo de Israel intensifica esforços para moldar a percepção pública nos Estados Unidos, principal aliado que já destinou mais de US$ 17 bilhões em assistência militar desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Revelações recentes, lideradas pelo pesquisador Nick Cleveland-Stout, do Quincy Institute for Responsible Statecraft – uma entidade antiguerra sediada em Washington, DC –, desvendam uma operação multifacetada que abrange redes sociais, influenciadores digitais e até ferramentas de inteligência artificial.
Cleveland-Stout, em análise divulgada em canais como o do jornalista brasileiro Bob Fernandes, enfatiza a urgência dessa estratégia: “o governo de israel está conduzindo uma campanha agressiva para influenciar o que você vê nas redes sociais e na internet“.
Ele destaca que, diante de uma mudança de opinião – com metade dos norte-americanos acreditando que Israel comete genocídio em Gaza –, o plano anual orçado em 750 milhões de dólares visa preservar o apoio de grupos chave, como conservadores evangélicos e jovens.
Um dos pilares dessa ofensiva é o Projeto Esther, administrado pela firma privada Bridges Partners.
Documentos obtidos por Cleveland-Stout revelam que Israel remunera entre 14 e 18 influenciadores de mídias sociais com até US$ 7 mil por postagem pró-Israel:
“Esse documento revelou que Israel está pagando a um grupo de 14 a 18 influenciadores de mídia social até US$ 7 mil por postagem para que publiquem conteúdo pro israel nas redes sociais“, relata o pesquisador.
Até o momento, nenhum influenciador admitiu publicamente os pagamentos, gerando preocupações sobre transparência, disse.
O próprio primeiro-ministro Benjamin Netanyahu – conhecido como Bibi – tem se reunido com esses atores digitais, reforçando seu papel na “batalha de relações públicas“.
A influenciadora pró-Israel Emily Austin, ao saber do programa, defendeu a prática em declarações públicas, argumentando sua legitimidade.
Fontes independentes corroboram essas descobertas. De acordo com uma reportagem do Jerusalem Post em outubro passado, o Projeto Esther foi exposto por meio de registros no Departamento de Justiça dos EUA sob a Lei de Registro de Agentes Estrangeiros (FARA), confirmando o envolvimento da Bridges Partners em uma campanha de influência secreta.
O site Sludge detalhou, na mesma época, que a operação visa plataformas como TikTok, sem menção explícita a valores por postagem – fato exclusivo das revelações de Cleveland-Stout.
Não se limita a influenciadores: a campanha abrange a manipulação de tecnologias emergentes. Israel contratou Brad Parscale, ex-chefe de campanha de Donald Trump, por US$ 6 milhões, para criar sites que influenciem modelos de IA como ChatGPT, Claude e Gemini:
“O parscale criará novos sites para influenciar a forma como modelos de inteligência artificial como chatb treinados com vastas quantidades de dados de todos os cantos da internet“, explica Cleveland-Stout.
A ideia é alterar respostas a consultas sensíveis, como “Israel está cometendo genocídio?“, direcionando-as a narrativas favoráveis.
Essa iniciativa, supervisionada por Eran Shaovic, chefe de gabinete do Ministério das Relações Exteriores de Israel, integra o Projeto 545, descrito no perfil LinkedIn de Shaovic como uma “campanha para ampliar os esforços de comunicação estratégica e diplomacia pública“.
O portal Responsible Statecraft, afiliado ao Quincy Institute, publicou recentemente um artigo assinado por Cleveland-Stout que expande essa vertente: “Israel wants to train ChatGPT to be more pro-Israel“, destacando o contrato com a firma Clock Tower X – detalhe não mencionado nas falas iniciais, mas que reforça a ambição de influenciar jovens, principal público de assistentes de IA.
Outras fontes, como o Axios em setembro passado, confirmam o registro de Parscale como agente estrangeiro para Israel, focando em criação de conteúdo digital.
Outro front é a reconquista de evangélicos cristãos, cujo apoio entre jovens despencou de 75% para 34%, conforme pesquisas citadas por Cleveland-Stout.
Para isso, Israel alocou US$ 3,2 milhões à recém-criada Show Faith by Works, que planeja pagar pastores, produzir conteúdo online e até recrutar celebridades como o ator Chris Pratt e o astro da NBA Steph Curry – embora não haja evidências de aceitação.
“Um dos planos que mais chamou a atenção foi o de lançar anúncios direcionados quando você é fiel e entra na igreja essa empresa show faithwks vai te enviar anúncios e propaganda que o governo de israel quer que você veja“, alerta o pesquisador, comparando ao geofencing de marcas como Starbucks.
Igrejas contactadas expressaram indignação com essa “campanha de influência estrangeira“.
Reportagens complementares validam essa tática. O Al Jazeera, em outubro passado, descreve a Show Faith by Works como executora de uma campanha de outreach digital de US$ 3,2 milhões, incluindo geofencing em igrejas – estratégia rotulada como a mais extensa da história dos EUA, segundo o Global Influence Operations Report em 17 de novembro.
O Forward em 3 de outubro, menciona um orçamento de até US$ 4,1 milhões para PR cristão no oeste dos EUA, com anúncios “pro-Israel e anti-Palestinos“.
Essas manobras ilustram os extremos a que Israel recorre para mitigar seu “problema de imagem“, agravado por imagens de bombardeios em Gaza.
Mesmo Donald Trump reconheceu o desafio de relações públicas de Israel.
Com orçamentos milionários e alvos precisos, a operação busca inverter a narrativa, mas levanta questões éticas sobre interferência estrangeira em democracias.

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