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Irmãos presos por ameaças de morte a Moraes e família falaram em granada, tortura e comunismo

    Um deles é marujo bolsonarista carioca detido na Marinha, que enviou e-mails ao magistrado e parentes falando sobre tortura com requintes de crueldade, além de supostos detalhes da rotina e itinerários

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    Sobre as prisões, na sexta-feira (30/5), realizadas pela PF (Polícia Federal) após solicitação da PGR (Procuradoria-Geral da República) e autorização do STF (Supremo Tribunal Federal), de dois irmãos bolsonaristas suspeitos de ameaçarem o ministro Alexandre de Moraes e sua família, sabe-se até agora que um deles é o fuzileiro naval Raul Fonseca de Oliveira, que está detido em uma unidade da Marinha, no Rio de Janeiro, e que a outra detenção ocorreu em São Paulo.

    A investigação policial indica que uma série de seis e-mails encaminhados pelo marujo à família do magistrado, entre os dias 25 de abril e 5 de maio, continham ameaças de morte e tortura com requintes de crueldade, além de supostos detalhes da rotina e itinerários de Alexandre de Moraes e seus familiares. Em um dos e-mails, os criminosos afirmaram que seria fácil metralhar o carro dos seus filhos ou fechar o veículo e lançar uma granada.

    Em outra mensagem, chegaram a detalhar cenas de tortura contra os familiares do ministro, “por estarem entregando o Brasil ao comunismo”, conforme transcreveu a jornalista do ‘Globo‘, Bela Megale. Em uma das mensagens eletrônicas, os bandidos chegaram a fazer a ameaça de degolar um dos familiares de Moraes, que por meio de nota argumentou sobre “provas suficientes” .

    As prisões preventivas ocorreram em simultaneidade com cinco mandados de busca e apreensão nas mesmas cidades. Em nota, a instituição policial informou que a operação teve como objetivo “complementar as evidências em torno de violentas ameaças sofridas por familiares” do magistrado da Corte máxima de Justiça do Brasil.

    Os dois irmãos detalhavam a rotina da família do ministro em e-mails que foram enviados por um longo período, o que também caracterizou crime de ‘stalking‘ – perseguição física ou on-line, incluída no Código Penal em abril de 2021.

    A nota do gabinete de Moraes cita trecho do pedido de prisão, feito pela PGR, que diz que “o conteúdo das mensagens, com referências a ‘comunismo’ e ‘antipatriotismo’, evidencia com clareza o intuito de, por meio das graves ameaças a familiares do ministro Alexandre de Moraes, restringir o livre exercício da função judiciária pelo magistrado do Supremo Tribunal Federal à frente das investigações relativas aos atos que culminaram na tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito em 8.1.2023”.

    E diz que as investigações em curso apontaram haver “provas suficientes da existência do crime e indícios razoáveis de autoria, já abordados“, que vinculam os suspeitos aos fatos. E acrescenta que “a gravidade das ameaças veiculadas, sua natureza violenta e os indícios de que há monitoramento da rotina das vítimas evidenciam, ainda, o perigo concreto de que a permanência dos investigados em liberdade põe em risco a garantia da ordem pública. A medida é, assim, proporcional, ante o risco concreto à integridade física e emocional das vítimas”.

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