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    Estreito de Hormuz é novamente fechado pelo Irã, desespera Trump e Teerã ameaça atacar aliados dos EUA na região

    — calculando —
    Ilha de Hormuz no estreito de Hormuz, Irã

    📷 Ilha rochosa e vermelha no estreito de Hormuz, no Irã / Foto: Adobe Stock/Roger via United Nations | Hormuz Island, no Irã, se localiza no centro do Estreito de Hormuz / Imagem reprodução/Google

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Teerã (IR) / Washington (US)
    12 de julho de 2026

    O Irã voltou a fechar o Estreito de Hormuz neste sábado (11/jul), horas depois de a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) atacar um navio cargueiro que tentava cruzar a via por uma rota não autorizada.

    Em resposta, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) completou sua terceira rodada de ataques contra o país persa nesta semana, atingindo cerca de 140 alvos — o desfecho mais recente de uma guerra que já dura quase cinco meses e ameaça o abastecimento global de petróleo.

    O que aconteceu

    Segundo o CENTCOM, a IRGC “atacou de forma flagrante” um navio porta-contêineres com bandeira do Chipre no Estreito de Hormuz, deixando um tripulante desaparecido.

    A IRGC, por sua vez, afirmou ter disparado um “tiro de advertência” contra o navio por usar uma rota não autorizada, e declarou o estreito fechado “até o fim das intervenções americanas na região”, segundo apurou a Axios.

    O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, reagiu com dureza nas redes sociais: “O Irã fez uma escolha ruim. Agora eles pagam”, registrou o The Hill.

    O próprio CENTCOM, em nota oficial, confirmou ter concluído a terceira rodada de bombardeios da semana contra o Irã em 11 de julho, “responsabilizando” as forças iranianas pelo ataque ao navio.

    Por que aconteceu, segundo o Irã

    A versão iraniana, divulgada pela emissora estatal Press TV e repercutida internacionalmente, sustenta que o navio ignorou avisos e foi “provocado por estrangeiros” a usar uma rota não aprovada — numa referência a uma proposta de Omã para reabrir parcialmente a navegação pela costa omanense, que o Irã vê como tentativa de driblar seu controle sobre o estreito, conforme relatou o Jerusalem Post, com informações da Reuters.

    Para Teerã, qualquer rota alternativa que não passe pela autorização iraniana representa interferência de potências estrangeiras nos assuntos internos do país e nas negociações em curso sobre o próprio estreito.

    Recapitulação: o que está acontecendo em Hormuz

    O Irã mantém o Estreito de Hormuz — corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado por via marítima no mundo — praticamente bloqueado desde 28 de fevereiro de 2026, quando Estados Unidos e Israel lançaram a chamada Operação Fúria Épica contra o país.

    Desde então, a IRGC já colocou minas na água, atacou dezenas de embarcações e chegou a restringir a passagem apenas a navios de países considerados “amigos”, como a China.

    Em abril, um cessar-fogo temporário previu a reabertura do estreito, mas a trégua se mostrou instável, com episódios de reabertura parcial seguidos de novos fechamentos — o mais recente, o desta semana, ocorre após dois petroleiros terem sido atingidos por projéteis em 7 de julho, que reúne dezenas de despachos de agências como Reuters e Bloomberg sobre o conflito.

    Como tudo começou

    A guerra atual tem raiz em negociações nucleares fracassadas entre Irã e Estados Unidos, mediadas por Omã, que terminaram sem acordo no início de 2026.

    Na madrugada de 28 de fevereiro, forças americanas e israelenses lançaram ataques coordenados contra instalações militares, nucleares e de liderança no Irã, incluindo o assassinato do então líder supremo, Ali Khamenei.

    O Irã revidou com mísseis contra Israel e bases americanas no Bahrein, no Catar e nos Emirados Árabes Unidos, e fechou o estreito em retaliação.

    O pano de fundo histórico remonta a 1953, quando um golpe apoiado por Estados Unidos e Reino Unido derrubou o primeiro-ministro iraniano eleito Mohammad Mosaddegh, justamente depois de ele ter nacionalizado a indústria de petróleo do país — episódio que segue central na memória política iraniana sobre a relação com Washington.

    Os protestos no fim de 2025 e como os EUA se aproveitaram da crise interna

    Antes da guerra atual, o Irã já vivia sua pior crise interna em décadas. A partir de 28 de dezembro de 2025, comerciantes do Grande Bazar de Teerã começaram a fechar suas lojas em protesto contra a inflação recorde — o rial havia perdido quase metade do valor frente ao dólar em 2025, com inflação de 42,5% em dezembro.

    O movimento se espalhou rapidamente para universidades e mais de cem cidades, com manifestantes gritando palavras de ordem contra o governo e o líder supremo.

    A repressão foi descrita por organizações de direitos humanos como uma das mais violentas desde a Revolução de 1979, com estimativas de dezenas de milhares de mortos levantadas por entidades como o Centro Internacional para Direitos Humanos no Irã e pela relatora especial da ONU para o país, Mai Sato.

    Foi nesse cenário de repressão interna que o presidente Donald Trump expressou publicamente apoio aos manifestantes antigoverno, em 13 de janeiro, e, dez dias depois, anunciou o envio de uma “armada” americana ao Oriente Médio — movimento que precedeu em pouco mais de um mês o início dos bombardeios de 28 de fevereiro.

    A sequência de eventos sugere que Washington usou o enfraquecimento interno do regime iraniano como janela de oportunidade militar, embora a Casa Branca tenha apresentado justificativas variadas para a guerra ao longo do tempo — da suposta ameaça nuclear iraniana à intenção declarada de provocar mudança de regime.

    A dúvida sobre o petróleo: o que dizem vozes progressistas

    Analistas e ativistas iranianos ouvidos por veículos progressistas questionam até que ponto os interesses declarados por Washington — segurança regional, contenção nuclear — coincidem com o interesse concreto em controlar o fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico.

    A jornalista Adriana Carranca, em análise publicada pela Agência Pública, argumenta que supor apoio popular iraniano a um ataque unilateral dos EUA e de Israel ignora a história do país, lembrando que o “Irã é uma das mais antigas civilizações do mundo”.

    Já a ativista feminista iraniana Parvin Ardalan, em entrevista à mesma publicação, resumiu o dilema de parte da oposição iraniana: recusar tanto a ditadura interna quanto a instrumentalização do sofrimento do povo iraniano para fins geopolíticos externos.

    Não há, até o momento, prova documental de que o governo americano tenha fomentado deliberadamente os protestos de dezembro — as evidências públicas mostram reação e aproveitamento político de uma crise que já estava em curso, não sua fabricação direta.

    Essa distinção importa: capitalizar uma crise interna para justificar uma guerra já anunciada é diferente de tê-la criado, mas ambas as leituras convivem no debate público.

    Atualização de última hora:
    Negociações entre Irã e Omã sobre uma nova proposta de tráfego pelo estreito seguiam em andamento neste fim de semana, sem desfecho definido até a publicação desta matéria. O Urbs Magna acompanha a situação e traz novos detalhes assim que surgirem.

    FAQ rápido

    Por que o Irã fechou o Estreito de Hormuz de novo?
    Depois de a IRGC atacar um navio cargueiro que usava uma rota alternativa não autorizada, o Irã declarou o estreito fechado até o fim do que chama de “intervenções americanas” na região.

    Os Estados Unidos já tinham atacado o Irã antes desta semana?
    Sim. A guerra começou em 28 de fevereiro de 2026, com uma ofensiva conjunta de EUA e Israel, e esta é apenas a mais recente de várias rodadas de combates desde então.

    Os EUA provocaram os protestos no Irã para justificar a guerra?
    Não há prova pública disso. Os protestos começaram por crise econômica interna em dezembro de 2025; o governo Trump expressou apoio a eles semanas depois e, na sequência, iniciou a ofensiva militar.



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    1 comentário em “Estreito de Hormuz é novamente fechado pelo Irã, desespera Trump e Teerã ameaça atacar aliados dos EUA na região”

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