📷 Navios no Estreito de Ormuz, um dos pontos mais estratégicos do globo para o comércio de energia. Irã anunciou fechamento do corredor marítimo em 20 de junho de 2026, em resposta a ataques de Israel no Líbano / Imagens / Reuters
| Teerã (IR)
20 de junho de 2026
O que parecia uma trégua durou apenas três dias. O Irã anunciou neste sábado (20/jun) o fechamento do Estreito de Ormuz, a rota marítima mais estratégica do mundo para o escoamento de petróleo, em resposta a ataques de Israel no Líbano.
A decisão representa um duro golpe no frágil acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos e assinado na quarta-feira (17/jun) pelo presidente americano, Donald Trump, e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.
O anúncio foi feito pelo comando militar Khatam al-Anbiya, que coordena as operações entre o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e o Exército iraniano.
Em comunicado transmitido pela televisão estatal, a entidade afirmou que a decisão é uma resposta “à má-fé dos Estados Unidos e à sua clara violação do primeiro artigo do memorando que encerra a guerra”.
O documento de 14 pontos, assinado por Trump e Pezeshkian, estipulava o “fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano”.
No entanto, Israel seguiu com ataques aéreos no sul do Líbano, matando ao menos 16 pessoas horas depois da assinatura do cessar-fogo, segundo relatos da imprensa internacional.
“Este primeiro passo é uma resposta à quebra de promessa do inimigo; se a agressão continuar, outras medidas serão planejadas e executadas para forçar o inimigo a cumprir suas obrigações”, alertou o comando militar iraniano, citado pela agência estatal Tehran Times.
A imprensa iraniana, como o Tehran Times, tem repercutido a decisão como uma resposta legítima aos “crimes de Israel no Líbano”.
Negociações em xeque
O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente, lança uma sombra sobre as negociações entre EUA e Irã que devem ocorrer na Suíça.
As conversas técnicas, mediadas pelo Paquistão, estavam originalmente marcadas para sexta-feira (19/jun), mas foram adiadas devido à escalada no Líbano.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, confirmou que os enviados americanos Jared Kushner e Steve Witkoff já estão na Suíça preparando o terreno e que ele espera viajar para o país “nos próximos dias”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que a viagem da equipe iraniana à Suíça tem como objetivo “exigir que o outro lado cumpra suas obrigações”.
Ele advertiu que as negociações para um acordo final só começarão quando os compromissos fundamentais, incluindo a cessação dos combates no Líbano, forem cumpridos.
“Se alguma parte desses entendimentos, qualquer parte desses compromissos, não for implementada, então o memorando de entendimento como um todo será comprometido”, declarou Baghaei, em declaração reproduzida pela Deutche Welle.
Impacto global e risco de escalada
O anúncio do fechamento do estreito ocorre em um momento de extrema volatilidade. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) chegou a afirmar que o tráfego de navios havia aumentado no sábado, com 55 navios mercantes transitando e movimentando mais de 17 milhões de barris de petróleo.
O vice-presidente Vance disse à Fox News que não havia evidências do fechamento do estreito, embora tenha reconhecido que a desminagem da via navegável pode levar até 30 dias.
A decisão iraniana de fechar o Estreito de Ormuz é uma demonstração de força calculada. Ao reabrir o corredor na quarta-feira e fechá-lo novamente no sábado, Teerã mostra que tem o controle efetivo da via e pode usá-la como moeda de troca nas negociações.
Especialistas, como o ex-ministro francês Pierre Lellouche, citado pelo Tehran Times, avaliam que o Irã emerge do conflito “mais forte e mais determinado”, tendo transformado o estreito em um trunfo geopolítico.
O fechamento, mesmo que temporário, tem o potencial de elevar os preços da energia em todo o mundo e de complicar ainda mais a frágil estabilidade no Oriente Médio.
O Irã deixou claro que “se a agressão continuar, medidas adicionais foram planejadas e serão implementadas para compelir o inimigo a cumprir e executar suas obrigações”.
O Comando Central dos EUA afirmou que o tráfego seguia fluindo.
As negociações entre EUA e Irã estão marcadas para este domingo (21/jun) na Suíça.
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