Abbas Araghchi cita reportagem do The New York Times e exemplo de hotel americano para questionar estratégia militar em meio ao conflito no Oriente Médio
Teerã (IR) · 26 de março de 2026
O chanceler do Irã Abbas Araghchi publicou nesta quinta-feira (26/mar) uma mensagem direta nas redes sociais acusando os EUA de retirar soldados de bases militares no Golfo para hotéis e escritórios, transformando cidadãos locais em “escudo humano”.
“Desde o início desta guerra, soldados americanos fugiram de bases militares nos países do Golfo para se esconder em hotéis e escritórios. Eles usam cidadãos do Golfo como escudo humano”, escreveu o ministro das Relações Exteriores.
Ele completou que hotéis americanos “negam reservas a oficiais que possam colocar clientes em risco” e sugeriu que estabelecimentos do Golfo adotem a mesma postura.
A postagem foi acompanhada de duas imagens. A primeira reproduz reportagem do The New York Times, que confirma que ataques iranianos danificaram gravemente várias bases americanas no Oriente Médio, obrigando tropas a operar remotamente de hotéis e espaços comerciais. A segunda mostra e-mail da rede Hilton cancelando reserva após verificação de dados de segurança – exemplo usado por Araghchi para ilustrar a cautela de hotéis nos EUA.
O GCC (Conselho de Cooperação do Golfo) é uma aliança política e econômica que inclui Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Bahrein e Omã, criada em 1981 em resposta à Revolução Iraniana e à Guerra Irã-Iraque.
Atualmente, a região do Golfo Pérsico é crucial devido às suas reservas de petróleo e ao Estreito de Ormuz, onde passa grande parte do petróleo mundial.
Com a recente guerra entre EUA/Israel e Irã, os países do GCC estão em uma situação complicada: aliados dos EUA, mas vulneráveis a retaliações iranianas.
A presença de bases militares americanas na região suscita tensões, e o Irã tem atacado essas instalações, alegando que os EUA usam os cidadãos do Golfo como “escudo humano“.
Os governos do GCC estão frustrados, pois, embora dependam da proteção dos EUA, não querem se envolver em um conflito direto com o Irã.
Em suma, o GCC é um ponto crítico na geopolítica mundial, equilibrando a riqueza econômica com a vulnerabilidade militar em um contexto de crescente tensão regional.
Fontes independentes reforçam o cenário. O mesmo The New York Times detalha que “muitos soldados americanos tiveram de se mudar para hotéis e escritórios na região” após os ataques iranianos. Reportagens da WION e Business Today indicam que ao menos 13 bases ficaram “inabitáveis”, especialmente as localizadas no Kuwait.
A declaração ocorre no contexto da guerra em curso entre Israel, EUA e Irã. Para o chanceler, a movimentação americana não apenas expõe vulnerabilidade militar como viola princípios elementares de proteção a civis. “Hotéis no Golfo deveriam fazer o mesmo”, insistiu, em mensagem que circula amplamente nas redes.
A acusação de escudo humano ganha força porque contrasta com narrativas anteriores usadas por Washington em outros conflitos.
Ao mesmo tempo, reforça o apelo iraniano por política externa baseada em direito internacional e respeito à soberania dos países da região.
No BRICS, do qual o Irã faz parte, vozes progressistas defendem soluções diplomáticas que evitem escalada e garantam paz duradoura no Oriente Médio.
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