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    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Catmandu (NP)
    26 de agosto de 2026

    Uma parede de lama e detritos desceu do Tibete pelo rio Bhote Koshi na manhã de quarta-feira (26/ago), varreu vilarejos de Rasuwa e seguiu pelo corredor do Trishuli.

    O desastre atingiu rota de peregrinos, postos de fronteira e usinas. O aviso útil não chegou a tempo às comunidades de jusante.

    ASSISTA AOS VÍDEOS NO FINAL DA MATÉRIA

    Os primeiros registros oficiais saíram da própria Nepal Police e de veículos de Catmandu. A OnlineKhabar informou, com dados da polícia, 95 corpos recuperados em sete distritos: Rasuwa, Nuwakot, Dhading, Gorkha, Chitwan, Tanahun e Nawalparasi Leste.

    Havia 27 mulheres, 37 homens, seis meninas, cinco meninos e 20 corpos ainda sem identificação. Sessenta e três feridos recebiam atendimento em hospitais como o Tribhuvan University Teaching Hospital, o National Trauma Centre, o Rasuwa Hospital e o Trishuli Hospital.

    O The Kathmandu Post atualizou o quadro no fim do mesmo dia: pelo menos 157 mortos e cerca de 400 pessoas sem contato, entre elas centenas de estrangeiros.

    A diferença entre os boletins mostra busca ainda aberta. Corpos encontrados rio abaixo, em Chitwan e Gorkha, indicam que a onda viajou quilômetros depois de destruir Timure, Syabrubesi e o complexo aduaneiro de Rasuwagadhi.

    A tragédia expõe um problema ambiental e de coordenação entre Estados vizinhos. Quem vive à beira do rio pagou primeiro o preço de um sistema de alerta que não atravessou a fronteira com a velocidade da água.

    O que as imagens virais de fato mostram

    Os vídeos que mais se espalharam nas redes sociais repetem três cenas.

    A primeira é a câmera de segurança do lado chinês, no porto de Gyirong: uma parede de água e lama atinge pátio, caminhões e ônibus.

    A segunda, republicada a partir de material da polícia nepalesa, mostra o Bhote Koshi saindo do leito e levando casas de dois pavimentos em Rasuwa.

    A terceira reúne sobrevoos de helicóptero sobre estradas partidas, pontes desaparecidas e telhados presos na lama em Nuwakot.

    O chefe da alfândega em Rasuwa, Rajendra Dhungana, descreveu o instante ao The Kathmandu Post: “Foi a enchente, subindo como uma onda de quase 100 metros de altura e varrendo o mercado. Em instantes, o mercado desapareceu.”

    A Dawn, de Islamabad, reproduziu a confirmação do porta-voz da polícia Abi Narayan Kafle à AFP: “Até o momento, foram relatadas 95 mortes”. Ele acrescentou que dezenas de policiais também estavam incomunicáveis.

    A causa ainda sob exame

    A myRepublica ouviu a porta-voz da NDRRMA, Shanti Mahat. Segundo ela, um rio no lado tibetano teria ficado bloqueado por avalanche e se rompido de súbito.

    A água entrou no Nepal pelo Lende e pelo Bhote Koshi por volta das 8h40. A autoridade só recebeu a informação perto das 9h. “O rio foi bloqueado por uma avalanche. Acredita-se que a inundação tenha ocorrido repentinamente após o rio transbordar no Tibete”

    O ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, disse no Parlamento que um tremor por volta das 8h37 poderia ter deflagrado avalanche de gelo, seguida da enchente três minutos depois.

    A ressalva dele, reproduzida pelo The Hindu, foi explícita: “A informação necessitava de verificação adicional”.

    O ponto político está menos no adjetivo “natural” e mais na falha de cooperação hidrológica. O ex-chefe da NDRRMA, Anil Pokhrel, afirmou ao The Kathmandu Post que o problema se repetirá enquanto o Ministério das Relações Exteriores do Nepal não obter da China um canal em que o aviso chegue à autoridade de desastres.

    O hidrólogo Binod Parajuli, da Divisão de Previsão de Cheias, admitiu o hiato em Rasuwa e disse que alertas posteriores a Nuwakot e a trechos de jusante podem ter salvo centenas.

    Do lado chinês, a Xinhua, citada pelo mesmo jornal indiano, registrou “grandes baixas” no porto de Gyirong, em Shigatse, após deslizamento associado ao evento no lado nepalês.

    Estradas, comunicação e energia foram cortadas.

    Xi Jinping ordenou busca em ritmo máximo e reforço de monitoramento para evitar desastre secundário.

    Quem está desaparecido

    O The Kathmandu Post e o India Today convergiram no perfil das vítimas em trânsito: peregrinos a caminho do Kailash Mansarovar, no Tibete, além de trekkeiros da rota de Langtang e de Gosainkunda, às vésperas do festival de Janai Purnima.

    Listas preliminares do Nepal Tourism Board e do Ministério do Turismo citaram mais de cem indianos, dezenas de norte-americanos e britânicos, além de malaios, australianos, canadenses e sul-africanos.

    Os números oscilaram ao longo do dia, porque operadoras ainda conferiam grupos. A myRepublica detalhou o golpe sobre a segurança pública. O Posto de Área de Timure foi levado pela água. Em Rasuwagadhi e Syafrubesi, a maior parte dos efetivos ficou incomunicável.

    A OnlineKhabar contabilizou 28 policiais sem contato, espalhados por Timure, Rasuwagadhi, Syafrubesi, Mailung, Betrawati e Haku.

    O ministro Khanal também falou ao Parlamento em dezenas de militares e agentes da Armed Police Force sem rádio.Trabalhadores de hidrelétricas entram na mesma conta.

    O The Himalayan Times e o Nepal News registraram a ordem do primeiro-ministro Balendra Shah (Balen): mobilizar Nepali Army, Armed Police Force e Nepal Police, deslocar equipes médicas, acionar Cruz Vermelha e Nepal Scouts, e colocar helicópteros — inclusive de empresas privadas — sobre as áreas isoladas.

    A linha 1234, além dos 100 e 1111, foi aberta para famílias.

    Infraestrutura e risco de segunda onda

    O The Kathmandu Post listou 19 pontes rodoviárias e 40 quilômetros de estrada destruídos, centenas de veículos no pátio aduaneiro, agências bancárias e mercados de Betrawati e Sole apagados do mapa.

    A Nepal Electricity Authority, segundo relatos convergentes da imprensa local e da India Today, apontou dano a dezenas de projetos e cerca de 430 MW fora do sistema — fatia relevante da geração hídrica nacional.

    A Nepal News e a NDRRMA alertaram para água ainda represada a montante.

    Moradores do corredor Bhote Koshi–Trishuli, até Muglin, foram orientados a abandonar margens.

    Na Índia, estados de planície que recebem rios himalaicos, como Bihar, prepararam evacuações preventivas, segundo despachos da imprensa indiana.

    A leitura deste portal é direta: “Desastre no Himalaia deixou de ser episódio isolado de monção” – Glaciares instáveis, lagos de altitude e ausência de protocolo binacional de sirene transformam cada rompimento em teste de democracia administrativa: quem avisa, quem evacua e quem responde depois, quando as famílias cobram lista nominal.

    Boletins da polícia e do gabinete do primeiro-ministro ainda mudam hora a hora, com novos corpos a jusante e conferência de turistas por operadoras.



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