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    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    24 de agosto de 2026

    O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avaliou, em entrevista gravada no domingo (23/ago) no Palácio do Alvorada, o quadro de adversários da disputa atual e comparou com disputas do passado.

    O trecho exibido na emissora Record à noite revela uma leitura crítica sobre a qualidade do debate democrático contemporâneo.

    Lula declarou ter saudade do tempo em que enfrentava o PSDB. Citou Fernando Henrique Cardoso, Serra, Alckmin e, na primeira eleição de que participou, nomes como Aureliano Chaves, Ulysses Guimarães, Paulo Maluf, Leonel Brizola, Afif Domingos, Mário Covas e Roberto Freire, além do representante da democracia cristã.

    Mariana Godoy perguntou ao Presidente: “O senhor participou de inúmeras eleições. O senhor enfrentou os mais diversos adversários. O senhor encara agora aquela que se apresenta como a sua última disputa. Qual é a leitura que o senhor faz hoje dos seus concorrentes nesse pleito e o que muda em concorrer com os quadros atuais e com o ex-presidente Bolsonaro, por exemplo, ou com outros nomes que o senhor enfrentou nas urnas?”

    Lula respondeu: “Olhe aí, eu tenho saudade do tempo que eu disputava eleições com o PSDB. Fernando Henrique, Serra, com Alckmin, com o Fernando Henrique Cardoso. Tava a primeira eleição que eu participei era Aureliano Chaves, Ulysses Guimarães, Paulo Maluf, Leonel Brizola, Afif Domingos, Mário Covas, Roberto Freire, sabe? Era assim. E mais o homem da democracia cristã, tá lembrada disso?”

    “Pois bem, foi piorando o quadro. Hoje se você comparar a disputa de hoje com a disputa daquele tempo você percebe que diminuiu a importância dos políticos que disputa a eleição. Diminuiu”, emendou o Presidente.

    O estadista criticou o surgimento de candidaturas impulsionadas apenas pela rede: “Ou seja, tem gente que acha que pode ser candidato por causa da internet. Tem gente que acha que brincar na internet ou lacrar a internet dá ele o direito de ser presidente da República”.

    Com o histórico e experiência de três governos, 2003/2006; 2007/2010 e 2023/2026, Lula disse que “ser presidente é diferente: é tomar decisões. Tomar decisões é coisa séria. Eu acho que piorou o processo político do Brasil. Piorou”.

    Mariana Godoy afirmou que Lula “é bem conciliador” e o questionou sobre se ele conseguirá reunir os dois Brasis?

    Lula argumentou que “não tem dois Brasis”, mas “tem um momento histórico que estamos vivendo, um momento histórico que pode ser dissipado daqui a 2 anos, 3 anos, 4 anos. Esse é um país que não tem histórico, sabe, geral de violência nas eleições, de agressões, de ofensas, de lacramento na internet, porque a internet permite que os bandidos se apareçam, sabe, às vezes com mais força do que os honestos e que aparentem uma autoridade”.

    “Não é… é porque o cara te agredir e para ele contar uma mentira, teu respeito, ele não tem que explicar nada. Quem tem que explicar é quem tem que se defender. Você percebe a diferença?”, disse o Presidente.

    No Congresso Nacional, segundo o presidente, a qualidade também caiu: deputados fazem perguntas em CPI apenas para gravar para o celular e nem aguardam a resposta: “Quando vai algum ministro da CPI, o deputado vai fazer pergunta para ele, ele não tá fazendo pergunta pro ministro, ele tá fazendo uma coisinha para o celular dele, para ele lá, que depois ele nem fica para esperar a resposta”.

    Para Lula, “o nível da política caiu muito. Caiu muito. Se você não gostava da política 30 anos atrás, muito menos razão você tem de gostar agora”.

    Lula fechou o raciocínio com um alerta direto sobre a participação popular. O Presidente do Brasil explicou que “o povo tem que votar e o povo tem que comparecer às urnas (…) porque a desgraça de quem não gosta de política é que é governado por quem gosta. E se quem gosta for uma minoria perversa, o povo será governado por essa minoria”.

    A declaração de Lula valoriza a seriedade do ofício presidencial e a necessidade de engajamento democrático como antídoto a um processo político degradado.

    Outros argumentos da entrevista

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou a entrevista no Palácio do Alvorada pela manhã e foi exibida à noite, no Domingo Espetacular, da Record, a partir das 20h30, no mesmo horário do debate da Band em que ele não compareceu nem Flávio Bolsonaro, seu principal oponente.

    Lula abordou também as investigações envolvendo seu filho Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio, conhecido como Marcola, a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segurança pública, feminicídio, economia e a disputa eleitoral de 2026.

    A escolha pelo formato solo, enquanto adversários se enfrentavam na Band, reforça a estratégia de controlar a narrativa em momento de polarização.

    Sobre as suspeitas de relações comerciais com setores do governo federal, Lula afirmou tratar o tema com “muita seriedade”.

    Disse não ser juiz, procurador nem delegado, mas presidente da República. “Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém vai ter que ser investigado. E eu não sou um presidente que tento proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se”.

    E completou: “Isso vale pro meu filho e vale para qualquer pessoa. Ninguém está impune se cometeu erro. […] Meu filho sabe se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele.”

    O presidente reforçou que o aparato investigativo funciona e que não tenta interferir.

    Na sequência, Lula detalhou a conversa de 1 hora e 20 minutos com Donald Trump. Afirmou que as bases do tarifaço contra produtos brasileiros são “mentirosas”, citando o menor desmatamento da história e o combate histórico ao trabalho escravo.

    Disse que a crítica americana, no fundo, se referia à China. A conversa foi “boa” e “civilizada”. No mesmo dia, o secretário de Comércio americano ligou para o ministro brasileiro de Indústria e Comércio e marcou reunião para a semana seguinte. “Já deu frutos. Eu quero manter uma relação muito civilizada com os Estados Unidos.”

    Depois criticou, porém, o segundo escalão: “Eu às vezes tenho a impressão que o Trump é bem melhor na relação política que a assessoria”.

    Lula entregou documento sobre cooperação em minerais críticos e terras raras, com a condição de transformação industrial no Brasil, e reiterou disposição de trabalhar juntos no combate ao crime organizado, sem intromissão externa.

    Sobre segurança pública, tema central da eleição, Lula lembrou que a Constituição de 1988 transferiu a responsabilidade principal aos estados. Anunciou a criação do Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC, com recursos e integração da Polícia Federal, Rodoviária Federal e Penal, em parceria com estados e municípios.

    “A gente quer devolver o território da periferia e da cidade para o povo. […] prendendo quem tiver que prender, punindo quem tiver que punir, mas não matando quem não precisa morrer.”.

    E criticou a lógica de “bandido bom é bandido morto” que, segundo ele, nunca resolveu o problema na raiz.

    No combate ao feminicídio, destacou o Pacto Nacional que uniu os Três Poderes e já resultou em 11 leis, quatro decretos e três portarias, além de Casas da Mulher.

    Defendeu educação para mudar a cultura machista: “Nós homens nascemos achando que a gente era mais poderoso que a mulher. […] Homem de verdade protege.”

    Na economia, apresentou números: inflação média de 4,5% contra 6,2% no governo anterior; inflação de alimentos 13,64% em quatro anos contra 56,16%; desemprego em 5% contra quase 8%; 10,6 milhões de empregos gerados contra 6 milhões; crescimento médio acima de 2,8%.

    O déficit fiscal máximo chegou a 0,8%, o menor desde o governo Dilma.

    Reconheceu juros altos e endividamento familiar, atribuindo parte da sensação de caro à mudança de hábitos de consumo e à falta de educação financeira. Propôs incluí-la nas escolas.

    Sobre a escala 6×1, a PEC da segurança, minerais críticos, Redata e a taxa das blusinhas, afirmou que a Medida Provisória vence em 8 de setembro e que, após reunião com o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, anunciará o fim da taxa para compras de até US$ 50.

    No próximo mandato, priorizará educação de tempo integral com qualidade e um programa para idosos.



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