Daniel Vorcaro ordenou que o Portal Leo Dias apagasse uma matéria sobre o filme “Dark Horse”, mostram mensagens no Intercept Brasil. Depois da queixa, o texto foi removido do ar. A publicação original apontava que o senador Flávio Bolsonaro captou US$ 12 milhões com o banqueiro para financiar a produção / Montagem de imagens reprodução
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| Brasília (DF)
21 de maio de 2026, 21h00
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Novas mensagens obtidas pelo site Intercept Brasil mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso e investigado por um esquema de fraudes financeiras bilionárias, não foi apenas o financiador do filme “Dark Horse” sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ele atuou como um verdadeiro “mandachuva” da comunicação, ordenando a censura prévia de uma reportagem que revelava a existência da obra.
A trama veio à tona após o Intercept Brasil recuperar diálogos de 1º de agosto de 2025. Na ocasião, o Portal Leo Dias publicou uma matéria intitulada “História de Bolsonaro vira filme nos EUA; ex-presidente será retratado como herói”.
A informação, no entanto, irritou profundamente Vorcaro, que, às 12h07, enviou uma mensagem direta ao empresário Thiago Miranda, sócio do portal e, conforme investigações, intermediador dos repasses financeiros do banco para a produção.
“Opa tudo bem? Achei que divulgar que ta fazendo o filme muito ruim, nao acha?”, escreveu o dono do Master.
Na conversa obtida pelo Intercept, Miranda respondeu prontamente: “Acho muito!! Tínhamos combinado de não divulgar nada. Vou entender agora com o Mário”.
A referência, segundo a reportagem, é ao deputado federal Mário Frias (PL-SP), que atua como produtor-executivo do longa ao lado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Vorcaro reforçou a bronca: “Mas soltou no Leo. Mto ruim”. Em uma troca de mensagens que durou menos de uma hora, Miranda garantiu que o problema seria resolvido.
“Acabei de ver. Vou pedir pra apagar”, disse ele, confirmando logo em seguida: “Já mandei deletar”.
O empresário ainda justificou o vazamento como um erro operacional devido ao início das gravações, mas assegurou: “Mas não vai aparecer nome de ninguém”.
O conteúdo censurado e a relação financeira
O texto apagado pelo Portal Leo Dias não trazia nenhum indício do financiamento ilícito ou do nome de Vorcaro. Apenas antecipava que o filme retrataria Bolsonaro como “um homem corajoso e determinado” e amenizaria suas polêmicas.
Apesar de leve, a informação foi considerada prejudicial aos planos de comunicação da família Bolsonaro, que desejavam controle total sobre o anúncio do projeto.
A ligação entre as partes, no entanto, é umbilical e financeira. Como revelou o Estadão, a empresa de Leo Dias recebeu R$ 9,9 milhões diretamente do Banco Master, segundo relatos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Leo Dias também recebeu outros R$ 9,9 milhões diretamente do Banco Master, segundo relatos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
E mais R$ 2 milhões de uma firma abastecida pelo banco.
O jornalista defendeu os valores como contratos de publicidade com o Will Bank, braço do conglomerado de Vorcaro que também foi liquidado pelo Banco Central.
O orçamento milionário de “Dark Horse”
A produção do filme sobre Jair Bolsonaro teve 90% do seu orçamento bancado com dinheiro de Vorcaro.
Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp, revelou que o orçamento realizado já ultrapassa os US$ 13 milhões (cerca de R$ 65,7 milhões).
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, admitiu ter recebido US$ 12 milhões (R$ 60,6 milhões) do banqueiro para “patrocinar” a obra.
Mensagens anteriores divulgadas pelo Intercept mostraram Flávio cobrando Vorcaro para não “dar calote” no ator Jim Caviezel, intérprete de Bolsonaro, sob o risco de “perder tudo”.
O silêncio e a volta por cima
Segundo o Estadão e o Intercept, Daniel Vorcaro e Thiago Miranda não se manifestaram sobre o teor das mensagens que comprovam a tentativa de censura.
Já o Portal Leo Dias, por meio de sua assessoria, tentou justificar o apagão. A nota enviada ao Intercept alega que o texto foi retirado do ar por “dúvidas internas sobre a apuração” e que a decisão partiu de Thiago Miranda, então CEO do portal.
Curiosamente, o silêncio sobre “Dark Horse” durou cinco meses.
O Portal Leo Dias só voltou a abordar o tema em dezembro de 2025, quando Vorcaro já havia sido preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero (17 de novembro) e o Banco Master já estava liquidado.
Na ocasião, o portal afirmou que as novas informações eram “mais consistentes”, incluindo imagens exclusivas das gravações no Brasil e uma entrevista com o senador Flávio Bolsonaro.
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