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Insensível, Trump será pesadelo para milhares de imigrantes que serão deportados dos EUA, diz Boff

    Na Convenção do partido Republicano para oficialização da candidatura, o ex-presidente disse que “uma invasão massiva” de mexicanos que vieram “de prisões e cadeias, de instituições mentais e asilos, e terroristas em níveis nunca antes vistos espalhou miséria, crime, pobreza, doença e destruição”

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    O teólogo Leonardo Boff afirmou em suas redes sociais que o ex-presidente republicano Donald Trump será o “provável” próximo presidente dos Estados Unidos, mas será “um pesadelo para o próprio país e especialmente para os milhares de imigrantes não documentados que serão deportados“.

    Segundo o religioso, “Trump é insensível ao sofrimento deles”, a quem “difama” sem considerar que eles tentam a vida nos EUApara poder sobreviver” e, uma vez deportados, “voltarão aos riscos anteriores“.

    Veja abaixo e entenda a seguir:



    Na quinta-feira (19/7), durante Convenção Nacional Republicana, em Wisconsin – estado no centro-oeste dos EUA, quando foi oficializada sua candidatura à Presidência, Donald Trump prometeu a maior deportação de imigrantes da história.

    Trump, que sofreu tentativa de assassinato no último sábado (13/7), na Pensilvânia, estava com um grande curativo na orelha direita.


    Fotos combinadas mostram Trump com um curativo na orelha direita, depois de ter sido ferido em uma tentativa de assassinato, e apoiadores usando curativos falsos em homenagem a ele durante convenção do Partido Republicano (REUTERS/Elizabeth Frantz, Andrew Kelly, Marco Bello, Brian Snyder, e Mike Segar)


    O ex-presidente pôs tudo a perder, desde que prometera pacificar o país, acabando com a polarização entre ele e o presidente Joe Biden, do partido democrata. Trump chegou a afirmar, no início do discurso de 1h30 de duração, que todos os cidadãos vivem em um mesmo país: “Estou concorrendo para ser presidente de toda a América, não da metade. Não há vitória em ganhar por metade da América”.

    A cada cidadão, seja jovem ou velho, homem ou mulher, democrata, republicano ou independente, negro ou branco, asiático ou hispânico, estendo a vocês uma mão de lealdade e amizade”, disse, demonstrando que tudo parecia ser verdade.

    Mas tudo mudou durante a oratória de bondade quando o republicano atacou imigrantes latinos do México: “Temos uma crise de imigração ilegal. Uma invasão massiva em nossa fronteira sul que espalhou miséria, crime, pobreza, doença e destruição em comunidades por todo o nosso território”, afirmou.

    Eles estão vindo de prisões e cadeias, de instituições mentais e asilos, e terroristas em níveis nunca antes vistos”, afirmou, sem distingui-los das melhores almas mexicanas que tentam sobreviver em seu país, prometendo fechar a fronteira com o México e finalizar a construção de um muro entre os dois países, cuja obra foi iniciada na gestão Trump.

    Presidente do México reage às declarações violentas de Trump



    O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, disse, nesta sexta-feira (19), que enviará uma carta ao canditado à presidência e ex-presidente Donald Trump, que afirmou que pretende retomar a construção do muro para conter a imigração caso ganhe as eleições.

    Vou enviar uma carta ao meu amigo Donald Trump porque penso que ele não está bem informado sobre a questão da imigração e também sobre a importância de manter a integração econômica entre os Estados Unidos, o México e o Canadá“, disse o presidente em sua habitual entrevista coletiva matinal.

    López Obrador destacou que mostrará ao magnata que “os migrantes não trazem drogas para os Estados Unidos” e que vão para o país para trabalhar honestamente. Acrescentou que na carta informará que a integração econômica ajuda os dois países (por meio do acordo de livre comércio T-MEC) “e que nada se resolve fechando a fronteira“.

    Ao aceitar a nomeação republicana para as eleições presidenciais, Trump disse que, se vencer, porá fim à “crise da imigração ilegal“, fechando a fronteira. “Vamos parar a invasão na nossa fronteira sul e faremos isso rapidamente“, disse ele.

    Tal como na sua campanha presidencial anterior, o republicano focou na migração ilegal para os Estados Unidos, onde dezenas de milhares de pessoas chegam fugindo da pobreza e da violência nos seus países. Além disso, durante o seu governo, o magnata promoveu a renegociação do acordo de livre comércio entre o México, os Estados Unidos e o Canadá, argumentando que representava uma desvantagem para o seu país.

    Durante pouco mais de dois anos, López Obrador, que assumiu o poder em dezembro de 2018, e Trump, que deixou o cargo em janeiro de 2021, coincidiram nas presidências de seus respectivos países. Em 2019, Trump ameaçou impor tarifas sobre produtos provenientes do México se o governo da nação latino-americana não impedisse a onda migratória para os Estados Unidos.


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