Na Convenção do partido Republicano para oficialização da candidatura, o ex-presidente disse que “uma invasão massiva” de mexicanos que vieram “de prisões e cadeias, de instituições mentais e asilos, e terroristas em níveis nunca antes vistos espalhou miséria, crime, pobreza, doença e destruição”
O teólogo Leonardo Boff afirmou em suas redes sociais que o ex-presidente republicano Donald Trump será o “provável” próximo presidente dos Estados Unidos, mas será “um pesadelo para o próprio país e especialmente para os milhares de imigrantes não documentados que serão deportados“.
Segundo o religioso, “Trump é insensível ao sofrimento deles”, a quem “difama” sem considerar que eles tentam a vida nos EUA “para poder sobreviver” e, uma vez deportados, “voltarão aos riscos anteriores“.
Veja abaixo e entenda a seguir:
Trump, provável presidente dos USA, será um pesadelo para o próprio país e especialmente para os milhares de imigrantes não documentados que serão deportados. Trump é insensível ao sofrimento deles,antes os difama.Vieram para poder sobreviver e voltarão aos riscos anteriores.
— Leonardo Boff (@LeonardoBoff) July 20, 2024
Na quinta-feira (19/7), durante Convenção Nacional Republicana, em Wisconsin – estado no centro-oeste dos EUA, quando foi oficializada sua candidatura à Presidência, Donald Trump prometeu a maior deportação de imigrantes da história.
Trump, que sofreu tentativa de assassinato no último sábado (13/7), na Pensilvânia, estava com um grande curativo na orelha direita.

Fotos combinadas mostram Trump com um curativo na orelha direita, depois de ter sido ferido em uma tentativa de assassinato, e apoiadores usando curativos falsos em homenagem a ele durante convenção do Partido Republicano (REUTERS/Elizabeth Frantz, Andrew Kelly, Marco Bello, Brian Snyder, e Mike Segar)
O ex-presidente pôs tudo a perder, desde que prometera pacificar o país, acabando com a polarização entre ele e o presidente Joe Biden, do partido democrata. Trump chegou a afirmar, no início do discurso de 1h30 de duração, que todos os cidadãos vivem em um mesmo país: “Estou concorrendo para ser presidente de toda a América, não da metade. Não há vitória em ganhar por metade da América”.
“A cada cidadão, seja jovem ou velho, homem ou mulher, democrata, republicano ou independente, negro ou branco, asiático ou hispânico, estendo a vocês uma mão de lealdade e amizade”, disse, demonstrando que tudo parecia ser verdade.
Mas tudo mudou durante a oratória de bondade quando o republicano atacou imigrantes latinos do México: “Temos uma crise de imigração ilegal. Uma invasão massiva em nossa fronteira sul que espalhou miséria, crime, pobreza, doença e destruição em comunidades por todo o nosso território”, afirmou.
“Eles estão vindo de prisões e cadeias, de instituições mentais e asilos, e terroristas em níveis nunca antes vistos”, afirmou, sem distingui-los das melhores almas mexicanas que tentam sobreviver em seu país, prometendo fechar a fronteira com o México e finalizar a construção de um muro entre os dois países, cuja obra foi iniciada na gestão Trump.
Presidente do México reage às declarações violentas de Trump

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, disse, nesta sexta-feira (19), que enviará uma carta ao canditado à presidência e ex-presidente Donald Trump, que afirmou que pretende retomar a construção do muro para conter a imigração caso ganhe as eleições.
“Vou enviar uma carta ao meu amigo Donald Trump porque penso que ele não está bem informado sobre a questão da imigração e também sobre a importância de manter a integração econômica entre os Estados Unidos, o México e o Canadá“, disse o presidente em sua habitual entrevista coletiva matinal.
López Obrador destacou que mostrará ao magnata que “os migrantes não trazem drogas para os Estados Unidos” e que vão para o país para trabalhar honestamente. Acrescentou que na carta informará que a integração econômica ajuda os dois países (por meio do acordo de livre comércio T-MEC) “e que nada se resolve fechando a fronteira“.
Ao aceitar a nomeação republicana para as eleições presidenciais, Trump disse que, se vencer, porá fim à “crise da imigração ilegal“, fechando a fronteira. “Vamos parar a invasão na nossa fronteira sul e faremos isso rapidamente“, disse ele.
Tal como na sua campanha presidencial anterior, o republicano focou na migração ilegal para os Estados Unidos, onde dezenas de milhares de pessoas chegam fugindo da pobreza e da violência nos seus países. Além disso, durante o seu governo, o magnata promoveu a renegociação do acordo de livre comércio entre o México, os Estados Unidos e o Canadá, argumentando que representava uma desvantagem para o seu país.
Durante pouco mais de dois anos, López Obrador, que assumiu o poder em dezembro de 2018, e Trump, que deixou o cargo em janeiro de 2021, coincidiram nas presidências de seus respectivos países. Em 2019, Trump ameaçou impor tarifas sobre produtos provenientes do México se o governo da nação latino-americana não impedisse a onda migratória para os Estados Unidos.
